A embolada da sucessão mineira

Eduardo de Ávila

Se no plano federal, a tendência pró Lula sobre o atual presidente é clara, aqui em Minas Gerais também vem se mostrando igualmente favorável ao atual governador Romeu Zema. Entretanto, a infantilidade de um grupo de novinhos, jovenzinhos ou ninfetos ao seu entorno – aliado a fatores específicos de cada processo eleitoral – podem colocar em risco essa tendência pela reeleição.

A título de informação, o que vou dizer aqui, relatei inúmeras vezes em contato com o próprio governador. Explicando. Ele, Zema, para nós apenas Romeu, é primo. Diferente de minhas posições, que sempre militei no campo progressista, seu perfil é conservador. Tanto que, em 2018, e isso nunca foi desconhecido no seio familiar, votei noutro candidato no primeiro turno.

Quando ficou entre ele e Anastasia, minha nova opção foi sem questionamento familiar, afinal de um lado um tucano – aliado de Aécio – e do outro não apenas um primo. Neto de uma das irmãs de mamãe. Minha nova opção, naquela oportunidade, foi por reconhecer seu comportamento e honestidade inquestionáveis. E, mesmo contrapondo a muitos “companheiros”, nenhum deles atualmente questiona o que eu disse desde o início. “Ele vai organizar as contas do Estado“.

Tanto é verdade, que mesmo com todas as crises que vivenciamos – como a pandemia –, outras internacionais que afetaram a economia mundial, um desgoverno federal e diversos episódios locais, conseguiu colocar os salários dos servidores em dia e sem parcelamento. Pagou quatro 13º salários, três de seu mandato e o anterior que Pimentel “esqueceu” de quitar. Ainda faz o repasse aos municípios das verbas, de seu mandato e do governo anterior – caloteadas pela gestão que o antecedeu – que atualmente estão rigorosamente em dia.

Aos que insistem que Romeu foi aliado de Bolsonaro – sem polemizar e entrar no mérito do assunto, que conheço e sou testemunha que não é procedente – ele que agiu em defesa dos interesses de Minas Gerais, exclusivamente na condição de relação institucional. Sem mais considerações sobre esses temas recorrentes de seus adversários e críticos, manifesto agora sobre o risco de ele deixar de dar prosseguimento ao trabalho de equilíbrio e boa gestão dos recursos do governo do Estado de Minas Gerais.

Sem qualquer experiência política, venceu – surpreendentemente – forças partidárias até então fortes na República. PT e PSDB foram preteridos pelo eleitor em busca de uma novidade que se apresentava. É importante não confundir com o Partido Novo, a meu juízo, o maior entrave e dificultador dessa sua atual gestão. Neófitos, alguns até meio bobões, que a exemplo das duas legendas que citei, acreditam serem os detentores da moralidade. Falsa moralidade, diga-se, em todas essas agremiações.

Para ser honesto, não precisa ser do campo de seus aliados – seja de esquerda ou direita, progressista ou conservador – existem em todas essas alternativas. Prefiro, eu, a esquerda por defender programas e preocupações sociais de inclusão, enquanto o outro lado tem como meta o capital. Mas, para fechar, indo ao que me sugeriu essa resenha, seus “parças”, colocaram em risco a liderança até aqui consolidada, ao demonstrar que não sabem conversar com lideranças necessárias para fazer alianças sólidas de governabilidade.

Teve dificuldade de relacionamento com a Assembleia o tempo todo, um de seus auxiliares diretos, talvez o que mais deveria conhecer sobre o processo e o Poder Legislativo, deu canelada na entrada, durante e até na saída do cargo. E agora, na semana decisiva para fechar as chapas, com tanta burocracia implementada pelos meninos que se acham sábios, surgem dois concorrentes que sozinhos não ameaçariam a reeleição.

Ocorre que o pleito em dois turnos, contando então com duas candidaturas de maior visibilidade – que somadas aos nanicos de sempre – devem levar a eleição para o segundo turno. Aí, quem acompanha processo eleitoral sabe que uma segunda eleição, sempre coloca o quadro em zero a zero. Remember Hélio Costa e Eduardo Azeredo em 1994. O primeiro, que não foi eleito por votos residuais dos pequenos partidos, acabou perdendo o segundo turno e teve sua votação até reduzida da primeira apuração.

A saída única que pode existir seria um candidato a vice-governador com densidade eleitoral em Belo Horizonte e região metropolitana da capital, onde o favoritismo do ex-prefeito Kalil, poderia ser reequilibrado. Mas, seus interlocutores perderam tempo conversando em chapa “puro sangue” (sem coligar com outro partido), um ex-ministro do atual governo federal e um pirralho cuja maior evidência na Câmara dos Deputados é sua performance polêmica e contraditória, como consequência colecionador de desafetos. E mais, sobre esse último, vendido a aliados – pelo novinho interessado e articulador do governo – como preferido do governador. E é mentira do interlocutor.

Em síntese, esses menininhos podem atirar pelo ralo uma interessante via de gestão, apesar de o chefe ser conservador. Lá em Brasília, sigo com uma opção popular, aqui minha opção seria de um modelo de gestão competente e sem populismo. Enfim…!

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