Educação e resistência no século XXI

Eduardo de Ávila

Tenho insistido aqui neste minifúndio da resistência, meus fundamentos e razões por preferir isto e não aquilo (faz lembrar Cecília Meireles), que nos fazem – a maioria – vítimas no capitalismo. Antes que os açodados e preguiçosos conservadores – sem ler – me atribuam adjetivos que lhes convêm, não estou fazendo apologia aos regimes que essa gente tanto diz ter medo.

Precisamos formar mais pessoas capazes de se colocar no lugar do outro e, assim, buscar uma sociedade mais justa e igualitária. A educação em nosso país deve ser um instrumento de inclusão e de melhoria na qualidade de vida do indivíduo, consequentemente, de uma nação inteira.

Somos vítimas e agentes dessa exploração, cada dia mais evidente, na medida em que aceitamos passivamente e agimos da mesma forma que reclamamos. Basta fazer um exame de consciência, aquilo que algumas pessoas recomendam, mas que não enxergam no seu próprio comportamento. Isso tem nome, simples e cristalino, cinismo.

Não estou aqui, em mais uma terça-feira, propondo debater e conspirar contra esse sistema capitalista que agrava a desigualdade. Muitos daqueles abastados no Brasil, que muitas vezes se beneficiam desta injustiça social, contam com o apoio de indivíduos que estão ao nosso entorno. Gente que se acha rica e poderosa, para atender sua necessidade de inclusão que jamais irão fazer parte (pessoas que procuram se aproximar dos padrões de comportamento da burguesia), traindo sua própria história e seu próprio seguimento social.

Vou comentar mais uma experiência pessoal. Situação que me acompanhou por uma semana a espera por uma autorização de “procedimento médico” pela operadora do meu plano de saúde. Tenho, seguramente, um dos melhores planos, tanto que o nome dele é seguido por “max” (derivação de máximo), juntando com parte da nomenclatura da importante operadora.

Sigo me sentido lesado, como muitos dos brasileiros hoje. Liguei e justifiquei sobre o meu problema com esse intolerável desconforto que me impede até de me locomover. Ouvia que está “pré aprovado”, que no final da semana teria chance de ser autorizado, mas isso só ocorre em dias úteis e horário comercial. Enfim, a sensação de exploração me invade, como a todos nós que somos vítimas dessa situação.

Não estou aqui com a intenção de difamar o capitalismo, a minha bandeira neste instante é a defesa de um capitalismo humanista. Depois da luta pela autorização, agora é a fila para bloco cirúrgico. E a dor segue incomodando.

Por fim, existem muitos países capitalistas com atendimento de saúde decente e que nessa minha condição já teria tido solução. Fico imaginando um brasileiro na mesma situação que estou passando, dependendo do nosso SUS. Por mais desafios que esse sistema esteja enfrentando, ele garante a democratização do acesso às unidades e aos serviços de saúde. Entretanto, devido ao abandono governamental, muitas vezes não pode também executar o seu trabalho com a eficácia que gostaria o seu corpo funcional e origem de sua criação.

Precisamos de muita evolução. Científica, política, espiritual, social, econômica, enfim precisamos crescer em todos os seguimentos. Estamos paralisados na teoria de Thomas Hobbes que definiu o homem como egoísta, parcial, competitivo, orgulhoso, vingativo, vaidoso e ambicioso. “O homem é o lobo do homem”. Vamos acreditar nas premissas de Jesus de Nazaré: “amai-vos um aos outros” e não matai-vos uns aos outros. Vamos amar e desarmar!

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