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Pautas de esquerda

Tais Civitarese

Tenho observado uma certa controvérsia entre alguns colegas militantes da esquerda política. Há uma tendência a se colocar todas as reivindicações da oposição dentro de um mesmo pacote, de uma maneira meio cega e inquestionável.

Não digo que pautas humanitárias devam ser relativizadas. Mas há algumas questões que, ao se tornarem bandeiras coletivas, soam mais como cacoetes do que como assuntos sobre os quais houve qualquer reflexão ou leitura prévia.

É​ como se um esquerdista de verdade, legítimo e com carimbo vermelho de autenticidade tivesse a obrigação moral de ser vegano, deixar os cabelos brancos, adotar gatos de rua, só consumir em comércios locais, abdicar do carro e do plástico, usar canudos de inox, fazer compostagem, yoga e não usar maquiagem. Vira uma est​ética, muito mais do que um pensamento político. Enquanto isso, as causas que sustentam esse pensamento s​ão usadas como alicerces aut​ômatos, objetificados e desconectados da razão.

Percebo que muitos colegas tornaram-se o próprio ​”​do contra” quando se trata de qualquer assunto que abranja as reivindicações das minorias.

Um exemplo ​polêmico é o uso da linguagem neutra. Particularmente, em um país onde os analfabetos funcionais ainda correspondem a um quinto da população, acho de uma perfumaria enorme fazer uso de pronomes inventados como arma política. E me questiono sobre que tipo de inclusão essa atitude gera. A meu ver, inclui a galera de esquerda muito mais dentro de seu próprio grupo e ideologia do que de fato traz algum benefício ​​à população LGBTQIAP+. Muito mais importante do que falar de uma forma supostamente inclusiva ​é o conteúdo daquilo que se diz e o que se faz. Falar​ “todes” no lugar de todos não ajudará em nada ao progresso da causa minoritária se atos concretos não forem estabelecidos e pleiteados, como pressão por políticas públicas efetivas, voto, educação​ em casa, participação em consultas públicas, etc. A defesa desta futilidade esvazia a luta principal e traz uma falsa impress​ão de avanço e conquista de direitos. Atende apenas ​à militância de aparência.

Nos círculos em que convivo há belíssimos discursos em defesa dos preceitos humanos. Essas mesmas pessoas desrespeitam seus colegas de trabalho e maldizem seus amigos pelas costas. Ha também o vegano que trata com desprezo o garçom para quem pede sua berinjela grelhada – mas defende a causa animal. Há os que lutam pela humanidade e desrespeitam o vizinho. E há aqueles que falam “todes” e “elu” e não educam seus próprios filhos a respeitar os colegas. Defender o pronome neutro sem cumprir requisitos básicos soa deveras patético. No Brasil de 2021 ainda há muitas, muitas prioridades ​​à frente – para ser bem redundante. Há que se fazer o mínimo antes de pagar de inclusivo.

Você não se importa nem com a funcionária que trabalha contigo.

Sinceramente, me poupe!

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