Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Praça Sete de BH: uma boa surpresa

Sandra Belchiolina de Castro
sandra@arteyvida.com.br

Para quem é adepto a caminhadas não ficará surpreso com a opção que fiz de sair do alto do bairro Santo Antônio e ir até ao centro da capital mineira em marcha. A grande questão aqui não é a distância, que é de 5 km, mas os morros. Eu me aventurei a percorrer esse caminho e foi muito bom porque me revelou a beleza do coração da cidade – carinhosamente chamado de Praça Sete.

Parti ao final do dia e podia-se ver a luz do poente em suas muitas nuances. O percurso seria ao inverso do poema de Rômulo Paes, impresso na rua. Não foi subir Bahia e sim descer seu prolongamento – a Rua Carangola. Queria aproveitar mais da caminhada, não prossegui na Bahia e desviei para Savassi, passando pela Praça da Liberdade.

A vida começa a entrar no seu rumo após a grande crise pandêmica que nos foi imposta pela natureza e agravada por desordens políticas no Brasil. Assim, encontrei novos cafés abertos, lojas já enfeitadas para o Natal e belo-horizontinos que na maioria estavam mascarados, mas circulando com ares mais aliviados.

O desejo de escrever essa crônica ocorreu quando entrei na Av. Afonso Pena e de imediato senti a brisa da Serra do Curral – ela que está majestosamente marcando nosso horizonte. Faz-se presente para quem eleva os olhos e olha para frente sentido centro/serra. E, no frescor da brisa, chego a uma Praça Sete já iluminada. Nos quarenta e dois anos que cruzo suas ruas, sempre a considerei suja e feia. Mas agora a enxergava de forma diferente.

A Praça passou por revitalizações durante o ano de1971 e tem quatro quarteirões projetados numa diagonal. Foram fechados para dar um bem-estar para comunidade e conforto aos pedestres. Quarteirões que receberam os nomes de povos indígenas que viveram em Minas Gerais, os homenageando. São eles Krenak ou Crenaque (trecho da Rua dos Carijós, entre a praça e Rua São Paulo), Pataxó (Rua dos Carijós até a Rua Espírito Santo), Maxacali ou Machacali (Rio de Janeiro até a Rua dos Tupinambás) e Xacriabá (Rua Rio de Janeiro até a dos Tamoios).¹

Belo Horizonte foi uma cidade planejada e suas ruas centrais receberam o nome de tribos indígenas e dos estados da nação brasileira. Quando me mudei para capital me deram a dica: se você está na Rua Rio de Janeiro, a próxima será Espírito Santo e a anterior São Paulo, copiando a sequência do mapa do Brasil.

A beleza estética do conjunto arquitetônico da Praça me chamou atenção nessa noite com os edifícios iluminados. Desde o antigo Cine Brasil (1932), passando pelo edifício projetado por Oscar Niemeyer para sediar o Banco Mineiro da Produção (1953), antigo Bemge. Esse tombado pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) em 2016; sua iluminação estava especial com gigantes lustres no ultimo andar, o que o torna mais majestoso. Esse edifício, conforme Flávio Carsalade, professor de arquitetura da UFMG, relata “do ponto de vista histórico, reafirma a parceria entre Juscelino Kubitscheck – prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e presidente do Brasil – e o arquiteto. Do ponto de vista artístico, o prédio é um exemplo de harmonia com a paisagem urbana, celebrando com extrema maestria as possibilidades expressivas abertas pelo desenho urbano de Belo Horizonte”².

O edifício mais baixo do espaço é o prédio da UAI – Unidade de Atendimento Integrado (desde 1998). Ele foi projetado em 1922, pelo arquiteto italiano Luigi Olivieri. Ele, junto com os outros, os três cantos e o central, o “Pirulito” – o obelisco, compõem a historia dessa praça e dos mineiros. Ela que foi e é palco de eventos e manifestações diversas de nosso povo.

Depois de muitos e muitos anos, encantei-me por essa Praça por onde já cruzei milhares de vezes seus quarteirões. Sentir desde ali a brisa da Serra do Curral e até a considerei limpa. Também, olhar pude para o nosso povo, enxergar esperança e leveza no seu caminhar.

*
Referências:

¹ -https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/07/21/interna_gerais,307333/conheca-a-historia-dos-quatro-cantos-da-praca-sete.shtml

² – https://www.hojeemdia.com.br/horizontes/pr%C3%A9dio-na-pra%C3%A7a-sete-projetado-por-oscar-niemeyer-%C3%A9-tombado-como-patrim%C3%B4nio-cultural-de-minas-gerais-1.388238

*
Curta: Facebook / Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.