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Sinal dos tempos

Eduardo de Ávila

Nem me refiro, desta vez, aos estranhos tempos atuais que estamos vivenciando e sim ao de cada um de nós. Semana passada, aqui neste espaço que divido com uma turma muito especial, até comentei sobre a intolerância que vem dominando as relações e fiz um curto devaneio sobre as brincadeiras de infância da minha geração e a falta que isso faz nos dias de hoje.

O que tem me assustado agora, nesse processo de desconstrução histórica que o mundo – especialmente os brasileiros – vem experimentando é o chamado peso da idade. Me lembro de meus pais, insistentemente, registrarem a perda de energia (cansaço/indisposição), memória (cabeça fraca/lerda), dores (musculares), medicamentos de uso contínuo e uma infinidade de queixas.

Aquilo para um garoto e até adolescente nada mais era que uma chantagem emocional para conter o ímpeto daquele momento em que não existia tempo ruim. Férias então, nem pensar em perder um único minuto. Na ocasião, os recessos escolares eram todo dezembro, janeiro e fevereiro, além do mês de julho completo. Eita, tempo bom!

Papai, como já relatei aqui, mudou de plano precocemente. Com o passar dos tempos, fomos envelhecendo – seus filhos – e cada um superando o seu tempo aqui na terra. Fui o último, na condição de caçula temporão, a bater a idade de desencarne dele entre nós. De tempos em tempos, ouvia de um ou uma entre a irmandade, aquelas queixas do papai e da mamãe – essa viveu bem mais tempo e – assustadoramente – já se passam quase vinte anos de sua partida.

Pois bem, meus dois irmãos, um deles já também tendo virado estrela e o outro – esse até que cuida bem do físico e intelecto – igualmente registra o peso da idade. Entre as irmãs, quase cinco Marias (Tereza, Isabel, Antonieta e Amélia) não fosse uma Margarida, também ouço a queixa do peso dos tempos em suas disposições para o dia a dia. Ofereci minha resistência até então, quando começo a capitular e ceder ao (des)encanto de ser contemplado numa carteirinha para uso eventual como “idoso”. Tem dias, até hoje não me recuperei.

Brincadeiras à parte passei o final de semana ativo em minhas construções de sonhos, desde aqueles pragmáticos até dos devaneios de resistência democrática e na possibilidade de comemorar o título do time do coração, relembrando de episódios recentes pessoais. Indisposição, lerdeza e dores não tem me faltado diariamente.

Sistematicamente venho perdendo objetos. Minha caixinha de remédios, que não me esqueço de tomar graças ao alarme que o telefone celular (tempos modernos) dispara no horário de cada um deles. Às vezes, confesso, tenho de me esforçar para lembrar qual é o medicamento da hora. E da memória, de dormir ou de despertar. Pois que, nessa semana, sem saber o que houve, perdi a caixa e os remédios que nela estavam armazenados. Tive de voltar para casa e reorganizar novo recipiente e recapitular a ordem e horário de cada um deles.

Noutro dia, como faço habitualmente, volto lentamente da academia quando percebo que deixei meus pertences – carteira, álcool, chaves e outros no escaninho. Volto á pé e retomo a caminhada. Ao chegar em casa, percebo que o chaveiro não estava comigo. Em meio à aflição natural da situação, entro no prédio conformado em buscar depois (a moça que limpa minha casa estava presente) e deparo-me com as chaves na porta do lado de fora. Lá ficou por duas horas sem que ninguém percebesse. E eu, distraidamente, notei que meus pais tinham razão.

Como se não bastasse, sábado antepassado – debaixo de um temporal cheguei ao Mineirão para ver o meu time jogar – e atônito, sem saber pra que lado correr, experimentei uma situação desagradável que depois se tornou hilária. Ensopado pela água torrencial que caía na Pampulha, cheguei à portaria e a moça – gentilmente – me avisou que o meu portão de entrada não seria aquele e sim outro.

Com cara de poucos amigos, segundo uma amiga que anonimamente assistiu a tudo e me contou depois, saí em nova correria tropeçando naquele “gradil para organização de filas”. Nem olhei pra trás, levantei e segui em busca do meu destino, pois a chuva era muito forte e certamente o tombo deve ter divertido a muita gente que assistiu. Senti falta de, como disse semana passada, passar mertiolate ou água com sal. Doeu demais e o joelho ficou todo ralado. Além, claro, de imundo com aquela água do cimentão sujo do piso da esplanada do Mineirão.

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