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Escola de Encantamento

Luísa Bahia

Neste exato momento contemplo um sol alaranjado, e na trilha sonora ouço grilos, pássaros e água correndo. Estou hospedada numa casa mágica, com mulheres bruxas poderosas. Aqui é tudo poesia. Ontem um vagalume pousou na minha mão. Hoje nadei  com os peixes num córrego cercado de montanhas. Na madruga os gatos vêm dançar em todos os móveis, tentando abocanhar os muitos insetos da estação. Da outra vez que vim aqui, era inverno e as abelhas ficavam na árvore em frente à casa, fazendo um grande zumbido. Com a floração da primavera, elas mudaram de lugar. A natureza sabe mudar de lugar quando preciso, mas a gente esquece! 

No fim de semana comemoramos o aniversário da Laura, uma amiga irmã, uma das guardiãs dessa casa. Havia outras mulheres que eu não via há muitos anos. Estudamos juntas, no Ensino Médio, e fiquei imensamente feliz em ter notícias dessa mulherada porreta. Cada uma com seus dramas, alegrias, desejos, crenças e jeitos. Nos encontramos em duas rodas poderosas. Uma pra dançar, cantar, rir, chorar e uivar em volta da fogueira. E outra pra rezar, saudar, se declarar, deixar a vela acesa, ganhar amuletos, cantar pra 

São Francisco e pras Fulô, numa casa de rezos feita de barro. 

Terra, uma das gatas da casa acabou de deitar no meu colo, com o seu motor na barriga em ação e suas unhas afiadas. Aqui é lembrete o tempo todo de estar viva, radicalmente viva, como nos diz Krenak. O sol já se pôs e eu penso que o tempo é danado e vem me lembrar de fluir com a água, confiar no equilíbrio interno e cuidar do que importa. Não posso me demorar aqui, pois Laura já me convocou pra regar a horta e depois cuidarmos do altar. 

Lili numa mensagem me disse que aqui é Escola de Encantamento. Alcunha que achei justíssima e resolvi nomear este escrito. Na foto, o amuleto que Laura deu a cada uma na roda de rezo. Do outro lado há um espelho. Nesse plantas secas e a palavra “risco”. Essa palavra é o nome da minha peça teatral solo, cujo cuidado da produção foi realizado pela Laura. Risco pra me lembrar de me arriscar na vida e na arte e risco de riscar a palavra na pedra e o movimento na água. 

O mundo gira e isso é de uma beleza fascinante. Sou entusiasta do movimento e do crescimento que mora no moinho da existência. Vejo quantas Lauras surgiram, quantas Luísas, LiLis, Rosas, Anittas, Tatis… O eterno ciclo do viver-morrer-viver e de buscar realizar nesse mundo algo que faça sentido pra si e pra toda. 

Meu peito está em paz e eu danço aqui num pequeno sorriso, por me lembrar do encantamento, dos encontros e de retornar a um lugar físico e sensível, acolhedor e cheio de beleza. Acho que o grande verbo é lembrar. Quem somos, por que fazemos o que fazemos e com o quê precisamos nos conectar. 

Pensei que esse papo poderia soar distante, mas precisei tentar elaborar um pequeno testemunho sobre o amor e sua manifestação simples e ao mesmo tempo gigantesca. 

Por aqui, há o rito em torno da comida e Tati, no domingo, dia também do seu aniversário, trouxe uma lembrança fundamental: agradecer ao alimento que chega à mesa, a quem plantou, colheu, transportou, cozinhou e preparou. 

Emocionada agradeço à todas essas mulheres por essa experiência de peito aberto ao amor, à beleza e à brincadeira. “Em verdade nada terá valor se a coragem nos faltar.” me lembra um estandarte no banheiro, com as palavras do educador Rudolf Steiner. 

Já é noitinha, as velas já estão acesas e os pernilongos já deram notícia. Me despeço desejando que a nossa energia vital esteja sempre acesa e nos guie aos bons caminhos. 

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