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Expectativa histórica com o 7 de setembro

foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil 
Eduardo de Ávila

Na minha infância, estendendo pelos primeiros tempos da adolescência, a espera pelo desfile cívico da independência enchia nossos dias em Araxá. Naqueles distantes tempos – logo após o golpe de 1964 – ainda completamente ingênuos, acreditávamos que o comunismo era tão terrível que se comiam criancinhas vivas. Como pode, que coisa mais tenebrosa, adultos – naqueles primeiros tempos de televisão – cometerem tal desatino com informações sabidamente mentirosas.

E foi assim que a minha geração foi crescendo e – ainda que lentamente – percebendo que não era nada disso. Era e até hoje continua sendo uma informação distorcida, mentirosa mesmo, que em nada contribui para o equilíbrio das relações interpessoais e entre os povos. Ao contrário. Cria falsos mitos, que – fanática e freneticamente – são abraçados por inocentes e imbecis adultos, que nunca se ocuparam em ler, situar e entender as reais intenções dessa gente que prega esse temor e ódio no nosso meio.

Pois, me lembro de depois do primário no Grupo Escolar Delfim Moreira e já fazendo ginásio no Colégio Dom Bosco, enfeitar minha modesta bicicleta com as cores verde e amarela. Noutro ano escolar, tão logo a aula terminava – pontualmente as 11h30m, seguir para o ensaio da fanfarra até meio dia e meia para fazer bonito no dia 7 de setembro. Tocava um enorme tambor todo envolto em verde e amarelo.

E o tempo foi passando, as coisas clareando e o comunismo se dissipando do meu temor e até mesmo de onde adotavam o regime, restando o verde e amarelo para torcer pelo Brasil na Copa do Mundo. Comemorei o tri, o tetra e até mesmo o penta, confesso que hoje nem penso ou sonho com o hexa. No futebol, com uma bandalheira na CBF e TV do eixo, prefiro torcer só pelo meu time do coração.

Meu sentimento nacionalista, intocável, apesar dos arroubos daqueles que pensam diferente, segue incólume. A diferença é que essa gente surrupiou as cores nacionais, como se fossem proprietários de uma moral – falaciosa –, em detrimento dos que se opõem a situação e ao caos que o Brasil vem experimentando. Inflação, desconfiança internacional, desemprego e injustiça social. Vestir a camisa da seleção, nos dias atuais, virou mico duplo. Tanto pela selecinha quanto pela apropriação indébita dessa gente que – democraticamente – pede nas ruas a volta da ditadura militar.

Em meio a esse pandemônio, desde que se avizinhou essa data de hoje, os mesmos 15% que defendem – entre tantas aberrações, a implantação de uma ditadura – vem inundando nosso dia a dia com informações distorcidas com a intenção exclusiva de disseminar ainda mais o ódio, medo e terror. Jovens, na faixa de 40 anos, que não tem noção do que é viver num regime de exceção, pregando fechamento do Congresso, do STJ e aplaudindo esse insano que ainda ocupa o cargo de pR.

Dias atrás, em plena luz do dia e na região da Savassi, dois lunáticos comentavam – todos desse ridículo perfil se mostram bem informados – que nessa semana todas as instituições serão fechadas e a direita irá assumir os destinos da nação. A Federação das Indústrias de Minas Gerais, numa nota infeliz e questionável, alimenta essa intenção. Noutra nota, da Associação Comercial, assinada por capitalistas tão selvagens quanto os da Fiemg, contesta a anterior.

Ora, tudo isso, as duas notas e toda essa conversa (des)afinada tem a única e evidente intenção em aterrorizar as pessoas. Atentemos, portanto, ao que essa gente quer. Esse vídeo que divido, do Ciro Gomes – que já mereceu minha escolha em duas oportunidades de primeiro turno – traz uma importante reflexão. O que quer o eventual pR é disseminar o medo, talvez até com alguma estratégia estranha aos padrões republicanos, para culpar a resistência ao seu desgoverno.

Ficarei em casa, longe das aglomerações – seja pela questão sanitária e agora pela busca de paz – retomando minhas incursões pelas ruas da cidade depois dessa tentativa ameaçadora de golpe por parte de quem defende essa situação. O momento de rever o erro de 2018 será só em 2022, através da segura e confiável urna eletrônica. Fora isso, com a devida vênia, não passam de fanfarrões indecentes e despreparados para vida em comunidade.

Sigamos!

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2 thoughts to “Expectativa histórica com o 7 de setembro”

  1. Vejo as manifestações como nítidas campanhas eleitorais. Vivemos o caos, combustível, alimentos, energia elétrica, remédios, caríssimos, desemprego, desconfiança internacional, dentre outras mazelas. Qual a razão de uma manifestação pro governo? As manifestações apartidárias contra Dilma e cia se perderam? Foram usurpadas? O fim do fundo partidário, a reforma política, a reforma administrativa, a reforma tributária estão efetivamente na pauta de algum político, de algum partido?

  2. Vejo os que se declaram tolerantes como os que demonstram maior intolerancia. Ao invés de sair agredindo e debochando de todos os que pensam diferente porque vcs nao tentam compreender quais anseios levam este povo a agir desta forma? Estamos vivendo uma era perigosa, onde a ética dominante é maléfica e quer o fim do pensamento contraditório

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