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Hater

Hater – Foto: Pixabay
Tais Civitarese

Breno não tinha nada para fazer. Como de costume, resolveu entrar na internet. Naquele domingo à tarde, ele poderia ter arrumado sua cama e seu quarto. Poderia ter lavado os copos que estavam sobre a pia. Poderia também ter aguado o vaso da jibóia, que apesar de verde, padecia seca na prateleira da sala.

Porém, ele preferiu aconchegar-se no sofá e rolar o dedo pela tela de seu celular. Estava “de boas”, tranquilão. Primeiro, entrou no Instagram. Logo, incomodou-se com a foto de Sofia, sua prima, que posava fazendo cara de artista em um restaurante moderninho da cidade. Breno comentou em sua postagem: “Fazendo a chique, quem vê até pensa!”. A prima logo lhe enviou uma “Direct Message” pedindo: “Poxa, Breno, apaga o comentário. Assim você me atrapalha na carreira de influencer!” Breno devolveu emojis de sorriso e respondeu: “Qual é, prima, brincadeira. Estou te dando engajamento!”. E seguiu.

Algumas fotos depois, chegou à página do vereador em quem havia votado nas últimas eleições. Por estar muito insatisfeito com a gestão do mesmo, sem saber exatamente o por quê, deixou ali, apenas para não deixar passar, alguns palavrões abreviados seguidos da frase “não fez *** nenhuma!”.

Mais à frente, viu uma propaganda com Denise Morais, a atriz que mais despontava na tevê. Sentiu que precisava escrever: “Talento ela tem de sobra, mas beleza… “. Esse comentário recebeu uma resposta de uma fã de Denise, que o considerou agressivo. Ao que Breno respondeu: “Estou apenas exercendo minha liberdade de expressão! Vá se olhar no espelho!”. Dito isso, desistiu de permanecer no aplicativo. Estava muito chato o Instagram, cheio de “mimimi”.

Mudou para o Twitter. Ali, sua “liberdade de expressão” poderia ser exercida bem mais à vontade. Foi então que comentou “sutilmente” sobre o cabelo de uma moça que nunca vira na vida. Fez algumas piadas que considerou lúdicas sobre a sexualidade do cantor do momento e passou horas procurando um meme “engraçado” para zombar do sotaque de um youtuber.

Por fim, engatou uma discussão sociológica com um desconhecido, apesar de demorar um pouco na sua vez de responder, pois precisava procurar os argumentos no Google. E terminou a tarde fazendo comentários de praxe sobre os motivos do sucesso da cantora Larissa. Apenas para não perder o costume.

Apesar de querer largar a faculdade, estar desanimado no estágio e já ter tido várias recomendações de ir à psicóloga, Breno nunca chegou a marcar a consulta. Sua mãe disse que pagaria, mas ele achava uma bobagem. Era coisa para gente problemática. Economizava tempo, dinheiro e relaxava muito mais interagindo com a galera na rede, enquanto esperava a mãe preparar o jantar.

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