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Decreto põe fim à pandemia

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Eduardo de Ávila

Em meio a tanta flexibilização, a população – notadamente em Belo Horizonte – parece ter baixado um Decreto que colocou fim aos riscos de contaminação pelo coronavírus. O Decreto, no sistema jurídico do Brasil, são atos de competência dos chefes do Executivo (Federal, Estadual e Municipal) em casos de sua abrangência constitucional.

Digo isso, só para entrar no que realmente interessa. Parte da nossa população, assim entendendo, decretou o fim das recomendações sanitárias para conter o avanço da COVID e suas variantes. A Prefeitura de Belo Horizonte, através do Decreto 17.361/2020 e Portarias e anexos subsequentes, vêm (ou vinha?) regulamentando e recomendando ações eficazes no combate à doença.

Na semana passada, em dois eventos futebolísticos no Mineirão, ficou explícita a falta desses cuidados básicos de alguns indivíduos que arriscaram e ousaram em ver seus times jogando. A Prefeitura de Belo Horizonte, mediante estudos, liberou a presença de público para 30% da capacidade de cada estádio. Para quarta-feira, teve a presença dos 16 mil possíveis.

Ocorreu que, muitos além desse limite, foram para o entorno do estádio participar do retorno do torcedor nas arquibancadas. Além disso, de posse do teste de COVID, exigido para a entrada, um grande número de pessoas com resultado negativo abandonou todas as recomendações como máscara e distanciamento.

Ouvi quem dissesse, “meu teste mostra que não tenho o vírus”. Ora, se isso fosse resultado dessa pretendida imunização, não seria necessário manter todas as recomendações exigidas quando foi anunciada a flexibilização. Tampouco limitar a presença e ainda determinar o distanciamento. Foi uma total falta de consciência e empatia com terceiros, colocando em risco os cuidados que até então vinham sendo seguidos pela população.

Além dessa grave ameaça, depois de adentrar nas cadeiras, não se respeitou o distanciamento recomendado. E mais, teve torcedor que conseguiu atravessar – falha na segurança e gestão do Mineirão – do setor de onde adquiriu seu ingresso para se colocar no meio do campo. Buscando melhor visibilidade, porém – com isso – congestionou e comprometeu toda programação e distribuição setorizada daquela noite.

Túlio Santos/EM/D.A Press

Já na sexta-feira, dia de outra partida e de outro time, com um público muito menor, outros desarranjos ocorreram. Desta vez eu não estava presente, mas ouvi relatos que comprometem o funcionamento adequado e desejado. Falta de portaria para a entrada dos torcedores, obrigou-os a avançar pelo horário limite pré-estabelecido. E o pior deles, conferência do teste de COVID feita de maneira ineficiente e sem controle dessa entrada.

É apavorante. Saber que nos cercamos de todos os cuidados recomendados, mas vamos num evento que o usuário passa por cima das normas e exigências. Tanto sério isso quando a falta de fiscalização eficiente. Não sei se seria de responsabilidade dos clubes, da Prefeitura ou da Minas Arena. Fato é que tudo correu solto. Cabe ao torcedor, sim ao consumidor e que é quem mais corre riscos, comportar e agir adequadamente num ambiente que coloca em prova a saúde de terceiros e à sua própria.

Como se não bastasse, ainda no final de semana – com destaque para a sexta-feira – percorri algumas regiões com funcionamento de barzinhos. À distância, tenso e preocupado, concluí que parte da população – unilateralmente – decretou mesmo o fim da pandemia. Se houver uma nova onda, e, consequente necessidade de retrocesso nessa abertura, esses acontecimentos e muitos outros similares serão os responsáveis pela situação.

Para surpresa dos belo-horizontinos, no domingo, unilateralmente como foram as normas de abertura, a Prefeitura entendeu por determinar o cancelamento dessa liberação nos estádios. Ao que percebo, como os próximos jogos só serão daqui duas semanas, caberia sim chamar os organizadores e interessados para uma rodada de reuniões e debater ajustes à fiscalização. Que, se não foi eficiente e não está sendo como nos bares, feira hippie, Shopping OI, a administração pública municipal também tem sua culpabilidade e não apenas os clubes.

Cautela e prudência precisam andar juntas, buscando o interesse maior da população. Em que pese à competência do município para determinar as normas a serem adotadas, o anúncio feito no domingo foi açodado e precipitado. Outras motivações, fora do âmbito de interesses pessoais – que foram expostas e ainda não tiveram respostas – não deveriam determinar o anúncio feito. Vamos esperar pelo melhor desenrolar dessa situação, preservando o nosso direito de ir e vir, associado ao interesse e respeito com a saúde pública.

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