Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Devorador de livros

Tais Civitarese

O cachorro deu para comer meus livros. Isso me trouxe um profundo desgosto. Ai de mim se abandonar um exemplar sobre o sofá. É fato que em poucos minutos, será encontrado aos pedaços na garagem, recoberto por terra, irrecuperável.

Com o outro cão, eram os sapatos. Talvez isso indique algum tipo de evolução (canina ou minha?). Talvez isso simbolize algo.

Descobri esse pendor da pior maneira. Mal posso relembrar a cena. Após minutos de intensa procura, encontrei “A amiga genial” desfalecida, mutilada em múltiplas partes. Perecia tragicamente sobre a grama e estava plena de marcas de mastigação.

É verdade que eu não gostei muito da história.

Ainda assim, o exemplar não merecia isso.

Infelizmente, não parou por aí. Mais algum descuido e lá se ia a nova vítima.

Ele demonstrou apreço especial pelos autores franceses. Ingeriu sem dó “As pipas” do Romain Gary. Quase deglutiu “Os Miseráveis”. Só não o fez porque o calhau era tamanho, feito um tijolo, que não conseguiu carregar. Adivinhou que aquilo, no mínimo, lhe causaria dor na mandíbula e indigestão. Se ele devorasse meu Victor Hugo, nosso amor estaria acabado ali. Não encoste em VH! Isso seria um crime imperdoável.

Por vingança, voltei-me para os russos. Duvido que o ímpeto devorador seja o mesmo. Ali está a verdadeira intensidade das histórias tristes. Densidade que não é para qualquer estômago. Pensei que estaria em terreno mais seguro, com a cota de drama pré-calculada e suficiente.

Até agora, passamos ilesos.

Por via das dúvidas, esqueci o sofá e passei a ler na varanda, onde ele não entra.

One thought to “Devorador de livros”

  1. Poxa vida! Victor Hugo na boca de um cão é uma profanação. Sugiro deixá-lo mastigar os russos. Indigestão na certa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.