Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Modo amor

Modo amor – Foto: Pixabay
Daniela Mata Machado

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

(Lenine e Julieta Venegas)

O oposto do amor é o medo. A frase, que dá título a um vídeo postado pela youtuber Jout Jout Prazer – amo aquela garota!!! – na semana passada grudou em mim feito chiclete. Já faz quase dois anos que estou operando em frequência acima da média no “modo medo”. O inimigo invisível, que nos obriga a usar máscaras, tirou as crianças da escola e me afastou do consultório por mais de um ano, me trouxe à flor da pele emoções que anteriormente eram mais esparsas ou talvez tivessem cores menos intensas. As noites têm sido de mais pesadelos, os dias de mais apreensão e por vezes tenho sobressaltos quando o telefone toca. O “modo medo” nos coloca em alerta. E é bem exaustivo que ele seja constante.

O medo é contrário do amor. A frase de Jout Jout segue ecoando na minha mente repetitiva e confusa. Não é por medo que protegemos o outro do vírus, usando nossas máscaras? Não. Não é por medo. Por medo, defendemos a nós mesmos, quase sempre de um jeito bem atabalhoado e algumas vezes até agressivo. Por amor, colocamos máscaras e pensamos nos outros. Por medo, brigamos com as pessoas na rua, seja porque não usam máscaras, seja porque usam.

No último ano e meio, muitos dos meus medos afloraram de modo arrebatador. Os da infância, os da adolescência, os que saltam por meio das notícias dos jornais, os que eu conheço a origem e os que eu sequer intuía que existissem. Facilitei uma série de processamentos de medo, em reuniões online, e muitas vezes observei minhas próprias histórias de terror atravessarem os medos de quem participou dos encontros. Visitamos nossos porões e voltamos de lá com uma profusão de cobras, lagartos, aranhas e gritos na escuridão. Ao identificarmos as fontes, juntos respiramos aliviados.

O contrário do amor é o medo. A voz de Jout Jout segue ecoando nos meus pensamentos e não me dá sossego. Por medo, milhares de vezes tranquei todas as portas do meu coração e engoli a chave. Sim, eu fiz isso. Sim, ainda faço. Por amor, uso máscaras e higienizo as mãos constantemente com álcool gel. Por amor, me afasto do outro, mas ligo para perguntar como ele está. Quem tem medo não faz isso. O medo é contrário do amor. Ele nos paralisa e impede o amor. Quem tem medo grita, apavora o outro e não consegue amar. O “modo medo” está em ativação constante nestes tempos. Mas ando pensando que talvez haja uma maneira melhor de lidar com tudo isso. Quem sabe a gente não possa ativar o “modo amor”?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.