Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Uma brisa de esperança

Uma brisa de esperança – Foto: Imagem de Lucija Rasonja por Pixabay
Daniela Mata Machado

“Solidão é uma ilha com saudade de barco.”

Adriana Falcão

A gente chegou aqui sozinho e não vai morrer acompanhado. Mas é incrível como nesse intervalo chamado vida a gente sente falta de outras gentes, né? Quando nos mandaram fechar as portas de casa, em março do ano passado, foi feito um jogo de pique-cola. Três, dois, um: agora você fica onde está e com quem está. Teve gente que se divertiu no princípio e vem se cansando depois. Teve gente que achou péssimo, mas com o tempo foi se acostumando. E algumas pessoas foram invadidas por um tremendo sentimento de solidão. “Solidão é uma ilha com saudade de barco.” E o barco parece que não chega nunca…

Tem horas que o coração fica apertadinho, sentindo falta de quem mora longe – ou mora até perto, mas, por medo do vírus, nunca mais se aproximou – e de cujas risadas a gente tem uma saudade danada. Tem horas que os olhos ficam ressecados e vermelhos de tanto olhar para as telas do celular e do computador, onde os trabalhos, os encontros e até a escola e as festas foram morar. Mas tem momentos em que a gente só quer mesmo uma nesga de janela por onde se veja uma frestinha da cidade, do quintal do vizinho ou da esperança de dias melhores.

Foi num desses momentos, de desejar uma janelinha para um futuro mais afável, que o novo clipe da cantora Ana Couttinho me surpreendeu na manhã de ontem. Eu e minhas filhas, assim como alguns amigos muito queridos, havíamos feito participações nesse vídeo. Mas foi somente ontem, quando o clipe estreou no YouTube, que a música me tocou em cheio e me invadiu a alma com uma brisa suave e esperançosa, soprando pelo rosto de toda uma gente que não se vê há mais de ano e que segue, mais que nunca, “com saudade de barco”.

“Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue”, está lá no livro Mania de Explicação, da Adriana Falcão. Mas uma hora há de conseguir. A qualquer momento, a gente vai seguir a brisa e se juntar de novo. Tenho esperança de que o barco da vacina logo chegue a todos. E então a gente vai poder se reunir em roda para deixar que a brisa toque os nossos rostos, todos ao mesmo tempo.

Enquanto isso, vai lá no YouTube para conferir a nova canção da Ana Couttinho: https://www.youtube.com/watch?v=vpCpBTPEaTg. É pura poesia e, no mínimo, vai deixar o seu coração mais quentinho.

*
Curta: Facebook / Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.