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Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

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Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

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Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Melancolia das dificuldades vividas

Quino/Estado de Minas
Quino/Estado de Minas

Eduardo de Ávila

Seguindo neste roteiro em que não temos nenhuma possibilidade de interferir, nada sabemos sobre os próximos tempos. Sequer se estaremos vivos para testemunhar e mesmo participar do novo mundo que virá pela frente. Já narrei aqui nesse nosso espaço – com saudade – sobre minha gostosa infância e o bullying covarde sofrido na adolescência, amadurecimento precoce e opções que a vida ainda me proporciona até os dias de hoje. Mas nunca vivenciei tanta incerteza quanto ao futuro como vem ocorrendo desde que as trevas entraram no nosso cotidiano.

Vivemos numa sociedade hipócrita, onde alguns poucos egoístas tentam impor seu pensar e interesses em prejuízo da maioria sofrida da população. E gritam. Fatos da nossa vida real, sistematicamente, têm me transportado a acontecimentos daquela doce e inocente infância. Ditadura, corrupção, juiz de futebol – chamado de ladrão –, pestes, poucos ganhando muito e gente na miséria passando fome.

Quando eu era criança, um tal “bandido da cartucheira” aterrorizou toda a região do Triângulo e Alto Paranaíba. Ele já havia cometido crimes em Goiás e estaria em fuga no território mineiro ali pelo sertão da farinha podre. A extinta TV Itacolomi, através do Jornal Banco Minas, apresentado pelo Jaime Gomide, trazia – diariamente – informações sobre a caçada na região desse monstro que apavorava os mineiros. Nenhuma criança se atrevia a desobedecer e ficar na rua até mais tarde, ameaçadas pelos pais, que Ramiro Matildes poderia aparecer nas ruas de Araxá. Estávamos a mais de 400 quilômetros do local que ele horrorizava. Nos tempos atuais, seria esse Lázaro – que igualmente – por quase um mês, mobilizou as forças de segurança na sua caçada.

Meu time do coração, desde aqueles tempos, sempre foi prejudicado pela arbitragem. Outros torcedores, como eu, também reclamam do mesmo infortúnio. Neste caso, sem receio, digo que existem erros sim, mas também sopradores de apito mal intencionados. Essa afirmação divido até com meus rivais, que tiveram um campeonato brasileiro – nos anos 70 – tirado pela ação inescrupulosa da arbitragem. Depois, com o tempo, receberam a bonificação com correção e o saldo foi muito favorável. Tudo pelo preço, acordado, numa troca de benefícios. Títulos por fax e até regalias extracampo.

Na política, fruto da radicalização motivada por interesses do capitalismo, vivemos uma polarização entre dois extremos. Sem, ao que percebemos, chance de surgimento de uma terceira via – como foi Tancredo (de triste legado) – em meados dos anos 80. Se se opõe ao governo Bolsonaro, imediatamente seus seguidores te taxam de comunista. Fizeram isso até com Tite e Moro, como imaginar que preservariam a nós pobres mortais. Raciocínio raso e de quem nunca se ocupou em ler um mísero livrinho, se valendo das fakes que alimentam o ódio.

Por outro lado, alguns apoiadores do ex-presidente Lula, que aparece com mais força que nas duas eleições que venceu, também radicalizam as relações. Tenho comigo, num eventual embate entre esses dois lados, farei o que já fiz no passado. Voto LL e jamais me deixaria seduzir por um otário, tosco e imbecil miliciano. Despreparado e que envergonha ao Brasil e aos brasileiros. Preferia sim, uma terceira via que pacificasse as relações. Ele, Lula, até é capaz, mas parte da “companheirada” ainda insiste em causar constrangimento.

Reprodução Redes Sociais – Educadores MG

Como se não bastasse, vivemos a maior crise sanitária de nossa existência. Os estudiosos, médicos e cientistas, por mais avanços que já tenham conseguido, ainda debatem sobre o combate a pandemia. Incrível que entre esses pesquisadores da ciência, ainda existam profissionais que privilegiem a intenção do debate político em prejuízo da preservação de vidas.

Já passamos tem dias das 500 mil vítimas, e esses seres desumanos insistem em pregar um tratamento – comprovadamente – ineficaz para agradar ao chefe. Paralelo a tudo isso, a cada dia novas denúncias surgem da brincadeira e farra oficial no combate ao vírus. Vacina eficaz desdenhada e outras – sem serventia – sendo priorizadas numa ação que compromete o gabinete presidencial e seu entorno familiar.

Sou de um tempo que o bom combate era em torno de ideias. O preconceito, que era debatido por estudiosos de alto nível, agora têm à frente dessa ação pessoa preconceituosa. Assim como machista cuidando das políticas das mulheres. Analfabetos se revezando para cuidar da educação. Um Juiz tendencioso passou pela Justiça. Outro desafeto do meio ambiente, passando o trator naquela pasta. Na saúde, como noutras pastas, a troca de ministros nunca privilegiou a aptidão para o cargo e sim a defesa do discurso do chefe, um genocida que se diverte com as mortes.

Nem o bandido da cartucheira, Lázaro, maníacos do parque (SP) e de Contagem, pedreiro de Goiás, Jack o estripador (Inglaterra) e mesmo os assassinos em série (situação que reiteradamente ocorrei nos Estados Unidos), e muitos outros crimes pelo mundo afora, fazem frente a situação que estamos atravessando no Brasil.

Sinto saudades do Zé Gotinha, de presidentes que não gostava, mas que mereciam meu respeito. Dias atrás, um amigo antigo, me sugeriu respeitar os 57 milhões de votos que esse genocida teve em 2018. Respondi com uma pergunta. Assim como você respeitou os 54 milhões de votos da Dilma? A conversa encerrou com a última frase dele. “Aí era diferente”. Vale dizer, as pedaladas, que todos utilizaram e ainda ocorrem, para essa gente justifica. A morte de meio milhão de brasileiros vai na conta de “todo mundo um dia vai morrer”.

Queria reviver minha infância, ir para casa cedo com medo do Ramiro, sofrer com a covardia num colégio de omissos padres salesianos, até chegar aos anos de 2014. Dali pra frente, gostaria de selecionar amigos e fatos que a vida tem me oferecido. Não convivo mais com negacionistas.

Permito finalizar com uma frase do filósofo e cientista político brasileiro, Emir Sader. “O bolsonarismo é uma seita extremista que hospeda o pior do ser humano: o fanático religioso, o militar miliciano, o rico racista e violento e o pobre ignorante.”

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