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Entre a cruz e a espada

Entre a cruz e a espada – Foto: Greta Garbo em Queen Christina
Victória Farias

Todas as vezes que me encontro no difícil papel de encarar uma página em branco do word, me pergunto o que de tão extraordinário aconteceu e que outras pessoas precisam saber. Seja no trabalho, cobrindo um evento, seja para esse nosso encontro semanal. Quando digo extraordinário, me refiro ao sentido duplo da palavra: surpreendentemente bom, excepcionalmente ruim. Qualquer coisa além do ordinário que se pode esperar em um dia normal.

Procuro na memória situações que vivi, ou que algum personagem meu, inventado em meu cansado subconsciente, tenha vivido. Todas as vezes tenho lapsos de ideias extravagantes que no momento que começam, terminam. São engolidas pelo fim que só o termo “era uma vez” pode carregar. 

Procuro também inspiração em outros escritores, em filmes, no entretenimento televisionado – ao qual insistimos em chamar de jornal – e nas artes em geral.

Hoje mesmo quase escrevi sobre Greta Garbo. Um ícone – não sei quem disse isso – mas seja lá quem foi o locutor, não mentiu. Greta, assim como muitos, sofreu nas mãos de dedos finos e pontiagudos de Hollywood, que, como em um eterno castigo, a deixaram por reproduzir o mesmo papel em todos os filmes: aquela resignada a nunca ficar com o amor. De Novo. E de novo.

E não é qualquer amor, é o amor da vida. Que ela encontra em um hotel, ou como uma espiã disfarçada de dançarina durante a guerra, ou como rainha ou como plebeia. Quando ela entra em uma sala todos aqueles que têm olhos torcem o pescoço para encarar seu rosto perfeitamente desenhado contra o preto e branco dos filmes sem cor. 

Embora os longas ofereçam alguma excitação no início, o final sempre será em um enterro, ou na ideia de um, ou na necessidade de um. A câmera – inimiga mortal de Greta – se fecha em um frame perfeito do seu rosto e naquele momento estamos prontos para nos levantar e nos preparar para vê-la em outra película, sofrendo de dor.

Por isso decidi não falar sobre ela. Seria essa a minha escolha para o excepcionalmente ruim. Pelo lado bom, li em um jornal renomado que agora, como país pioneiro, temos casos de pessoas que recobram doenças superadas no passado, asma, principalmente, e a usam como vantagem para certos atos sanitários que em outros tempos seriam considerados ilícitos. Mas não faz mal! De todos os nossos vícios – como o de continuar revendo histórias trágicas de desamor – o de repetir “pois é, eu tinha bronquite na infância” não pode ser considerado o pior deles.

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