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Tempos de retrocesso e obscurantismo

Tempos de retrocesso e obscurantismo – Foto: Pixabay
Eduardo de Ávila

Tudo que estamos acompanhando, seja no noticiário nacional ou internacional, sugere uma reflexão sobre aquilo que estudamos nos tempos de ensino fundamental (primeiro grau/primário e ginásio) e médio (segundo grau/científico ou normal). Como diria meu saudoso amigo Luís Carlos d’Ávila Correa, falecido tem mais de 10 anos – não tínhamos parentesco, embora o Ávila – “nós vamos viver uma segunda Idade Média. Será uma coisa horrível”.

Não era premonição. Ele, Luís, como muitos amigos que a vida me brindou, era uma pessoa iluminada e à frente do seu tempo. Seu coração não resistiu e capitulou frente ao que percebia lá atrás, antes de tudo isso se desencadear. Essa crise civilizatória, com traços de barbárie daqueles tempos, é alimentada por pessoas que nos pareciam normais, mas que escondiam seu lado perverso de personalidade.

Do meu canto, cada dia mais venho me distanciando dessa gente. Orgulhosos, prepotentes, e em sua maioria os que chamo de PD – pobres de direita – individualistas e egoístas. Entre os quais, alguns poucos, sem onde me atacar, optaram por me taxar daqueles “istas” e “patas” que aprenderam nas fakenews das redes sociais. Comunista, Lulista, Dilmista, petista, socialista, esquerdopata e outros congêneres que “vomitam” sem pudor.

Sigo sem alimentar a discórdia na qual insistem, porém resguardando o meu quadrado. Já disse a boca miúda e até mesmo pública e explicitamente que não milito onde esse julgamento pretende me colocar. A propósito, meu ídolo na política nacional, desde os anos 70 e até enquanto viveu foi Itamar Franco. Um nacionalista íntegro, que – por algumas vezes – foi ofendido pelos “falsos moralistas” de sempre. Como agora, essa gente que destila ódio continua agindo.

sorbetto/Getty Images
sorbetto/Getty Images

Impressiona a mim e até mesmo quem não milita em nenhum dos dois extremos, como os “professores de Deus e julgadores da moralidade alheia”, se imaginam “iluminados”. Recebi de uma pessoa amiga a recomendação de parar de ler determinados jornais e assistir a telejornais de certas emissoras de TV e rádio, pois eram tendenciosas. Interessante, não leio e tampouco acompanho os mencionados veículos tem décadas, mas essas desatentas pessoinhas só agora descobriram que todo jornalismo tem sua linha editorial.

Quando lhes era interessante, esse tipo de gente usava dessas informações – distorcidas – para defender seu ponto de vista sobre os fatos. Quem mudou? Nem os veículos e nem eu. Só esses conhecidos, que desconhecíamos, pobres de poder político, econômico e de cultura. E, observem, estão ao nosso lado. Viveram e cresceram nas mesmas rodas que transitamos. Agora, talvez pelas recentes pesquisas, estejam com algum sentimento aflorado.

Vou repetir, mesmo não sendo Lulista e/ou petista, entre ele e esse energúmeno pR, minha opção será pela volta do companheiro de barba. Até porque, todos sabem, nada contra ele foi apurado. É comum, assim como no futebol, o adversário não falar nada sobre o seu lado e sempre atacar o nosso preferido. Sou Atleticano, me impressiona o quanto os não
Atleticanos falam do meu Galo. Da mesma forma, os seguidores do falso mito/messias, só falam do Lula. “A volta do ladrão”, atacam. Que ladrão? Fosse os 01, 02, 03 e agora esse “pegador do condomínio” – o 04 – filhos do Lula…

Lula, Bozo e o marreco me lembram personagens da minha infância. O primeiro, aquele garoto pobre e esforçado, que lutou e venceu na vida. Para desespero do segundo, que sempre foi o menino levado que jogava pedra em passarinho e arrumava confusão no recreio, – invejoso –, chamava seus comparsas para agredir o primeiro. Já o último, aquele almofadinha, que o papai ou a mamãe levava até à porta da escola e dava beijinho na criancinha.

Assim os três cresceram e um virou o presidente mais popular de toda a América, reconhecido no mundo. O moleque bom de briga agora acredita e aposta na impunidade. No seu mundo paralelo não permite perceber que o planeta todo virou as costas para o nosso país, por (ir)responsabilidade dele próprio. E o almofadinha, com aquela cabeça já não tanto erguida, segue procurando os holofotes que já se apagaram.

C’est la vie, caro falso burguês!

Em tempo: Ainda queria uma terceira via, que promovesse uma reunificação nacional, embora entenda que ao Lula devemos o reconhecimento de ter sido perseguido por um juiz parcial e seus comparsas procuradores amestrados. Porém, na falta dessa opção, caso fique entre os dois, sou Lula lá sim.

*
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4 thoughts to “Tempos de retrocesso e obscurantismo”

  1. Genial nobre Ávila. Não tinha conhecimento do seu posicionamento político. Fico feliz, e faço das suas as minhas palavras, concordo com tudo o que disse no texto. E sem uma terceira via, entre o companheiro e o sociopata, sem dúvida é Lula lá.

  2. Excelente postagem do Ávila. Um retrato do nosso tempo. Minha contribuição se resume a trazer as palavras de um grande estadista (figura rara nesses tempos em que qualquer pessoa, até presidente da república, usa linguagem de baixo calão). Ah…, antes,… seu texto me fez lembrar do valentão do colégio. Nos tempos do Colégio Santo Agostinho, o valentão da vez cismou comigo porque eu não ria das piadas dele (que não eram piadas, mas deboche alheio). Avisou que ia me pegar lá fora (se fosse político, provavelmente colocaria o exército na conversa). Tentei esquivar-me da situação ao término da aula, mas ele já estava me esperando com a sua corte de covardes e medíocres do lado de fora do colégio. O que ele não sabia é que eu praticava artes marciais. Sentindo-se forte pela coragem falsa do covarde, avançou em mim. Um único golpe em autodefesa adequado o levou ao chão atordoado. Correram todos. Não compartilho da violência e, além desse fato (se é que pode ser chamado de briga), nunca briguei na vida. O Porteiro do Colégio, figura histórica da época, cujo nome bíblico omito para não incomodá-lo, correu a mim e disse “como vc fez isso?”. No dia seguinte, 12 colegas me esperavam do lado de fora antes da aula. Criou-se uma irmandade do bem e nunca mais surgiu um valentão até formarmos. “Cão que ladra não morde”, o ditado se comprovou na escola. Agora sim, as frases de Franklin Roosevelt:

    “A única coisa a se temer é o medo. O medo atrai exatamente tudo o que não queremos! O medo é uma emoção muito forte e sua energia, ligada à imagem daquilo que se teme, cria todas as circunstâncias para que aconteça exatamente o que não desejamos.”

    “Um conservador é um homem com duas pernas perfeitamente boas que nunca aprendeu a caminhar.”

    “Um radical é um homem com os pés firmemente plantados no ar.”

    “É melhor as falhas ocasionais de um governo que vive em um espírito de caridade do que as constantes omissões de um governo congelado no gelo de sua própria indiferença.”

    Portanto, se quisermos construir o país que queremos, um lugar feliz e não um lugar carregado de energias negativas, temos que adotar dois princípios de vida:

    – Evitar votar com raiva.
    – Evitar deixar-se levar por candidatos excêntricos.

    Eles não são geniais, nem portadores de uma sapiência inata que se justifica pelo comportamento incomum. São assim porque não reagem bem às pressões naturais da vida, são deficitários, antissociais. O lugar de cientistas loucos, magos ou tipos exóticos que salvam a tudo e a todos de catástrofes é em Hollywood, não na vida real. Roosevelt deixou isso claro.

  3. Ainda não havia lido este seu texto, bravo escriba. Pra meu azar. Atitude rara a sua, nestes tempos inquisitoriais em que testas são marcadas a ferro quente com letras maiúsculas – E (esquerda) ou D (direita) – sempre que temos a “audácia” de nos posicionarmos, seja em forma de crítica ou elogio, com relação às circunstâncias.

    Tinha razão o Luís Carlos, parece mesmo que vivemos num lugar qualquer da Europa medieval, uma espécie de Teocracia Militar do Cercadinho, um Estado Democrático de Direito Absolutista, com seu rei taumaturgo, bobos da corte, cavaleiros templários, conselheiros alquimistas e sacerdotes vendilhões, todos vivendo às custas da plebe iletrada – que, por sua vez, tem orgulho de sua condição servil e pagadora de talha, corveia e banalidades… Pátria amada Brasil! Glória a Deux!

    Seu texto é extremamente lúcido e corajoso. Entretanto, eu também preciso me posicionar: não compartilho com sua esperança nas pessoas e instituições – brasileiras, especialmente. E explico: assim como os servos feudais, os assalariados capitalistas, de uma maneira geral, não tem o controle sobre suas próprias vidas. Estão ambos sob a tutela do Leviatã, esse Estado-Soberano feito de discurso, à imagem do povo – mas com o DNA dos seus criadores e uma finalidade velada: legitimar e reproduzir o status quo, seja qual for. E, a quem achar que devaneio, sugiro uma imersão social, indo além do seu próprio cercadinho, para observar in loco como vive o cidadão-eleitor-livre, o servo gourmetizado.

    Está claro que esse abstract da minha visão política não é original. Partindo dele, é possível inferir que sou hobbesiano, marxista ou que sampleei a alegoria da caverna do Platão. Haverá quem diga até que sou comunista. Cest la vie, como você disse.

    A despeito de minhas opiniões políticas e dos juízos estéticos (sou kantiano também?!) acerca delas, eu acredito que uma mudança seria possível, realizável – desde que concilie razão e fé, uma amálgama sentimental capaz até de operar milagres. Dito de outra forma: atleticanidade. Fé cega, faca amolada. Pena é que esse patrimônio imaterial da humanidade está sucumbindo, se perdendo num mundo cada vez mais moralmente difuso, o que me faz também perder minha esperança de que dias melhores virão. Atleticano é um humano em extinção.

    Enquanto ainda existirmos, enquanto houver espaços como este, discussões como esta colocada por você, nobre Edu (se me permite a liberdade dos tempos do Galoforte), que celebremos A Massa, que declaremos que Reinaldo é nosso Rei e que os fascistas palestrinos tremem. Galo acima de tudo e de todos.

    Saudaçoes alvinegras.

    1. Caro Nivaldo, que alegria te reencontrar por aqui, precisamos voltar na nossa Arena em construção. Aquilo nos faz esquecer, ainda que por alguns instantes, de todo esse mal que estamos vivendo. Apreciei e vou reler seu comentário por algumas vezes. Até a próxima!

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