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Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

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Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

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Presentes que me dou: Os Gatos (6)

Presentes que me dou: Os Gatos (6) – Foto: Pixabay
Rosangela Maluf

Eles são três: duas meninas lindas, louras, elegantes, calmas e carinhosas! Uma é a Kekel (Rachel), a outra é Rutão (Ruth). Além das duas tenho um tigrinho, o Shime – que significa gato, em tibetano. Incrivelmente sapeca, levado, bagunceiro, briguento, mas carinhoso também. Eles são muito companheiros e, em tempos de “tempo de sobra” me ajudam a ocupar os espaços vazios. Me divertem e às vezes me irritam quando começam a correr feito malucos ou a brigar sem parar.

Logo pela manhã, pulam na minha cama. Invariavelmente, Rutão se coloca aos pés, do lado direito do colchão. Kekel vem logo em seguida, do mesmo lado, um pouco mais acima. O lado esquerdo fica todo para o machinho marrento. Ele se enrosca no meio, não deixando espaço pra mais ninguém. Nesta hora, durmo o soninho que mais gosto. E assim, normalmente, vamos os quatro até as 9h00, 9h30. 

Levanto e os três me acompanham até o banheiro. Quem tem ou já teve gato sabe que nessas horas jamais ficamos sós… eles permanecem o tempo todo em que estamos lá! Saio, e vou repor a ração. Encher os potinhos de água e limpar as caixinhas de areia – cada um tem a sua. Enquanto tomam o café da manhã, preparo minha vitamina. Às vezes coloco um pouco de leite num pires, mas só o Shime gosta… as outras duas cheiram e se vão. Entro no banho sob o olhar vigilante dos três.

Arrumo a minha cama; está tudo preparado para o outro soninho deles. Vou fazer minhas coisas. Abro o computador. Respondo e-mails, vejo a agenda de contas a pagar. Abro o whats e dependendo do interesse respondo mensagens. No youtube abro uma música calma, respiro fundo e vou ver o facebook – o que me toma mais tempo. O Messenger desativei, era muito chato!

No face posto todos os dias um poema no “Bom dia com poesia”. Se terminei um livro e gostei muito, faço uma pequena resenha e recomendo a leitura. Se vi um filme ou uma série que mereceu minha atenção, recomendo também, já indicando as pessoas amigas que possuem afinidade com o meu gosto. Cito nomes e tenho sempre do lado a listinha das pessoas mais próximas. Vejo as mensagens recebidas, leio algumas, mas a grande maioria apenas curto. Quando se trata de um texto interessante, respondo. Finalmente, dou uma passada rápida pelo Instagram – ainda não é algo que me agrada muito… mas vou até lá.

Hora de fazer um cafezinho. Quando vejo, tenho companhia também na cozinha. Duas vezes por semana é dia de comer o patê, aquele do envelope. Cada um recebe uma colher de sopa em seu pratinho. Não misturo com a ração. É uma refeição especial e eles já sabem. Limpam os pratos. Lambem os beiços e vão dormir de novo.

Nesta hora já tem um início de sol batendo em minha cama, ou melhor, no dormitório deles. Por várias vezes, fotografei o horário de banho dos bichanos. Cuidadosamente, e Kekel é a mais dedicada, eles se lavam com a própria língua, sempre muito áspera, como se fosse uma bucha vegetal, daquelas usadas por nós. Lavam as carinhas. Cortam as unhas com os dentes afiados. Lambem o pelo e o excesso sai, naturalmente no cocô. Pode-se também dar uma pasta, compradas nas farmácias que ajudam a eliminar o pelo em demasia.

Preciso ficar atenta… ao molhar os vasos de plantas e flores pode ser que eles se lembrem de comer um verdinho. Já peguei por diversas vezes pedacinhos de folhas no chão e em cima dos móveis, depois de constatar minhas folhagens faltando pedaços.

Quando preciso sair, os três me acompanham até a porta. Só faltam pedir pra ir junto! Faço supermercado, compro o que estiver faltando, e quando volto o meu miniexército encontra-se deitado no tapete da sala, todos três à minha espera. Depois me acompanham até os armários para que eu guarde as compras. Trançam pelas minhas pernas, preciso ralhar com eles.

Ajeito minha cadeira de leitura. Coloco as almofadas. Pego os óculos. A canetinha hidrocor. O livro. Estou no meu quarto e quando olho, lá estão os três… cada um se enrosca à sua maneira e dormem novamente. É o que mais fazem ao longo do dia. Se esparramam e dormem. Se enroscam e dormem. Comem, e dormem.

Por isto não entendo quem diz que dão trabalham. Claro, quem adota um animalzinho sabe que terá de cuidar, alimentar, limpar, ter paciência com ele (ou com eles). Mas é uma delícia tê-los por perto. São calmos, serenos, ótimas companhias. A energia dos gatos é totalmente diferente daquela dos cães. Já tive os dois e são mesmo distintos em tudo. O silêncio dos felinos me agrada muito, ainda que sinta falta do amor explícito dos cães. 

Agora, bom mesmo é conversar com eles.

Sim, Kekel conversa. Reclama quando vou sair. Percebe que estou trocando de roupa, me arrumando no banheiro. Mia. Eu respondo. Explico que vou sim. Mia de novo. – Não vou demorar, eu digo. Ela passa e repassa pelas minhas pernas. Mia. – Vem cá, falo com ela. Faço um carinho. Converso baixinho. Mia. Coloca a patinha no meu rosto. Mia. Por pouco eu não mudo de ideia e fico em casa…

Miau.

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A série “Presentes que me dou” contém dez crônicas, todas elas vivenciadas em tempos de pandemia. Todas as situações rotineiras adquiriram novo significado em tempos de total isolamento social. Daí esta série, publicada aos domingos pelo Blog Mirante, do jornal Estado de Minas. Escritas por mim, as crônicas são um convite à leitura da nossa realidade, pós/durante a COVID!

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