Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

A voz mais solene

A voz mais solene - Fonte:  Arquivo pessoal
A voz mais solene – Fonte: Arquivo pessoal
Daniela Piroli Cabral
contato@danielapiroli.com.br

O silêncio tem muito a dizer. As palavras querem ecoar a sua verdade livremente.

A voz foi observação, discrição, introspecção. Potência por vezes silenciada, por vezes silenciosa; mais revela do que esconde.

A voz é outra pessoa. E dispensa solenidades.

A voz já foi tímida, presa, abafada. Já disse o que não queria dizer, já escondeu os desejos mais profundos do corpo e do coração. A voz já foi música, diferença e identidade. A é voz ancestral e imaterial, que se faz presença na concretude do som e dos encontros.

A voz foi sensorial, intrusiva, imposição. A voz da loucura,  ilusão. A voz real e suas reverberações. Dispensa as normas do prescrito.

A voz já foi aguda, vulcão prestes a entrar em erupção.

Agora a voz remove barreiras, atravessa mundos. A voz está atenta aos sinais dos cosmos e às brechas do universo. Agora a voz é autêntica, transparente, fluida.

A voz sabe de si e de suas necessidades. Está conectada com a natureza, conectada com a sua própria natureza.

A voz se desloca, muda de perspectiva nas dimensões do universo e nas paisagens do corpo. Ela existe no real e na imagem, evidenciando as urgências do discurso.

A voz seca revela os desequilíbrios necessários para a construção da própria cura. O corpo precisa adoecer para sarar. A voz precisa ser escutada e entrar em ressonância. A voz cura.

A voz faminta e sedenta duvida do óbvio e atravessa os caramujos. Sente o vento de outras vozes tocando as superfícies e penetrando em si. Sente o calorzinho frio dos primeiros raios de sol na pele.

Os ciclos se fecham, graças ao constante e misterioso movimento de abrir e fechar. Vibrações de circular energia. Na última lua, o ciclo se fechou. Ficaram para trás o medo, o silêncio e a imaturidade.

Sou grata por terem sido parte de mim. Eles me colocaram no meio. Agora, a voz, transformada e transformadora, pode ver com clareza o caminho. Pode ser a clareza do caminho. Pode cantar e dançar distraída no centro e nas bordas da vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.