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Bola fora

Youtube/Reprodução
Guilherme Scarpellini
scarpellini.gui@gmail.com

Sempre fui uma pessoa lúgubre. Não que seja depressão, porque isso é coisa séria. O que ocorre é que, desde criança, a tristeza me desperta algum fascínio. Foi assim na Copa de 1994. Quando o Roberto Baggio chutou a bola por cima do gol, vi o massagista da Seleção dar cambalhota no gramado e o Taffarel cair de joelhos, levantando as mãos para o céu. Éramos tetracampeões, e os jogadores explodiam em felicidade. Mas o que me marcou mesmo foram os gestos do craque italiano, que, desolado ao perder o pênalti, pôs as mãos na cintura e deixou o queixo tombar contra o peito — quando deve ter derramado uma lágrima. A cena, de uma carga dramática enorme, me encanta até hoje. (Crianças: ver no YouTube).

Assim como me encantam também os filmes sem finais felizes, os livros de poesia e as canções de Radiohead em dias de chuva, regadas a uma garrafa de vinho. Nessas horas, chego a concordar com o poeta: “pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza”. E pra fazer rock n’ roll, que é minha praia, uma mão cheia. Sem a influência do blues, o rock não seria a mesma lamúria. Talvez por isso, em minha humilde opinião, que não é a certa, embora seja mais a correta, os Rolling Stones são melhores que os Beatles, porque são mais tristes. Um pouco mais de lágrimas sobre os meninos de Liverpool e, aí, sim, teríamos roqueiros de verdade.

Ou então, um pouco mais de melancolia no cinema americano e teríamos o cinema europeu — Lars Von Trier, aliás, tem um filme com esse título: “Melancolia” (2011). Hoje, são os filmes europeus que salvam o catálogo da Netflix. Recentemente, assisti a “Voces” (2020) e “El Practicante” (2020), ambos espanhóis, e de uma amargura de dar nó nas vísceras. Por outro lado, a grande estreia do cinema americano na plataforma foi “A Festa de Formatura” (2020), sobre a qual faço minhas as palavras de Glória Pires no Oscar: não sou capaz de opinar.

Mas calma lá: nem por me encantar pelo piano de Chopin ou por ficar bem-humorado em dias nublados, eu deva merecer 2020. O ano é sombrio até para os meus padrões. Entramos em dezembro, e parece que acabei de perder um pênalti na final da Copa do Mundo. Sinto a dor e a tristeza de Roberto Baggio — com um agravante: é ano de pandemia.

One thought to “Bola fora”

  1. Olha cuidado hein! Não vá dar ideia errada pq tem sempre os babacas que romantizam esse tipo de situação e para promoverem um circo de horrores midiático, irão indicar-lhe o governo cloroquina e remédio pra piolho. Sex Pistols manda um tauquei!( Contém ironia)

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