Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Verde Neon

Flores ainda vivas (1614) Pintor: Ambrosius Bosschaert
Flores ainda vivas (1614) Pintor: Ambrosius Bosschaert
Victória Farias

As árvores remanescentes de Belo Horizonte, neste girar anual do sol, se produziram a altura de queens, e, como tal, acabaram por performar como quem performa para uma plateia embriagada, ensaiando monólogos sobre a vida para aqueles que procuram gotas perdidas nas bordas em ondas dos copos lagoinha.

As flores, proclamando suas frases decoradas em azul, violeta e amarelo, não receberam aplausos, muito menos posaram em enquadramentos pixelados para lentes de câmeras com resolução ruim.

Suas pétalas, ao invés de se prenderem aos para-brisas dos carros ou serem recolhidas por crianças, foram direto ao encontro do chão, e, sem o terceiro cavalheiro para lhe estender a mão, permaneceram ali, sem direito a serem temas de canções de ninar.

Não ouviram os suspiros distraídos de motociclistas que levantam o olhar do seu “endereço de entrega” só para provar, mais uma vez – e para si mesmo – que ainda há humanidade nisso tudo. Tal qual uma performista se transveste de pele no dia seguinte, elas se despedem em silêncio. O espetáculo de sons, que contou com a participação especial de um vento gélido ao final da tarde, não conseguiu levantar fundos nem para pagar seus próprios artistas.

Na vaidade dos corpos nus em cores tingidas, os troncos – ainda – se contorcem no estreito espaço de terra destinado a eles – um presente especial da bondade do ego – na Avenida Brasil. Imparciais ao show de horrores encenado por bonequinhos de dois braços e pernas, eles se impõem como um discurso de liberdade e vingança se sustenta em 140 caracteres.

A primavera acabou, e como um romance de rostos no escuro, não deixou rastros. Na cabeça dos amantes, os toques foram fantasiados, os sussurros um mero deleite do compromisso. Se houve declarações de amor, ninguém se lembrará delas. Na rua, passarão um pelo outro, e, como completos estranhos, esperarão uma nova rotação para se realinhar.

*

Curta: Facebook / Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.