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Outra Vida em Cumuruxatiba: “onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa”

Outra Vida em Cumuruxatiba: “onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa” - Arquivo Pessoal
Outra Vida em Cumuruxatiba: “onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa” – Arquivo Pessoal
Sandra Belchiolina
sandra@arteyvida.com.br

Para uma mineira moradora de uma cidade em que o mar é de montanha, vivo num universo paralelo há doze dias. Digo vivo, porque mantenho minhas atividades de trabalho na clínica psicanalítica e com o turismo de forma on-line. Estou em Cumuruxatiba, sul da Bahia, à beira mar. A vila de pescadores nos últimos anos se desenvolveu e cresceu no sentido de receber turista. Atualmente com várias pousadas e restaurantes. Vivendo uma nova experiência, pois sempre fui à praia para lazer e veraneio. Aqui o meu dia-a-dia tem esse elemento que abre os horizontes – o mar. 

Cumuru, como é carinhosamente chamada por aqui, tem o sol nascendo às 04h20, hoje capturei uma foto desse momento. Durante a noite, deixo a janela aberta para sentir a brisa do mar e acordar bem cedo. Quando o dia é bom para pesca, os motores dos barcos são escutados ao amanhecer. Hoje, como o vento soprava em terra, me explicaram que o mar fica mais bravo e resolveram não sair. Uma moradora local contou-me que no ano passado um barco virou próximo daqui, o que levou a um final triste. Segundo ela: “com o mar não se brinca, esse vento sul é perigoso lá”. 

Quando desci para minha caminhada na praia, passei por muitos deles. Estavam proseando avistando o mar. Há muitos barcos por aqui, pois é uma reserva extrativista. Isso significa que somente pesca manual pode ser feita. A pesca do camarão foi liberada recentemente e o compro na peixaria com facilidade e valores bem inferiores aos dos grandes centros. Aprendi a fazer ceviche de pescado branco, amo! As frutas como mamão e bananas locais são especiais e com um doce diferenciado.

Com esse despertar de madrugada, às 19h00 já está tarde por aqui. Minha colega de pousada brinca que está indo dormir e o marido, que está em São Paulo, ainda está no trânsito indo para casa.

A vida na vila em pré-temporada é muito interessante: praias com poucas pessoas e várias desertas. Na maioria das casas, restaurantes e lojas, há o movimento de revitalização. São pintores, pedreiros, jardineiros em muitos cantos dando seus tratos nos equipamentos. Cumuru se prepara para receber o turista com novos ares. 

Cumuruxatiba
Outra Vida em Cumuruxatiba: “onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa” – Arquivo Pessoal

Uma amiga arrendou uma barraca de praia (chamam assim); fui procurá-la imaginando ser um quadradinho erguido próximo do mar. O que vi? Um restaurante e uma vasta área com mesas e cadeiras que estão presentes também na areia e debaixo das amendoeiras. Essas que desejo que se tornem um patrimônio de Cumuruxatiba. E quero mais para ela: que mantenha sua originalidade e não perca seu charme de vila de pescador. Aí está sua galinha dos ovos de ouro. Muitas cidades vizinhas já estão descaracterizadas. 

Como ex-professora em cursos de turismo, mantenho para mim a pergunta que fazia aos meus alunos: por que um turista vai deslocar de um lugar para outro, de um perto para um longe, se tudo está ficando igual? Qual a oferta do lugar, de seu povo e sua originalidade? Que experiência os “novos” turistas demandam? Para lugares especiais há de se prestar mais atenção no planejamento turístico. O turista não pode tudo. 

Já vi turista solicitando lixeiras em áreas naturais de parques, como se isso fosse evolução; luzes onde isso significaria destruição do meio ambiente; ruas e estradas asfaltadas, uma série de aberrações com uma lógica de conforto e bem estar de áreas urbanas. O turista é passageiro e, como tal, somente parte do ano esse habita a localidade visitada e muitas vezes não volta. 

Outra preocupação no planejamento turístico é com a comunidade local e que essa não perca sua identidade. Seu habitat deve ser respeitado na evolução de destino turístico. Todo cuidado é pouco nesse processo. Nada vale a pena se trouxer destruição da singularidade regional.

Quanto a mim, presenteei-me com quarenta dias a beira-mar nesse momento em que o mundo virou de ponta à cabeça. Uma quarentena criativa e prazerosa com um novo olhar para o horizonte e sentindo a brisa do mar.

Desejo para Cumuru que a temporada chegue com turistas conscientes, pois a população local merece.

E esses que vierem, venham na paz!

Qual o lema de Cumuruxatiba: “onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa”.

*

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9 thoughts to “Outra Vida em Cumuruxatiba: “onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa””

  1. O único problema de Curumuxatiba é que o mar avançou, destrói as construções, estradas e encostas. A cidade é linda mas não tem mais praia, não vale à pena.

    1. Acredito que esteja falando de outro lugar, Rodrigo Antunes. O mar avança sim, como em todos os lugares, mas a praia continua calma, limpa e belíssima. Temos um recife de corais que ajudam no controle das marés.

  2. Em Janeiro/2017, tive o prazer de passar alguns dias em Cumuru, juntamente com minha família. Local maravilhoso, com pessoas educadas e hospitaleiras… Ao irem para estas “bandas”, não deixem de visitar a Barra do Cahy. Espero voltar em breve.

  3. Estivemos em cumuruxatiba neste final de outubro 2020, infelizmente pegamos um período chuvoso, mas mesmo assim o lugar não perdeu o charme e a beleza das praias e da vila. O pessoal é bastante gente boa. A comida sensacional. Comi uma muqueca maravilhosa no sambura do Zé e próximo ao peixim tem um restaurante de comida mineira espetacular (dona Rosane). Com certeza voltarei

  4. Em 2o18 eu tive esse grande prazer de passar 8 dias em Cumuruxatiba, lugar maravilhoso,um paraíso. Só fica a saudade do lugar e das pessoas que conquistamos amizade.

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