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O vento alegre que me trouxe de volta

Arquivo Pessoal

Eduardo de Ávila

Meu domingo foi muito especial, mesmo sem ter visto rua. Moro sozinho num apartamento de fundo, condição que me inibiu – condenou mesmo – em boa parte desse isolamento a conviver com toda essa limitação. Tem algum tempo que já venho me aventurando no trabalho e num dos meus programas preferidos: cafeterias. Sinto ainda muita falta das salas de cinema, arquibancada de estádio e plena liberdade de ir e vir.

Durante a última semana, envolvido com as flexibilizações oficiais e aliado à minha atenção aos cuidados que julgo necessários, venho montando meu planejamento de volta a tudo aquilo que me dá prazer. Sinto falta das boas resenhas sobre assuntos diversos, desde política e economia; dois temas complexos que não domino, porém tenho interesse.

Sobre futebol – claro – também não entendo de técnica e tática, mas amo o meu time do coração e outras prosas de interesse com amigos selecionados. Em nenhum deles me coloco como dono da verdade – quer dizer – quando se fala de Galo estou sujeito à radicalização. Ainda assim, mantenho meu respeito aos diferentes.

Mas, o que me cativou nesse post de hoje foi uma constatação recente; cheguei até mesmo a manifestar com algumas pessoas que esse confinamento – aliado ao calor insuportável de tempos recentes – vinha me causando um constrangimento pessoal. Sentia algo que nunca tinha detectado antes em minha vida. Preguiça! Isso mesmo, muita preguiça. Desde levantar até buscar reação para cumprir minhas obrigações pessoais e profissionais.

Pois que, exatamente no domingo, passando mais um dia isolado parcialmente do mundo – as redes sociais felizmente não permitem o fechamento total – no meio da tarde sinto algo que estava caindo no esquecimento. Um vento alegre, como disse no título, invadiu meu quarto. Minha filha havia me dito minutos antes que onde ela mora aconteceram alguns pingos de chuva.

Arquivo Pessoal

Fato é que corri para a janela e pude sentir uma transformação na energia estática com que vinha convivendo nesse tempo de pandemia. Vi galhos de árvores se movimentando, folhas secas caindo dessas plantas (no alto da página, foto do fundo de onde moro), logo depois de refrescar o corpo, coração e a alma, caíram alguns pingos dessa chuva que ela havia anunciado. Abri todas as janelas; o vento derrubou papéis que há tempos descansavam sobre a mesa, ainda jogou ao chão porta-retratos; provocou um alvoroço que até as cortinas entraram na dança. Ria e me divertia. Os papéis e porta retrato catei um a um. As cortinas me sugeriram entrar nesse embalo.

Foi o suficiente para, como num passe de mágica, ser tomado por um sentimento de que vamos reagir e viver novos e bons momentos. Enquanto da janela apreciava essa mudança radical no tempo e temperatura, me veio a letra de Jobim na interpretação de Elis Regina. Estrada do Sol. “Ao vento alegre que me traz essa canção”. Sem camisa, coloquei metade do corpo pra fora da janela e deixei essa chuvinha cair na minha cabeça. Sem boina e assumidamente careca. Água fria e gostosa. Foi mágico. Meu final de domingo se transformou e a segunda-feira sorriu pra mim e para o mundo. Novos tempos!

Em meu balanço de reconquistas, faltam poucas coisas. Clube, shopping, academia, trabalho, barbearia (Freitas na Savassi, recomendo, tanto pelo trabalho dos três -Rangel, Rodrigo e Leonardo – quanto pela boa prosa), ver gente na rua (ainda que com a cara tampada), enfim, apreciar essas coisas simples que nos fazem felizes. Isso já tá liberado. Faltam, como sempre reclamo, cinema e público nos jogos. Ambos estão nas mãos dos gestores públicos.

Soube que, no caso do futebol, pensa-se em liberar a partir da primeira rodada do returno do Brasileiro. Vale dizer, terei um presente de aniversário. No final de semana programado pela tabela, 8 de novembro, estarei completando 63 anos de idade. Tomara! Se for antes, aceito presente antecipado, só não curto depois da data. Esse ventinho e as gotas de chuva no domingo, ainda que de curta duração, foram suficientes para me devolver ao mundo. Obrigado!

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4 thoughts to “O vento alegre que me trouxe de volta”

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