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Morfeu não tira férias

Morfeu, Jean-Bernard Restout (1732–1797), óleo sobre tela
Morfeu, Jean-Bernard Restout (1732–1797), óleo sobre tela
Victória Farias

Embora pareça que ele tenha nos deixado a mercê de Hades, com seus ataques de fúria que acontecem de 15 em 15 minutos – é impressionante; toda vez que atualizo meu feed de notícias do Facebook, ou alguém morreu, ou algum lugar está pegando fogo, ou algum deputado da Califórnia levou um tiro – não, Morfeu não tira férias. Ele só não vai muito com a minha cara; pelo menos não tem ido nos últimos meses.

Com essa nossa falta de descanso exagerada, temos a impressão de que não existe mais informação nova – nem quem diga como ela possa ser compartilhada. Logo no início do jornalismo como profissão – quando uma coisa acontecia de manhã, outra acontecia de tarde, outra de noite e nada se passava de madrugada – bem na hora que Morfeu tirava todo mundo para dançar – cunhou-se o conceito de agenda setting, que nada mais é do que “um tipo de efeito social da mídia que compreende a seleção, disposição e incidência de notícias sobre os temas que o público falará e discutirá.”

Colocando em termos, os jornais tinha mais ou menos o “poder” de pautar sobre o que seria discutido com mais ênfase nos bondes cheios de pernas. Havia uma linha de raciocínio para a coisa toda. Agora, uma discussão sobre uma notícia acontece mais ou menos assim: “você viu o que aconteceu na Califórnia?” “Vi, que horror! Quanta coisa pegando fogo.” “Fogo, que fogo?” “Ah, não tá pegando fogo?” “Não sei.” “Então, o que está acontecendo lá?” “Dois deputados levaram um tiro na cabeça.” “Mentira, quando?” “Há três minutos.” “Meu Deus, que horror. Isso a Globo não mostra.”

(Você deveria ver minha cara agora, caro leitor). O jornalista, além de ser onipresente, tem que ser onipotente e onisciente. Daqui a pouco, quando formos montar nosso currículo, coisas como: “fiz cosplay de Deus no último carnaval”, terá que entrar como habilidades”.

Morfeu pode até não tirar férias, mas eu preciso muito de umas. Mas, agora não. Daqui a pouco trocaremos as notícias mirabolantes por musiquinhas que viciam e slogans engraçados. Mas, no final das contas, mesmo cantarolado repetidamente a mesma música de um cara lá de Pernambuco, eu só queria ser chamada para dançar as duas da manhã de um domingo.

Mas, falando em valores – o que agrada a Gregos e Romanos – alguém sabe quanto um deus cobra por hora extra? Espero que seja mais barato do que o preço do achocolatado. Não durmo sem meu leite com nescau a noite – embora experimente uma leve alergia com gosto de adoçante às vezes. Não se pode ter tudo, mas, aparentemente, se pode ter nada.

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Referência
  • A Hipótese do Agenda Setting: Estudos e Perspectivas – http://www.razonypalabra.org.mx/anteriores/n35/jbrum.html
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