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Lembranças que não se apagam

Eduardo de Ávila

Semana anterior fiz uma divagação sobre as reflexões desse isolamento que me convenceram que continuo vivendo a adolescência. Resistência ampla, geral e irrestrita! O envelhecimento do corpo é inevitável, por mais cuidado que se ofereça a ele, com caminhadas e exercícios de toda ordem; mas o da cabeça pode ser adiado.

Relembrar o quanto de boas vivências tivemos é essencial para esse propósito. Dias depois, aqui no blog, a Daniela trouxe as lembranças da “Tia Marina”. No nosso grupinho, imediatamente, Rosangela prometeu nos brindar com as memórias da “tia Ruth”. Vamos aguardar! Daí essa prosinha interna me levou à infância e dezenas de tias que tive. Algumas delas estão firmes e resistentes.

As casas das avós sempre foram o esteio desses encontros, aliados às férias na fazenda. Quantas doces imagens vêm às nossas cabeças ao recordar daquela infância sadia e sem brinquedos eletrônicos, redes sociais e outros. Quando muito, um carrinho à pilha.

Na família da minha mãe foram 17 irmãos, sendo que dois faleceram novos, portanto 15 criados (mais quatro de criação). Do lado de meu pai, foram 11. Entre tios e tias, quase todos casados, são mais de 50 pra beijar a mão e pedir a “benção”. Some-se, pois, tias e tios dos nossos pais, que chegamos a conviver. Primos então, muito acima dos cem, somando as duas proles.

As férias eram o ápice dessa relação. Na casa da minha vó Venina/Armando, além das mangueiras (espada, comum e coquinho), uma solitária goiabeira, e ainda tinha a cachorra “Ula” pra distração daquela quantidade de netos. O quintal parecia ser muito maior que o terreno vazio que hoje observo quando vou a Araxá.

Na fazenda do Vovô Carico/Irinéia, o que mais chamava a atenção aos olhares da criançada era uma bica d’água. Parecia ter quilômetros, talvez uns cem metros na realidade, mas que embalava nossas fantasias. Também algumas frutas, com destaque para a jabuticaba, além de um belo jardim com hortênsias e copo de leite (planta com flor e não das vacas).

Fazendas? Foram várias. Desde a de nossos tios, os tios de nossos pais, de parentes próximos e até de pessoas afins. Casas enormes, antigas, e terras a perder de vista. Muitas fantasias criávamos a cada período de férias. Na fazenda do papai passamos diversas férias escolares, quase sempre acompanhados de primos e amigos.

De tudo que vivemos, se tem algo que me dói – quase um arrependimento e “mea culpa”, pois me faltava compreensão na ocasião – foi a aventura de “pegar passarinho”. Quase sempre num alçapão, raríssimamente num “visgo” para aqueles mais ariscos. Essa lembrança me incomoda muito.

Fora isso, ao contrário, só boas memórias. Andar a cavalo, ordenhar vacas (não existia máquina de ordenha), “campear” o gado, separar novilhas e vacas “mojando (prenhas)” para o pasto mais próximo ao curral. Apanhar laranja, mexerica, abacate, uvaia e outras deliciosas frutas.

O rego parecia um córrego. O córrego era como se fosse um rio. Já o rio, o mar que só fui conhecer com dez anos de idade. Tudo isso embalava a mim e aos meus convidados sobre nosso futuro como “fazendeiros” (hoje com o vigoroso nome de produtor rural). Nenhum entre nós vingou na atividade.

Muitos deles, sempre que nos vemos, recordam com gostosa nostalgia aqueles momentos. Alonso, amigo desde o primeiro ano primário, era assíduo nessas aventuras. Temos boas recordações hoje nas nossas prosas. Randolfo, meu primo carioca, outro que sempre registra ter escolhido como seu time do coração – influenciado pelo tio – o mesmo que meu pai não conseguiu me impor. São doces recordações.

Tudo parecia tão grande. A casa da fazenda, que hoje pertence a uma irmã e cunhado, se mostra tão acanhada perto daquela grandeza e imensidão daqueles tempos. A árvore enorme no alto do morro em frente ao curral hoje é um esqueleto definhando com galhos secos. Como disse no início, os anos podem ser cruéis com o físico, mas não apagam as boas memórias de tempos bem vividos.

Tias, tios, avós, primos, amigos, cada momento bem vivido deixa um pedacinho dentro da nossa alma. Envelhecer com boas lembranças, também faz bem à saúde!

*Essas imagens são de familiares. A primeira pertence à minha irmã Maria Antonieta, a fazenda de nossos pais numa tela de Cordélia Barreto. A seguinte é uma foto do quintal da casa dos avós maternos, do acervo da prima Helena, filha da Tia Dalva. Na imagem, o saudoso tio Efigênio, um entre os filhos de criação, limpando o quintal das nossas aventuras da infância. Já a última tela, pintura de Terezinha Oliveira Neri, pertence ao meu irmão Carlos Armando, e é da fazenda dos avós paternos.

*

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4 thoughts to “Lembranças que não se apagam”

  1. Bom dia a todos. O seu relato, amigo Eduardo, nos leva a tempos idos e vividos como diria Cartola. Saudades são complementos do nosso presente, que se tornam mais presentes a medida que envelhecemos. Obrigada.

    1. Se tem algo que o isolamento tem me feito bem, cara Emilce, é essa oportunidade (tempo) pra resgatar na memória esses momentos bem vividos.

  2. Meu limão meu limoeiro meu pé de jacarandá […]
    Carrinho de pilha q nada,qdo muito um carretel de linha,um elástico,um toco de vela e tínhamos um mini trator. Um punhado de caixa de fósforo era transformado numa composição férrea puxada por um besouro,um rolamento virava um arquinho e um saco de pão virava uma pandorra q era empinada de forma brilhante. Éhhh…meu amigo temporão,a gente era feliz e sabia…
    meu limão meu limoeiro meu pé de jacarandá…uma vez esquindô lelê…uma vez esquindô lalá…

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