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A camisa social

Reprodução/GettyImages
Guilherme Scarpellini
scarpellini.gui@gmail.com

Depois de uma temporada neste meu cantinho de mundo mais justo e igualitário, onde as roupas velhas são respeitadas, a barba tem direito de crescer e os pés estão livres dos maus-tratos dos meus sapatos apertados, deu-se a hora de encarar a vida perversa como ela é.

Eu precisei vestir uma camisa social.

Antes de vestir, porém, precisei desenvolver um foguete espacial usando apenas os utensílios de cozinha, com a ajuda de tutoriais no YouTube. Ou, ainda mais complicado do que isso, eu precisei passar a tal camisa social.

Passar uma camisa social é como olhar para cima e pretender contar cada uma das janelas do edifício JK. No meio do caminho, nos perdemos. Recomeçamos, porém, jamais de onde paramos.

Nesta guerra travada na tábua de passar, lá se vai uma hora inteirinha de um eterno passa daqui e amassa dali, que acabo entregando os pontos, ou melhor, os pontos, as pregas, os botões e o resto da camisa inteira ao autoritarismo das rugas.

Mas não sem antes oferecer sangue, suor e lágrimas, como o fez Winston Churchill, quando enfrentou não um exercito de rugas, mas uma hoste nazista que manchou o tecido da história com sangue.

Quando ataco as rugas nas costas da camisa com o passador, eis que descubro uma dobradura riscando toda a aba da frente. Volto-me à dobra da frente com fúria napoleônica, e lá estão as costas arruinadas de novo.

Sem falar nos ombros. Os ombros são como áreas autônomas da camisa social, onde o ferro de passar não exerce a menor jurisdição. Isso significa que, para se ter mangas bem esticadas, deve-se conformar com ombros que mais parecem a pele de um filhote de buldogue inglês.

Optando-se por ombros impecáveis, por sua vez, não se tem mais mangas de camisa, mas os foles de uma sanfona.

De modo que, ao cabo de uma hora de entrevero, tem-se uma camisa passada, mas jamais bem passada. Visto-a assim mesmo, e dane-se. Mas antes de dar o assunto por encerrado, ouço rufarem os tambores da próxima batalha.

É hora de dar o nó da gravata.

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