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Loterias e o sonho da fortuna

Eduardo de Ávila

Qual brasileiro nunca fez uma fezinha nessa enorme quantidade de jogos de azar, legalizados ou não, que aguçam nosso desejo de conseguir – na sorte – a definitiva independência financeira. Pouquíssimos insistem em afirmar que “nunca fiz uma aposta em loteria”, o que carrega minha suspeita em não estar sendo sincero. Eu jogo sim, nunca neguei, mas aprendi a ter minha cota de responsabilidade e valor para arriscar nessa possibilidade.

Entre os legalizados, destacam-se aqueles que são de controle da Caixa Econômica Federal, que explorava tão e unicamente a Loteria Federal até surgir a Loteria Esportiva. Nos rateios, até mesmo em períodos anteriores (época ainda de Dom Pedro I e II), esse jogo de azar assegurava ao governo a arrecadação de fundos para obras do Brasil Colônia e depois no Império.

A jogatina sempre seguiu, até que em meados dos anos 40 do século passado, Gaspar Dutra proibiu qualquer tipo de aposta. Nessa ocasião, o jogo era forte receita vinculada ao turismo em cidades mineiras como Araxá, Poços de Caldas, Lambari e Caxambu. No Rio destacavam-se Petrópolis e o cassino do Hotel Copacabana Palace.

Foi no governo de Jânio Quadros que se determinou ao poder executivo federal assumir todas as modalidades de apostas. Cabe à CEF administrar casas lotéricas e organizar os sorteios. Antes disso e até hoje, muitos jogos clandestinos aguçavam e ainda atiçam a busca de grandes prêmios e fortunas. O jogo do bicho está ai, na frente de todos nós, acontecendo sem qualquer ação de fiscalização ou de repressão.

Mas, como disse, a Loteria Esportiva foi a primeira, depois de muitos anos tendo apenas Federal, que fora institucionalizada em 1962. A partir daí, além dos bilhetes inteiros ou décimos deles, o brasileiro acompanhava o futebol em busca dos 13 pontos. Atualmente são 14 jogos, mas no início o sonho era fazer os 13. Foi em abril de 1970, pouco antes da Copa do Mundo no México.

Os cartões, furadinhos numa máquina das casas lotéricas, alimentavam o sonho de 90 milhões de brasileiros. Nem todo município tinha loteria e no início, no meu caso de Araxá, os jogos tinham de ser feitos em Belo Horizonte ou São Paulo. Tinha os vendedores que recolhiam os jogos e depois voltava pra cidade entregando as apostas. Era uma anarquia, jogo feito errado e uma loucura sem fim, até que a Caixa foi interiorizando as agências lotéricas por todo o Brasil.

Daí, governo a governo, essa febre parece não ter fim. Em 1994 surgiu a aposta da quina, que atualmente acontece todos os dias de segunda a sábado. Um sorteio anual, denominado quina de São João, alimenta a esperança da fortuna fácil. Já no ano de 1996 nasceu a mega sena, talvez a mais cobiçada entre os apostadores. Nos dias de hoje são dois sorteios semanais e três na última semana do mês. Anualmente, num frenesi inimaginável, todo 31 de dezembro tem o sorteio da mega da virada.

Antes da virada do milênio chegou a lotomania, no ano de 1999. Já em 2001 apareceu a concorrência da dupla sena. Em 2002 a lotogol. No ano seguinte (2003) a loto fácil, que a partir dessa semana – como a quina – passou a ser de segunda a sábado. Depois de uma trégua com tanta novidade e justificativa de arrecadar fundos para os clubes profissionais brasileiros abaterem suas dividas com tributos federais, surgiu a time mania. Foi no ano de 2008.

Após 10 anos, outra nova modalidade, com o lançamento do Dia de Sorte. Foi em maio de 2018, portanto mais de dois anos passados, essa caçula das loterias da Caixa Econômica Federal. Aliado a tudo isso, com a intenção de arrancar mais dinheiro e deixar o cidadão sonhando com essa busca inútil, algumas sugestões ao gasto de dinheiro com apostas. Surpresinha, teimosinha, jogos on line. No confinamento tem sido uma tentação esse “benefício”. Jogar pelas redes sociais.

Creio eu, sem qualquer conhecimento de economia e administração financeira, que os valores arrecadados dessa jogatina oficial seriam suficientes para muitas ações de real interesse social. Desconheço números, sei – eventualmente – sobre prêmios acumulados.

Já ganhei, sempre prêmios modestos, e quero crer que estou empatado despesa/receita, até porque – como afirmei – tenho meu controle sobre esse gasto. Só serviu até hoje para planos e pensar em pessoas e instituições que gostaria de poder ser solidário.

Em tempo: hoje, nesta terça-feira, dia 4 de agosto de 2020, nosso blog “Mirante” atinge a postagem de número 400. Anteriormente, com publicações tri-semanais, Daniela e eu dividíamos essas histórias. Depois de uma paralisação, motivado pelo empenho dela, retomamos o espaço e adicionamos as parcerias da Rosângela, Sandra, Taís, Victória e Guilherme e com a companhia das leitoras e dos leitores que são a garantia desse momento que estamos compartilhando. Obrigado!

*imagens: 1) UAI/EM; 2 e 3) Wikipédia

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2 thoughts to “Loterias e o sonho da fortuna”

  1. _ Dizem por aí q são 4 as formas de ficar milionário: nascendo um. casando com um(a).trabalhando(?) ou jogando na loteria. Como se pode ver; ser milionário ainda é o grande sonho de muita gente, o difícil é ser um !
    _ Vc fala em casas lotéricas e eu me recordo dos vendedores ambulantes de bilhetes. Olha o “bulete” olha o “bulete” … o grande prêmio está comigo … Vai uma federal ou uma mineira .. patrão? Éh! O tempo passa de fato!
    >> A riqueza (de que ela fala) e pobreza (que ela tem);
    Ouro (que ela promete) e pão (que ela não tem). * Trecho de Vendedora de bilhetes de loteria de Raul Pompéia.

    1. Em minha adolescência comprava um bilhete e ganhava o direito de trocá-lo por outro. Na terceira troca decidi que nunca mais jogaria. Bom, quebrei minha promessa pra ajudar o galo rsrs.

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