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Dualismo ou dicotomia da quarentena

Eduardo de Ávila

São expressões distintas, mas que no isolamento estão impregnadas em cada um de nós. Porém, se adentrarmos no campo espiritual e religioso, se admite e se trata o ser humano dividido em corpo e alma. Dualismo e dicotomia permitem a coexistência de ambos. Estamos, diria que quase todos, passando por momentos de muita reflexão. Nuns dias mais animados, noutros bastante inseguros quanto ao que nos espera nesse futuro incerto, estranho e totalmente desconhecido.

Já se vão 115 dias de isolamento social, conto sim, diariamente, igual preso político e só não uso as unhas para a marcação porque essa prisão é coletiva e semiaberta. Tenho mais liberdade que muitos que passaram anos numa solitária ou, pior, que nem voltaram desse confinamento.

Falamos, ainda que pelas redes sociais, comunicamos, mas a angústia e vontade de retomar a rotina vai apertando cada dia mais. No meu caso, sinto falta de três ambientes especialmente. Sala de cinema, cafeteria e cadeira no estádio de futebol. Acho que no dia que anunciarem a liberdade plena vou levar um tempo para a readaptação.

Algumas certezas já posso assegurar, mesmo sem saber quando será esse dia da alta coletiva. Se antes já selecionava com quem fazer boas resenhas, agora – seguramente – alguns estarão fora desse convívio. Não se trata de ser chato ou seletivo, mas por decepção mesmo. Então, por respeito ao pensar diferente e a mim mesmo, vou procurar conviver o tempo que ainda pode me restar com pessoas que tenha convergência.

Refiro ao divergir de maneira desrespeitosa, como aconteceu durante esse isolamento. Gente que sempre me mereceu a melhor acolhida e consideração, que se revelou algoz durante a pandemia. Estamos todos na mesma tempestade, mas os barcos são diferentes. Tem gente embarcada na solidariedade e no humanismo, outros – ainda que poucos – viajando em temas, termos e conspirações inadmissíveis.

A bem da verdade, mostrando exatamente aquilo que sempre foram e durante tempos conseguiram dissimular seu jeito de ser e pensar. Com esses, reitero, não vou usar meu tempo de vida para conversas inúteis e sem sentido. Tanto na mão quanto na contramão. Nenhuma das partes irá tirar proveito, ou seja, não faremos falta um ao outro.

EM

Nesse período, já pudemos experimentar diversas sensações e emoções. No início, imaginando que seriam de trinta a quarenta dias, acompanhava as experiências com remédios e vacinas. Agora, ao que vejo, até isso foi politizado. Nem estou me referindo à idiotice da cloroquina, tampouco descartando a ivermectina. Mas só usarei quando estiver cientificamente comprovada sua ação, até então me mantenho nas recomendações mais serenas e seguras.

Tenho um irmão, o mais velho entre nós oito – sou caçula – que é médico infectologista. Radicado em São Paulo desde o início dos anos 70, sempre foi respeitado na sua área, e é quem me orienta.

Recebo dezenas de posts falando de curas da COVID; diria que a cada vinte ou trinta, envio uma que entendo ser mais razoável a ele, que sempre me responde descartando esses palpiteiros de plantão. Até que, dias atrás, me ligou e me passou um “sabão” recomendando parar de ler tanta bobagem. Ele, que é dedicado à profissão, passa horas diárias em conferências e trocas de experiências a respeito do assunto. Calei-me e recolhi à minha ignorância do assunto. Agora me coloco a esperar pelo que a ciência e seus pesquisadores recomendarem.

Durante esse período, em meio ao crescimento e agravamento da doença, com números de casos e óbitos sempre em aceleração, perdi pessoas queridas. Um primo, embora distante, com muito mais proximidade que outros bastante próximos. Uma senhora vizinha, professora do meu ensino básico, em cuja casa passava igual tempo que na minha própria. Nenhum deles de COVID, mas sem o tradicional velório para que pudesse ir lá dar meu adeus.

Outro amigo, que tínhamos muitos respeitosos embates acerca do nosso time do coração e dos tempos recentes no Brasil, mas por quem existia um grande cortesia e amizade. Esse sim vítima desse vírus inescrupuloso. Outra amiga, ainda hospitalizada e – felizmente – apresentando recuperação, com a mesma infecção. Tem sido duro conviver com essas dores e esperanças de solução para o retorno à normalidade. Daí a busca desse equilíbrio aparentemente tão contraditório que ocupa nosso pensamento o tempo todo.

Às vezes, fazendo uma sesta, hábito que nunca tive, acordo sem saber que dia e hora é aquela. Se é tarde do dia ou se esta amanhecendo. Tentando ajustar corpo e mente. Tô ficando cansado. Tá difícil! Vai passar!

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6 thoughts to “Dualismo ou dicotomia da quarentena”

  1. Caro Eduardo,

    Belo e tocante artigo!

    Penso que, infelizmente, essa experiência “pandêmica” será desastrosa para muitas pessoas, nas quais o “medo de morrer” aflorou irreversivelmente, afundando a “vontade de viver”.

    Muitos, no futuro, jamais gozarão da “liberdade plena”, e farão de suas “vidas” um eterno “protocolo de segurança”, evitando apertar as mãos das pessoas, fugindo de abraços, abolindo os “três beijinhos” belorizontinos.

    Viverão em busca das notícias sobre novas variações de velhos vírus, verdadeiramente “torcendo” por uma outra “pandemia”, para que possamos ser novamente trancados na suposta proteção de nosso isolamento…

    Eu, porém, cerrarei fileiras entre os que farão prevalecer a “vontade de viver”: continuarei a cumprimentar as pessoas com o “shake hands”, abraçarei desconhecidos nos jogos do Galo, em comemoração a nossos gols, frequentarei ambientes fechados, enfim, todas essas “temeridades” que, infelizmente, serão o oposto do “novo normal”.

    E em consideração às admoestações que virão dos que sofrem do “medo de morrer”, apenas cantarei, mesmo que desafinadamente, a atualíssima “Ouro de tolo”, do velho Raulzito:

    “Eu que não me sento no trono de um apartamento
    Com a boca escancarada, cheia de dentes
    Esperando a morte chegar”…

    Forte abraço!

    Saudações eternamente vitoriosas!

    1. Obrigado pelo comentário, caro professor!
      Precisamos mesmo reagir aos danos adicionais que esse vírus vai deixar no seu rastro.
      Boa reflexão nos traz seu comentário.

  2. Esse novo “normal” q andam apregoando por aí na realidade ñ tem nada de novo, é, e sempre será o mais do mesmo. Responsabilidade, empatia, respeito, bom senso, educação, noção e coletividade, estão cada vez mais em desuso, e q refletem tudo q estamos passando. O tal do “novo” não passa do novo velho, é qdo o ser humano se mostra “ser umano”, é como se o cristal dourado tivesse nascido desconstruído. Não há nada de novo e o velho sempre será o velho, ao separar o joio do trigo dar-se-á conta q ñ sobrou dois ou três grãos saudáveis,q a maioria deverá ser atirado ao lixo.

  3. Bom dia!

    Os reflexos mesmo que não seja diretos estão realmente deixará a família, pós pandemia, diferenciadas, diria que as mesma hoje se interagem por grupos de Wattsap, graças a Deus.
    Imagine se não houvesse esta tecnologia de comunicação, estaríamos realmente isolados.
    Um bom dia a partir de uma mensagem me dá diariamente o feedback da saúde da minha mãe, 84 anos e navegando pelas redes, sua companhia diária hoje.
    Eu que por morar distante de toda a minha família sempre me privei de estar na companhia deste, tanto nos bons quanto nos momentos de prestar homenagem a muito estimados parentes que nós deixou.
    Uma época da vida onde nosso trabalho consome todas as nossas forças, e infelizmente temos que pensar na subsistência familiar.
    Porém com a aposentadoria e a idade chegando, passei a tentar tirar esse atraso nos meus relacionamentos, e com essa pandemia estou vendo tudo permanecendo como era antes, daqui de São Paulo, isolado de tudo e de todos.
    Perdendo familiares que não pude despedir-me, já se foram 3 só neste período, nenhum por este vírus, mas, nem tempo há para uma viagem de tantas horas até BH.
    O pior é que já se vão seis meses deste ano e provavelmente quase todos nós em algum momento negligenciamos com a própria saúde pelo receio de ficar saindo de casa.
    O que posso afirmar é que esta pandemia realmente trará mudanças comportamentais, espero que apenas as boas permaneçam.

    Boa terça a todos!

    1. Pois é, eu até mencionei três perdas no texto. Acordei com a quarta. Muito triste. Um primo muito querido e sem despedida. Não foi covid.

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