Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Perspectivas

Taís Civitarese

A briga foi por causa dos legumes. Cenouras, beterrabas, cebolas e os indecifráveis rabanetes. Meu marido chegou carregado da feira e logo saiu de novo para uma jornada à farmácia.

Gentilmente, no exercício da prática intensiva dos afazeres domésticos, os quais, devo ressaltar, em nada aprecio, fui guardar as compras. 

Após a desinfecção geral e secagem, guardei os legumes de qualquer jeito na geladeira. Sim, guardei tudo embolado na gaveta. Não “respeitei” a delicadeza das cenouras-anãs, tampouco os tenros talos de beterraba, os quais chegaram a se partir. Os mini-rabanetes se perderam no amontoado de hortaliças e as cebolas, tão frescas, foram de encontro às suas antecessoras semi-mofadas, passíveis de lhes transmitirem incontáveis esporos.

Guardei tudo daquele jeito e fui fazer outra coisa que queria, que gostava ou que precisava.

Qual não foi minha surpresa quando, mais tarde, ouvi brados da cozinha: “Quanta falta de capricho!”, “Quanto desrespeito ao alimento!”. 

Fiquei me perguntando se deveria respeitar os legumes. 

Capricho é, definitivamente, para mim, uma certa perda de tempo. Uma prisão a uma estética pouquíssimo prática que em nada favorece aos não-entusiastas dos afazeres domésticos, como eu. Higiene sim. Mas capricho…? Seria tudo isso uma desculpa para a preguiça? Talvez. 

Confesso que prefiro organizar meus sentimentos e pensamentos em uma caixa couro-cabeluda, nada refrigerada, do que ceder à impecável ordem exterior que supostamente simbolizaria equilíbrio. A meu ver, alguns tipos de capricho são prisões que nos consomem um tempo precioso que poderia ser usado para caprichar e organizar algo realmente importante, embora invisível. 

Não, não sou caprichosa. E por vezes, não sê-lo é um pequeno emblema para mim. 

*
Curta nossa página no Facebook, Blog Mirante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.