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Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

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Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

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Maridão

Taís Civitarese

Chegou a quarentena. E o maridão logo avisou: 

–  Vou me inteirar das notícias enquanto você cuida da casa.

 Sentou-se com a expressão bem séria em seu canto habitual da sala, abriu um pacote de ‘chips’ e começou a remexer a internet em busca de informações que nos salvariam a vida. 

De vez em quando, emitia terríveis expressões de desconforto. Estava estressadíssimo lendo o que se passava com o mundo. Dizia que aquilo era muito desgastante, tarefa mental intensiva mesmo.

No meio da tarde, levantou-se da poltrona e disse que estava exausto. Precisava tirar um cochilo. Ficar na mesma posição por horas fazia as costas arderem, deixava os músculos travados. Olhou para mim e disse:

–  Você que é esperta, querida! Mexe-se, anda para todo lado, move os braços, faz o sangue circular… Está na vantagem!

Dormiu por algumas horas e, após a soneca, retomou as observações no celular. 

Às vezes, soltava umas gargalhadas. “Diante dessa tragédia, a gente tem que extravasar um pouco”.

Passou o dia todo pesquisando, lendo, se inteirando de tudo quanto era possível para nos proteger dos perigos da calamidade. Mesmo durante o jantar, não desgrudou os olhos da tela, tal a gravidade da situação.

A casa já estava limpa, nossos dois filhos vestidos, alimentados, banhados, cozinha higienizada, tarefas escolares online resolvidas. 

Ao fim do dia, deitei-me na cama e quase sem conseguir abrir os olhos, ouço ele dizer:

–  Ó! Tô jogando o pacote vazio de chips no lixo, tá? 

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