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Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

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Sublimai-vos!

Shutterstock – Sublimai-vos!

Sandra Belchiolina
sandra@arteyvida.com.br

Primeiro tempo, conversando com minha mãe.

Ela que se mantém, também, em isolamento há mais de trinta dias. Em determinado momento, usa o termo “subindo pelas paredes”, quando perguntada de como estava sua acompanhante, pois a mesma não era acostumada a ficar quieta dentro de casa. 

Brinquei que o melhor nesse momento de afastamento social era mesmo subir pelas paredes e a imagem de uma lagartixa veio a minha cabeça. Nesta associação continuei…

Lembrei-me de um livro que li no ano passado – O Vendedor de Passados. Escrito pelo angolano José Eduardo Agualusa, lançado em 2004.

O narrador do livro é uma lagartixa que é o alter ego do personagem central –  Felix Ventura. Esse um negro albino, que quando chamado de branco não se reconhece, negando a afirmação. Sua especialidade é confeccionar a árvore genealógica daqueles que querem um passado reescrito, tendo muito trabalho após a guerra civil angolana.

A lagartixa narradora enxerga tudo na casa e por todos os ângulos, além de possuir uma visão do mundo externo, usando os sonhos para manter sua comunicação com Ventura. Essa história é a narrativa de um belo livro, que indico para ser lido. 

Está associada a uma fala provocada pela necessidade de ficar em isolamento social devido ao COVID-19. A mensagem do livro é sobre a construção individual no coletivo.

Há uma passagem que afirma: “As pessoas que não acreditam que todas as vidas são excepcionais, devem ser convencidas do contrário”.

O que me pareceu muito propício para o momento, pois há muitos brasileiros parecendo suicidas e/ou genocidas.

Tempo dois – assisti na semana passada ao longa Dois Papas

Um filme com diálogos de dois ilustres personagens – os Papas atuais. Também vale a pena ser visto. Nele acompanhamos o conflito de dois homens que buscaram caminhos diferentes até se encontrarem. 

Papa Bento XVI (Joseph Ratzinger), de formação erudita e conservadora, em um diálogo relata que estudou muito para chegar até o papado. Abdicou de uma vida integrativa com o mundo e suas demandas atuais. Pondera que, mesmo com sua dedicação, não estava apto para seguir adiante como líder da Igreja Católica e fazer os avanços que ela necessitava.

Nos seus históricos, consta que teve um primo com síndrome de Down morto pelos nazistas por não ser produtivo e sua existência ser interessante ao Estado. 

Sabemos que nesse regime o ser humano era visto como um ser de produção. Se não produzia ou não era o ideal para “raça pura ariana”, era eliminado.

Já o Papa Francisco deslocou-se no eixo do papado e esse veio buscá-lo “quase no fim do mundo”, como ele mesmo fala durante seu discurso inicial como Papa. 

De formação diversificada e de vanguarda, foi um homem que viveu a realidade humana das ruas. O filme mostra ele lendo o “diabólico” autor – segundo políticos brasileiros – Paulo Freire (A Pedagogia do Oprimido). 

O primeiro não viveu uma vida de encontros com o mundo e o segundo se fez popular, atual e mostra a cada dia sua dignidade e simplicidade, tendo um dos discurso mais progressista que vemos na atualidade.

Bento XVI reconhece que não tem capacidade de conduzir o rebanho de Pedro, mas relata no filme que quer ver como seu sucessor se sai. 

Após oito anos da posse do Papa Francisco (2013), vivemos a epidemia do novo coronavírus. A Itália e sua Roma – cidade Eterna, aquela que acolhe o Vaticano – enlutada. O mundo enlutado!

Fiquei imaginando que lá do Castelo Gandolfo, Rstzinger ora, ora… para que os efeitos de regimes como o dos nazista e sua lógica de produção não leve a eliminação de tantas pessoas. Fato que presenciou ainda jovem, na sua Alemanha, e com a vivência familiar.

Papa Francisco segue com seu discurso progressista mostrando ao mundo, mesmo para aqueles que não são católicos, que a vida vale mais. Como já tinha feito na época da ditadura da Argentina.

A decisão de Bento XVI foi iluminada. E assim deveriam ser os líderes, mesmo na hora de sua renúncia: saber fazer uma boa escolha de sucessão. Aquela que a realidade demanda.

Aqui, da minha quarentena, e quando escolho esses dois tempos e indicações, escuto sobre a morte de Moraes Moreira. Não pude deixar de memorar sua música: Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira.

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