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Vovó

Taís Civitarese

Sábado passado, eu tinha um almoço marcado com minhas amigas. Festa de mães e crianças, uma farra!

Na última hora, decidi não ir. Precisava ver minha avó. Ela almoçava na casa da minha mãe. Fui para lá. Sua voz alta e potente contava casos e ria. Enchia o ambiente. Ficamos juntas um pedaço da tarde, ela me deu um livro e falamos da vida. Na despedida, um beijo soprado: “Te vejo logo! Talvez eu volte amanhã.”

Cinco dias depois daquele encontro, vovó faleceu. Já estava em sua cidade, Juiz de Fora. Foi embora de repente, sem avisar a ninguém. 

Porém, de alguma forma, acho que ela me avisou.

Ultimamente, quando a abraçava, me dava vontade de chorar. Quando a encontrava, queria sempre estar com ela, sentar a seu lado e ouvi-la.

Um dia antes dela partir, nos falamos por telefone. Tive muita vontade de dizer que a amava, e assim, lhe disse. Ela desligou e me mandou uma mensagem de voz com um recado de amor e carinho por toda a minha família. Guardo como um tesouro. Agradeço por isso.

Tive uma avó maravilhosa. Ela tinha 87 anos e um rosto de menina. Bochechas redondas, covinhas, o sorriso e o olhar muito meigos. Seus cabelos eram curtos e cacheados. Era amorosa, carinhosa e alegre. 

Ah, se soubessem a história dela. Filha de libaneses, mãe de 6 filhos, costureira. Separou-se aos 62 anos. Morou sozinha e feliz por 25. Tinha amigas, passeava. Sempre com a voz alta e alegre. Sempre macia. 

Ela dizia: “Não sei o que é solidão”. 

Um amor, mesmo. Eu achava que ela era eterna. 

Imagino que o pior da morte deva ser algum tipo de arrependimento. Uma vontade de dizer que não foi dita. Um amor preso, um perdão esquecido.

O coração leve nessa partida é uma bênção. Eu sinto-o com a tranquilidade de saber que nos amamos muito. Que a abracei muito. Que ela ainda está comigo. 

Não deixem para depois da morte. Ela vem, às vezes, de repente. Se amamos o bastante, podemos chorar só de saudade. Também dói, mas é dor que só sente quem já riu e já foi muito feliz.

Dedicado à minha avó, Maria Lays, que tanto amei e amo.

One thought to “Vovó”

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