Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

‘Corona Fest’

Reprodução/Twitter
Guilherme Scarpellini
scarpellini.gui@gmail.com

Seguindo à risca as prescrições do Doutor Zap Zap, Magda do Brasil, uma senhora de meia idade e inteiro desapreço pela ciência, esperava pelo pior em tempos de desolação.

Um apocalipse zumbi? Não. Uma invasão alienígena? Também não. Uma palavra do presidente? Nem tanto. Magda preparava-se para a chegada do novo coronavírus.

Em primeira providência, Magda visitou a farmácia. Varreu todos os fracos de álcool gel disponíveis nas prateleiras – um total de cinquenta e cinco itens. Pedro Pedreiro, pai de menino de colo, babador e mamadeira, chegou atrasado e ficou chupando dedo — e o menino, chupeta.

Magda conseguiu ainda dúzia e meia de máscaras descartáveis. Uma para caminhar até a sua casa sem riscos de contaminação. Outra para trocar fake news no grupo “1ª Turma do Colégio São Tomentindo”, do tempo da gripe espanhola; e o restante ela guardou para os casos de mais nobre relevância e urgência, como um ato contra a democracia, em praça pública, em domingo de sol e coronavírus.

No supermercado, Magda encheu o carrinho. Arrastou uma parede de pães de forma, toda sorte de um sem número de congelados, um reforço de álcool gel – três ou quatro recipientes davam bobeira no carrinho de quem? do Pedro Pedreiro – e, claro: comprou papel higiênico.

Magda adquiriu pacotes e pacotes desse amuleto indispensável para conter a crise do coronavírus: o papel higiênico.

Não sabia ao certo qual era a razão daquilo, mas, além da cura com gargarejo, água quente, chás, vitaminas, vacina cubana e do teste da apneia por dez segundos, Magna não tinha dúvidas: o melhor era garantir mais um pacote de papel higiênico.

Não sem dificuldades, Magda carregou nos braços cansados as sacolas com o peso da sua sobrevivência.

Chegou em casa se arrastando, ofegante, quase sem ar. E ainda encontrou forças para suportar o fardo do brasão da CBF estampado no peito, enrolar-se na bandeira nacional e marchar rumo à festa cívica de maior relevo — o “Corona Fest”.

Do alto da avenida João Pinheiro, Magda avistou a Praça da Liberdade ser tomada por verde-amarelo. Soube-se então a utilidade de tanto papel higiênico.

Consumidor flagra gôndolas vazias em supermercado, após a corrida por papel higiênico. (Reprodução/Twitter)

2 thoughts to “‘Corona Fest’”

  1. Oh Guilherme, faz assim não. Você até que escreve bem.
    Mas, o Brasil, os brasileiros estão precisando é de união, empatia, apoio, solidariedade, etc e ect.
    Esta sua ironia azeda de derrotado moral, mais parece um desesperado tentando ser cômico…
    “Só que não”!!!!!!!!
    Antes de todos os recalques que a vida lhe trouxe, pense…
    Você é brasileiro, você mora no Brasil.
    Mas pense mesmo!!!!!!!!
    Não é ficar viajando na maionese não!!!!!!
    Deus te dê muita paz e muita luz!!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.