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Adolescência Normal: o que é isso?

Foto: https://www.shutterstock.com/ - Adolescência Normal
Foto: https://www.shutterstock.com/ – Adolescência Normal

Daniela Piroli Cabral
contato@danielapiroli.com.br

A entrada no mundo dos adultos é um momento desejado e ao mesmo tempo temido pelos adolescentes.

Existe certa ambivalência em se localizar no mundo do adultos ou no mundo infantil.

Por um lado, há o desejo de diferenciação e crescimento, mas, por outro, há o desejo de ser igual, de permanecer infantil e de pertencer à família de origem.

Para o jovem, a entrada no mundo dos adultos significa a perda definitiva de sua condição de criança, o que, muitas vezes, torna o processo da adolescência instável e com muitas oscilações.

Em 1981, Aberastury e Knobel propuseram o conceito de “Adolescência Normal” para dizer desta importante etapa de desenvolvimento na vida do homem rumo à sua inserção no mundo adulto, que se daria através da elaboração do luto pelo corpo infantil, luto pela identidade infantil, luto pelos pais infantis

Neste processo que se inicia com a puberdade, quando as mudanças físicas e corporais se impõe à criança a partir do desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, podemos elencar diversos sintomas, tais como: (1) busca de si mesmo e da identidade; (2) tendência grupal; (3) necessidade de intelectualizar e fantasiar; (4) crises religiosas; (5)  deslocação temporal; (6) evolução sexual manifesta; (7) atitude social reivindicatória com tendências antissociais; (8) contradições sucessivas em todas as manifestações de conduta; (9) separação progressiva dos pais e (10) constantes flutuações de humor e do estado de ânimo (ABERASTURY e KNOBEL, 1981, p. 29)

A opção pela denominação de “síndrome normal da adolescência” deve-se a caracterização de um estágio de desenvolvimento, normal e necessário para a formação de uma identidade adulta, diferenciando-o de um quadro psicopatológico que muitas vezes se confunde neste momento da vida.

Para Ávila, (2011) a sociedade contemporânea vem privando os jovens de meios adequados para finalizar a sua adolescência, “conduzindo massas de indivíduos a um eterno adolescer, em um usufruto permanente da condição de não-responsabilidade, mas sem o direito essencial de acesso à autonomia” (Ávila, 2011, p. 41).

Nessa perspectiva, numa sociedade que valoriza exacerbadamente a juventude e descarta a velhice e tudo que remeta à passagem do tempo, não só os adolescentes ficam com referências precárias do mundo adulto para nele se inserir com solidez, como também os próprios adultos ficam em condição permanentemente “adolescida” ou “infantilizada”, por não aceitarem o passar do tempo e por negarem a responsabilidade decorrente do crescer.

Dessa forma, embora saibamos que é comum a eclosão de transtornos mentais e comportamentais na adolescência, devemos ter cautela ao patologizar os fenômenos da adolescência atual, por ser tênue os limites entre o normal e o patológico nesta fase da vida.

Assim, a patologização e a medicalização da adolescência não pode ser compreendida fora do modelo de sociedade na qual nos inserimos.

Referências:

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