Skip to main content
 -
Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Eduardo de Ávila Eduardo de Ávila

Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

Guilherme Scarpellini Guilherme Scarpellini

Jornalista que se interessa por tudo o que a todos pouco interessa. E das beiradas, retira crônicas.

Rosangela Maluf Rosangela Maluf

Professora universitária na área de marketing e nas montanhas de Minas lê, escreve e sonha!

Sandra Belchiolina Sandra Belchiolina

Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

Taís Civitarese Taís Civitarese

Pediatra formada pela UFMG. Trabalha com psiquiatria infantil e tem um pendor pela filosofia.

Victória Farias Victória Farias

Jornalista e estudante de Relações Internacionais, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

O menino na janela

Foto extraída da Internet
Foto extraída da Internet
Tais Civitarese

Apesar do título, essa história não tem nada de poética ou singela. Trata-se de um breve exemplo do diaadia materno em que é só Deus nos acuda!

Um belo dia, chegando do supermercado, estacionei o carro na garagem. Ao descer e abrir o porta-malas para descarregar as compras, comecei a ouvir uma certa barulheira vinda do prédio ao lado. Ignorei.

Após virar mãe, tenho escolhido a dedo os meus ladrões da atenção e de pensamento (já vivem muito ocupados…).

Algazarras alheias não me pegam como outrora. No entanto, os ruídos aumentaram. Eram pessoas gritando. Mais uma vez, em tempo de “Bolsos” e “bolsas”, me abstive, sem pudor, de pensar em política naquele momento.

Estava era mais preocupada em subir para colocar logo as abobrinhas na geladeira (fazia muito calor). 

Em dado momento, meu sonar de alerta materno captou a palavra “menino”. Eles estavam gritando “menino”.

Olhei para cima com certa aflição e ouvi a frase: “Saia daí, menino!”. Uma das pessoas que gritavam olhou diretamente para mim e disse: “Tem um menino na janela do 5o andar!”. 5o andar. É onde eu moro.

Ergui o braço para cima e alcei vôo, chegando logo à minha casa. Foi essa a sensação que tive. Não me lembro de ter largado o carro, a bolsa, as compras, ter pego elevador, aberto portas, digitado senhas.

Só lembro que em décimos de segundo, estava em casa gritando o nome do caçula em desespero. Fui direto para a janela suspeita.

E foi lá que encontrei meu pequeno, pelado, em cima da bancada da área de serviço, de braços esticadinhos para cima tentando pegar sua bermuda preferida no varal.

A bancada fica de frente para a janela, que, graças a Deus, tem rede. E a babá, que estava lá dentro arrumando o quarto, chegou na mesma hora, mais branca que a parede e de cabelos em pé.

Quem precisa de montanha-russa, filmes europeus ou entorpecentes em um diaadia como esse? Fazer o sacolão é a própria aventura.

Até hoje meu coração – e o da babá – ainda está desacelerando do susto. Minhas próximas compras, é claro, foram uma dúzia de bermudas amarelas do “Toy Story” tamanho 4…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.