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Daniela Piroli Daniela Piroli

Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

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Advogado e Jornalista sugere debater e discutir – com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

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Psicanalista, consultora de viagens, amante da vida, arte e cultura na sua diversidade. Vamos conversar de viagens: nossas e pelo mundo.

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Cursando o último período de Jornalismo, além de editar o blog fará uma crônica semanal do nosso cotidiano.

Experiências e emoções numa viagem

Foto: Sandra Belchiolina
Foto: Sandra Belchiolina
Sandra Belchiolina
sandra@arteyvida.com.br

Conversando com Marcelo, artesão da loja “Coco e Prata”, em Milho Verde, ele esclarece que são os cristais que escolhem as pessoas, e não essas a eles. Assim, o assunto que trago me escolheu, por estar em plena ebulição.

Viajei acompanhando um grupo de turista para cidade do Serro, no final de semana passado (12/10), momento de comemoração do Dia das Crianças e também de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A motivação principal da viagem era assistir a Bolerata, show que ocorre no Centro Histórico do Serro. Contudo, fomos tocados por muito mais.

Esse município foi o primeiro a ser tombado no Brasil por seu conjunto arquitetônico e urbanístico, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o que ocorreu em 1938. O queijo do Serro também faz parte do patrimônio imaterial brasileiro, sendo o seu modo artesanal de preparo inscrito no Livro do Saberes, também do IPHAN. Outro patrimônio do local é o ambiental, sendo a região parte da Serra do Espinhaço, e com biodiversidade singular.

Foto: Sandra Belchiolina
Foto: Sandra Belchiolina

Acordamos no dia 12 de outubro nesse cenário e suas delícias. O dia amanhece iluminado, com luzes e vozes infantis. No nosso embarque para o distrito de Milho Verde, já encontramos carrinhos de pipocas, algodão doce, pula-pula e piscinas de bolinhas. Logo que chegamos nesse povoado bucólico, de ruas de terra, e que ainda mantém o traçado e a arquitetura da época da colonização, fomos atravessados por uma voz doce, que dizia: “hoje é dias das crianças!”. Nesse momento, há uma convergência de olhares para uma meiga menina de uns nove anos com uma boneca na mão. A cena era de uma doçura tamanha que, imediatamente, a criança foi cercada de perguntas:

T: você ganhou?
M: Ganhei, mas era grátis 
T: quer bala?

Foi uma cena memorável por sua pureza e simplicidade – doces ou travessuras – eu pensei. 

Seguimos nosso caminho entre fotos, risadas e muita prosa. Passando pela Capela do Rosário (onde Chica da Silva foi batizada), chegamos à casa de Dona Geralda.

Senhora quitandeira, com dez filhos, 34 netos e atualmente “global” – pois apareceu no programa Terra de Minas -. É a segunda vez que venho a sua “Casa de Quitandas” e continuo encantada com sua abertura para os turistas.

Com sua meiguice e paz, Dona Geralda disponibiliza um café com suas quitandas para o deleite da turma. Dessa vez, solicitei que contasse sua história de vida e, com muita emoção e reverência, nos deliciamos com um relato de dignidade, luta e amor.

Enquanto falava, seus descendentes buscavam lenha no quintal, a neta brincava com o bebezinho que ganhou, uma galinha estava sendo preparada na cozinha para o almoço da família. A casa era toda viva. Escutei de um turista: “ela lembra minha mãe”.

Foto: Sandra Belchiolina
Foto: Sandra Belchiolina

Continuamos o caminho até a loja do Marcelo. Os fogos em homenagem a Nossa Senhora começaram a estourar enquanto estávamos entre artesanatos e cristais. Alguém do grupo propôs uma oração, chamo todos para uma roda e, com muita presteza, o artesão busca um quadro de Nossa Senhora (se era uma pintura cusquenha, pouca importava).

Ali estavam pessoas emocionadas. Católicos, espíritas e budistas, desejando paz, amor, saúde para a humanidade. Olhos cheios d’água, eu vi! Voltando para o Serro, fomos premiados com a presença de crianças brincando de “pirulito que bate-bate” e “cinco Marias.”

Na semana da criança, é bom lembrar que elas precisam de brincadeiras, de criarem, construírem suas fantasias e não de brinquedos prontos. Como na oração de autor desconhecido: “Eu desejava reunir, ante os passos que darás na vida meus joviais pensamentos, para que eles se unam à tua vontade vital. E ela, fortificada, se encontre no mundo todo. Cada vez mais por si própria.” A noite chegou, ao som de bandas; bochechas pintadas de abelhinhas, borboletas e flores, que sonhavam, trazendo esperanças para todos.

Foto: Sandra Belchiolina
Foto: Sandra Belchiolina

 

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