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Minha dificuldade de cada dia em comunicar

Imagem: UAI/Estado de Minas

Não bastasse nosso mineirês, aliado às constantes abreviações nas palavras, agora somos obrigados a conviver com a internacionalização da língua em nosso cotidiano. Tem dias que sinto vontade de me trancar sozinho, não precisar mais comunicar e tentar me fazer entender. Lembro-me, logo que me mudei para Belo Horizonte, vindo lá do Araxá, e fui ver um show no Palácio das Artes.

Confortavelmente instalado numa daquelas suntuosas poltronas, aguardando o início da apresentação, a pessoa da cadeira ao lado me pergunta qual era a banda que ia acompanhar o artista. Fiquei atônito, afinal, até aquele momento, banda – ao meu entendimento – era aquela corporação musical com vários componentes e instrumentos que passava pela minha rua lá no interior. Aquela referência feita pelo meu vizinho de plateia seria orquestra e, já naqueles tempos, conjunto.

Cresci chamando as pessoas de “ocê” e achava chique meus primos paulistas e cariocas dizendo você. Tentava, até me esforçava, mas não conseguia acrescentar o “V” na fala. Aliviei quando percebi tanta gente dizendo “cê”. Ufa! Daí, cumprindo o objetivo da mudança de cidade para estudar, descobri que tudo isso fora precedido de vossa mercê, vossmecê, vois me cê, vós me cê, vosmecê, vomincê, até chegar a você, ocê e cê. Imaginei que pudesse até virar “ê”, mas não vingou.

Curioso com essa descoberta, passei a me interessar um pouco pelo fenômeno, daí me deparo e sou surpreendido com a origem do nosso “uai”. Primeiro, ao perceber que dizia uai o tempo todo e não me questionava sobre seu uso. Afinal, qual era o significado daquela expressão? Susto, indignação, satisfação? Era tudo. Por um tempo até me continha, tamanha era a gozação pelo excesso de uai. Não bastava o “erre” acentuado de quem chega do interior. Com o tempo, isso foi diluindo. Tanto o uso, quanto as “cornetagens”.

Optei pela explicação dando conta de que “uai, sô” veio do “why, sir”. Teria origem na Mina de Morro Velho, em Nova Lima, onde os ingleses indagavam ao chefe “porque, senhor”. Não bastasse o tradicional uai, temos uma série interessante e até curiosa de termos essencialmente mineiros. Inúmeros e divertidos são os diálogos que só nós entendemos. Qualquer forasteiro, seguramente, passaria mais dificuldade em entender nossa conversa que se fosse noutro idioma.

Imagem: UAI/Estado de Minas

“Oncotô” e “proncovô” já são manjados. Mas agregue-se a isso “sápassado”, “oiproceve”, “kidicarne”, “denduforno”, “lidileite” e a extraordinária “pronostamuinu”. Para quem não entendeu, seguem as traduções, pela ordem: “sábado passado”, “olha pra você ver”, “quilo de carne”, “dentro do forno”, “litro de leite” e fechando “para onde nós estamos indo”.

Temos ainda as estrangeiras (no caso, em inglês), que passam pelo aportuguesamento, até chegar ao mineirês. Vamos lá: “oh, my god – meu Deus – nú”; “excuse me – licença – arreda”; “let’s go – vamos – bora”; “bus – ônibus – onz”; “coffee – café – cafezin”; “business – negócio – trem”. E uma infinidade de outros que divertem e, ao mesmo tempo, deixam a gente perdido.

Se não bastasse, os tempos modernos agora nos impõe outro vocabulário. “Por exemplo”, agora é “tipo”. A todo o momento ouço isso. Não aguento mais, entro nas redes sociais e quero morrer. “Blz” sendo beleza, com dificuldade, passa. Mas “flw” ser “falou”? Duro! “Add” é pedindo para adicionar. “OMG” quer dizer “oh, meu Deus”, do inglês, “oh, my God”. “Cv” é conversar. Parei, não dou conta.

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