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Doris Alcântara é mineira do Vale do Aço, mulher, mãe do Kiko, da Lu e da Tal, empresária, apaixonada por esportes, viciada em American Football!!

Meu maior erro como CEO do Programa de American Football do Cruzeiro

O que aconteceu de verdade? Você não cometeu erros?  Você é a única certa e todos os outros estão errados?

Está é a maior curiosidade das pessoas que me questionam sobre o Programa de American Football do Cruzeiro.

Me questionam quais erros cometi. Quais são as minhas culpas de verdade? E ao mesmo tempo apontam falhas, contam estórias, afirmam inúmeras situações que nunca aconteceram, e declaram certeza do que jamais existiu.

Mas vamos aos fatos e principalmente, aos meus erros.

O Primeiro deles e o pior de todos no meu julgamento:

NÃO TER COMEÇADO DO ZERO.

Pra explicar isso precisamos entender como funciona o American Football nos EUA e no Brasil.

Principal expoente do American Football no mundo, NFL –  National Football League é a liga esportiva profissional de futebol americano dos Estados Unidos.

Divididos igualmente entre duas conferências: a National Football Conference (NFC) e a American Football Conference (AFC), 32 times compõem essa que é uma das quatro grandes ligas esportivas profissionais estadunidenses.

NFL é a liga esportiva com a maior média de público (67 591 por jogo) do mundo,[4] além de ser também a mais rica.[5

Mas não foi sempre assim, houve um tempo que nem campo pra jogar os times que praticavam o American Football tinham. Pra realizar suas partidas precisavam pegar emprestado os campos dos amigos do beisebol. Os atletas não tinham salário e o público não passava de 100 pessoas nas arquibancadas. Muitas foram as dificuldades até conquistarem o espaço nas TVs, e o esporte se tornar profissional.

Alguma semelhança com nosso momento atual do esporte no Brasil?

O American Football teve seu primeiro ato sendo parte apenas dos jogos universitários. A popularidade do futebol universitário cresceu e se tornou a versão dominante do esporte nos Estados Unidos na primeira metade do século XX. O futebol universitário ainda mantém apelo generalizado nos Estados Unidos.

A origem do American Football profissional tem data do ano de 1892, com o contrato de 500 dólares de William “Ponch” Heffelfinger para jogar uma partida pelo Allegheny Athletic Association contra o Pittsburgh Athletic Club.

A American Professional Football Association foi formada em 1920, mudou seu nome para National Football League (NFL), dois anos depois, e acabou se tornando a principal da liga de futebol americano do mundo.

A NFL é uma associação de proprietários, e ao contrário do que você leitor(a) pode pensar à primeira vista, a turma não é composta por milionários. Trata-se de bilionários.

O único jeito de entrar é comprando um time. O que acontece com certa frequência, porque os bilionários gostam de esporte e/ou como medida para diversificar investimentos.

Os 32 times que compõem a NFL são empresas privadas, denominadas Franquias. Uma estrutura muito diferente da nossa no Brasil. Todo o dinheiro que a NFL recebe das emissoras de televisão é repartido de forma igual entre essas 32 franquias.  Isso é determinante para que não haja diferença entre os times, todos merecem e recebem a mesma quantia de dinheiro para continuarem trabalhando. Dessa forma, não existe uma desigualdade tão grande em termos financeiros. Não podemos deixar de destacar também o incansável trabalho de marketing da NFL para divulgar sempre mais a Liga e o American Football ao redor dos EUA e do mundo. Várias são as ações, promoções e atividades que ajudam a levar o nome da empresa mais longe, e arrecadar ainda mais em benefício de todos. A renda dos times e todo o dinheiro vem então de três principais fontes de rendas das equipes da liga profissional de American Football: Televisão, vendas e lucro no estádio, e produtos licenciados.

Já aqui em terras “tupinikins”, o Campeonato Brasileiro de Futebol Americano é a competição nacional de American Football do Brasil, criada pela Associação de Futebol Americano do Brasil (AFAB), que depois foi denominada Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA). O campeonato é atualmente organizado pela Liga Brasil Futebol Americano (Liga BFA) sob chancela da CBFA com duas divisões: a Liga BFA – Elite e a Liga BFA – Acesso.[1]

Nesse modelo, a última edição da  Liga BFA Elite aconteceu em 2019 e tivemos 33 times participantes, divididos em quatro conferências:  Nordeste, Centro – Oeste, Sudeste, Sul.

  • Na Conferência Nordeste foram oito times divididos em dois grupos: Norte e Sul.
  • Na Conferência Centro-Oeste foram oito times divididos em dois grupos: Centro e Oeste
  • Na Conferência Sudeste foram dez times divididos em dois grupos: A e B.
  • Na Conferência Sul teve sete times no qual todos jogaram contra todos. Os quatro melhores times avançaram aos Playoffs, com o primeiro recebendo o quarto colocado e o segundo recebendo o terceiro. Os vencedores avançaram para a final de conferência. O campeão da conferência enfrentou o campeão da Conferência Centro-Oeste na Semifinal Nacional.
  • Os vencedores das Semifinais Nacionais fizeram a grande final, o Brasil Bowl X. Timbó Rex vs João Pessoa Espectros. O vencedor foi João Pessoa Espectros 45×21.

Infelizmente ainda não temos um contrato com emissoras para a transmissão integral dos jogos do campeonato. Apenas acordos isolados para transmitir a final ou um outro jogo. Uma diferença importante que nos coloca em desvantagem sobre visibilidade e, em consequência, financeira para a Liga americana e suas cifras milionárias.

Outra diferença é que aqui no Brasil times não são franquias e sim associações não governamentais e sem fins lucrativos e eis aí a fundamental diferença. Na gringa temos bilionários donos da sua franquia, aqui temos associados cooperando para o bom funcionamento. Na maioria das vezes sem recursos e muitos sem patrocinadores. Infelizmente, mais uma vez.

Essas associações são livres para incorporarem escudos de Clubes de Futebol tradicionais no Brasil. Temos vários já, tais como, Flamengo, Vasco, Corinthians, Palmeiras. Mas os títulos conquistados pertencem as associações e não aos escudos.

Sendo assim quando um Clube finaliza sua caminhada com uma dessas associação, ele sai sem títulos e deve recomeçar na Liga de Acesso.

Embora o escudo dos Clubes tradicionais de Futebol, abram, de certa forma, portas para a possibilidade de parcerias comerciais com empresas através de apoio em prestação de serviços, ou em alguns casos aporte financeiro através de ativação de marcas no time da associação, o Clube em si não aporta nada em espécie, papel moeda, cash, money, para as associações.

Contribuem em alguns casos cedendo espaço para treino nos CTs mediante acordo e possibilidade na agenda que não comprometa o andamento do foco principal para eles, o futebol da bola redonda. Abrem a torcida e incentivam a participação nos jogos, permitem o uso da marca no uniforme, na confecção de produtos e licenciados do universo do American Football para que as associações possam gerar suas receitas.

Em 2017 o Cruzeiro Esporte Clube firmou uma parceria com uma associação mineira chamada BH Eagles. Assinaram a parceria por um período de 12 meses, podendo ser renovado ou não. Realizamos a cerimônia de lançamento da parceria e do uniforme do time na Sede do Cruzeiro na Pampulha., conhecida como Toca 2.

Nenhum incentivo financeiro foi oficialmente prometido, alinhado, oferecido. Caso tenha existido foi combinado por fora e não constava no contrato oficial e registrado no jurídico entre Clube e Associação. Restringindo-se apenas ao uso do escudo em marca desenvolvida para a modalidade, desde que obedecendo as normas e padrões existentes, as cores do clube, em alguns momentos as dependências da sede. Nenhum valor foi prometido ser aportado à Associação, antes, durante ou depois, caso o contrato fosse renovado ao fim dos doze meses, por um novo período, vinculado a conquista de títulos. Essa foi uma das acusações que sofri quando a parceria deles foi encerrada. Que eu teria ficado com o dinheiro que eles receberiam para a renovação do contrato. Mentira. Repito, oficialmente essa situação nunca houve e nunca foi cogitada, se esse acordo existia, não era oficial e nem de conhecimento do jurídico do Cruzeiro. Nunca recebi nenhum centavo.

Assim como no American Football no Brasil, o futebol também é constituído como associação e a cada período, conforme estabelecido em estatuto, realiza novas eleições para presidência e diretorias.

Essas novas diretorias, como em todos os processos similares, têm seus próprios interesses e trabalham para realiza-los e o que não tem sentido para essa nova configuração é finalizado. Embora amemos com todas as nossas forças o American Football, ele não muda em nada a vida dos Clubes. Os Clubes continuam sendo Clubes e faturando alto no Futebol com ou sem American Football carregando seus escudos. Infelizmente, essa é a verdade. No Cruzeiro não era diferente naquele momento. As prioridades e interesses na nova gestão a princípio não incluíam o American Football e decidiram cortá-lo.

Mas, uma conexão que eu tinha, intercedeu pela modalidade e criou uma nova oportunidade. Porém não incluía a antiga Associação e exigiram uma nova Associação e mais, que estivesse, de igual forma, na primeira divisão, Grupo de Elite. A torcida não merecia essa situação de aparente rebaixamento, na visão deles. Voltar, ao início, após conquistar o título de Campeão Brasileiro não era uma opção.

Meu maior erro? Aceitar essa condição.

Se ali eu tivesse batido o pé e exigido a criação de uma Associação do zero, para a nova configuração como a dos outros times do American Football no Brasil, se tivesse me empenhado em conversar com as torcidas, criado uma estratégia de MKT para essa situação, 90% dos meus problemas teriam sido eliminados ali.

Mas a pressão diante do poder dos novos dirigentes e as políticas agressivas da concorrência, me fizeram aceitar a condição. Errei e paguei muito caro por meu erro.

Enfrentei o ego ferido dos antigos associados, e o ego inflado dos novos associados. Sem contar o peso da nova gestão do Cruzeiro que não era nada amigável e tinha uma  forma muito autoritária e extremamente agressiva de conduzir tudo.

Erro primário e imperdoável de minha parte.

Uma guerra declarada teve início bem aí. Fui apontada nas mídias sociais do universo do American Football como a nova encarnação do mal do Cruzeiro. Matérias foram geradas com a antiga Associação, nos veículos de comunicação que nunca abriram espaço para minha fala. Me acusaram de roubar o escudo.

Paralelo eu precisava de uma Associação para participar do Campeonato Estadual e da BFA em 2018 e esse era o meu foco. Então todo barulho que estava acontecendo do lado de fora não poderia me roubar um segundo sequer da minha atenção e não respondi as acusações. Começamos a pesquisar e ver as possibilidades. Nos bastidores o burburinho corria solto e o que se desejava saber é quem será o novo Cruzeiro American Football.

Mas isso vou contar no próximo post.

Eu sou Doris Alcântara e esse é o seu Helmet ON.

Bjukas Ovais

4 thoughts to “Meu maior erro como CEO do Programa de American Football do Cruzeiro”

  1. escreve tupiniquim. nao tupinikim. mta informação copiada de wikipédia. essa mania de chamar de “american football”. é futebol americano porra. quer abrasileirar? fala fabr. voce falava assim? pra que essa frescura de american football? e outra, nao é tão corajosa? por que nao deixa os comentários abertos no instagram? ta com medo de que?

    pra variar fala fala fala e até agora nada “bombástico” como tinha anunciado. Só ataca. Só meias histórias.

    Tamo de olhooooo dorivanaaaa

    1. Seja bem vindo Mário!! Obrigada por seu comentário!! É muito bom e motivador saber que vocês estão lendo, entendendo e interagindo!! Amo esse esporte e fui muito incompreendida e ainda sou. Então quando alguém me envia uma msg de paz, eu realmente me fortaleço! Deus o abençoe!!Continue acompanhando os conteúdos que traremos daqui pra frente!! Se você não acompanhava a modalidade, te convido a seguir!! Mais uma uma vez, muito obrigada!

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