DE VOLTA AO RIO KULUENE

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Na pesca esportiva, os peixes são devolvidos com vida ao rio. 

Todos os peixes exibidos nos artigos deste blog foram devolvidos.

No ano passado, voltamos a pescar no rio Kuluene.  Se bem me lembro, a primeira vez que pesquei lá, em trecho do rio próximo à cidade de Canarana, foi em 2001, e voltei lá mais uma vez, sempre para a mesma Pousada Matrinxã, do nosso amigo Serginho.  Porém, fazia mais de seis anos que não ia para aquela região. Reunimos um grupo de amigos, e fizemos uma viagem na forma tradicional:  de ônibus de turismo até Canarana, com a costumeira parada na loja do Armindo Bruetto.  Lá trocamos de ônibus,  embarcando na “jardineira” da pousada, para vencer os 130 Km de estrada de terra, que foram enfrentados com bom humor pela turma.

O rio Kuluene, principal formador do rio Xingu, é um rio que sempre me atraiu, pois apesar de correr por uma região já colonizada, formada por fazendas de gado e de grãos, vinha se mantendo numa condição bastante preservada, com variedade de peixes e bastante vida selvagem. Me lembro que, da primeira vez que lá estive, descobrimos ninhos de tracajás nas praias, com a ajuda do piloteiro, e vimos muitos animais, como capivaras, jacarés, patos selvagens, antas, mutuns, e outros.

Mas a pressão de pesca sobre aquele rio também cresceu, embora o rio esteja distante de centros maiores, que consumissem o pescado capturado por pescadores profissionais. O que distinguia nossa região de pesca era também a distância que a Pousada ficava das demais, situadas bem abaixo, perto da confluência do Kuluene com o Sete de Setembro. Agora há uma nova pousada rio abaixo, não muito distante de onde nos hospedamos, e  vimos muitos barcos  e acampamentos de pescadores, acessando o rio através das fazendas da região… e jogando lixo no rio. Encontramos garrafas e sacos plásticos, e imaginamos o que deveria estar acontecendo com o fundo do rio.

O nosso piloteiro nos disse que há pescadores profissionais que estão pescando ali na região e levando o peixe para ser vendido em Barra do Garças, na divisa com Goiás. E numa das manhãs da pescaria, vivemos uma cena que demonstra bem isso:  Dois pescadores vinham subindo o rio em nossa direção, acompanhando a margem oposta. Um deles estava de pé  bem na proa do barco, tendo nas mãos o que parecia um cabo de fisga. O outro tocava o barco devagar, enquanto o da proa observava com atenção o rio. Aí descobrimos que o que parecia uma fisga era um cabo longo de madeira com um gancho na ponta. O “pescador” da frente estava localizando um enorme espinhel de cabo de aço, que atravessava o rio de lado a lado, e que quando levantado mostrou dezenas de anzóis iscados com pedaços de peixe. Eles conferiram todo o espinhel, retiraram um cachara de uns quatro quilos, e foram em frente, provavelmente para outro semelhante.  Esses espinhéis são colocados de forma a não interferir na navegação dos barcos, e ficam invisíveis para os pescadores amadores.

É uma pena que a ignorância humana comece a atingir também o Kuluene. Esperamos que as medidas que estão sendo tomadas pelo governo de Mato Grosso, proibindo o abate de peixes por pescadores amadores (permitindo a prática do pesque-e-solte), e limitando a cota de pesca para os profissionais, sejam postas em prática e devidamente fiscalizadas por aquele estado.   Todos nós só temos a ganhar.

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