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Advogado, Mestre e Doutorando em Direito. Foi Superintendente de Gestão e Estratégia, Negócios Internacionais e de Futebol Profissional do Cruzeiro Esporte Clube. Realizou cursos de Gestão Desportiva pela Escola do Real Madrid (Espanha), pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Universidade do Futebol. Hoje, coordena o Curso de Gestão e Negócios no Esporte da Universidade FUMEC.

O uso da tecnologia como ferramenta para decisões nos esportes

 

Muito se tem falado no uso da tecnologia nos esportes, fundamentalmente em como ela pode ser aproveitada para diminuir erros que muitas vezes o ser humano não consegue evitar, dadas as limitações impostas em nuances de uma partida.

Embora presente em tantas modalidades como o tênis, volei, futebol americano, para citar rapidamente três exemplos, a sua adoção no futebol vem sendo feita de forma lenta e gradativa, limitada a uma questão orçamentária e complexa por se tratar de uma solução que dificilmente abrangeria cada praça de maneira simultânea e uniforme, devido a tantos fatores, em especial os econômicos e os políticos (a autonomia das confederações/federações e clubes para decidirem quando e como adotarem tal dispositivo).

Recentemente houve uma reunião dos 20 clubes da Série A com a CBF, na qual se debateu e se votou entre os clubes a adoção da ferramenta chamada de VAR, ou “árbitro de vídeo”. O resultado foi a decisão de não-adoção da ferramenta em um placar de 12 a 7, com uma abstenção de voto. Os clubes favoráveis foram: Flamengo, Botafogo, Bahia, Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Internacional, enquanto os contrários foram: Corinthians, Santos, América-MG, Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória e Ceará. O São Paulo não votou por ter se retirado mais cedo da reunião.

A justificativa apresentada, a priori, foi a de os clubes considerarem que os custos – R$50 mil por jogo – devem ser arcados pela CBF, enquanto a entidade máxima do nosso futebol pense exatamento o contrário. Sem consenso, a votação caminhou para o resultado apurado.

No futebol, impossível lembrar de uma equipe que não tenha reclamado de um lance em que se sentiu prejudicado pela arbitragem, que eventualmente leve a consequências técnicas e financeiras, como a eliminação de uma fase de mata-mata por um gol não marcado em que a bola tenha atravessado a linha do gol. Ontem mesmo, por exemplo, na 1a partida pela disputa da RECOPA, um jogador do Independiente foi expulso após o árbitro consultar o vídeo e ver que o mesmo havia desferido uma cotovelada em seu adversário, zagueiro do Grêmio.
Sem entrar no mérito sobre qual polo deve arcar com os custos de adoção do recurso, o fato é que $50 mil por jogo é um valor totalmente viável e dentro da possibilidade de custeio em uma partida, considerando que o impacto de uma eliminação em Copa ou perda de pontos em um campeonato de pontos corridos muitas vezes causa um prejuízo exponencialmente maior para a equipe prejudicada.

Imaginemos um exemplo de uma partida da Série A no ano passado, em que um clube seja prejudicado por um erro de arbitragem passível de análise por vídeo. Caso esse erro definisse a partida e a posição desse clube na tabela passasse de 8o para o 9o colocado, isso representaria deixar de arrecadar pela melhor posição final no campeonato, e, principalmente, perderia a vaga para a Libertadores e as receitas pela participação na mesma, o que faria os R$ 50 mil parecerem muito pouco para garantir mais mérito e justiça aos campeonatos, torcedores menos queixosos, imprensa menos questionadora etc…

No futebol às vezes gasta-se muito – e errado – com salários exorbitantes em todos os setores e pouco em infra-estrutura e desenvolvimento do esporte. Talvez essa seja a maior lição tirada dessa discussão. É preciso repensar..

2 comentários em “O uso da tecnologia como ferramenta para decisões nos esportes

  1. Os cinquenta mil reais por jogo para bancar o VAR, pode até ser viável, mas não considero aceitável.
    Até o momento o Cruzeiro teve uma renda líquida em torno de 345 mil reais (R$ 348.257.61 – Cruzeiro x América, R$ 340.312,39 – Cruzeiro x Uberlândia – Fonte: Site Superesporte). Se tivesse usado o VAR nessas partidas, baseado no preço que a CBF quis impor, o custo representaria 15% da renda líquida do Cruzeiro, o que na minha opinião é inaceitável.

  2. Sérgio,concordo que o preço do VAR por partida é justo,creio que brevemente teremos essa ajuda para que times não sejam prejudicados severamente como no exemplo que você deu em termos de classificação e prejuízo financeiro.Apesar de gostar e concordar com a formula antiga,também gosto da inovação,é difícil quando vejo o Cruzeiro sendo prejudicado pela arbitragem.

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