Skip to main content
 -
Advogado, Mestre e Doutorando em Direito. Foi Superintendente de Gestão e Estratégia, Negócios Internacionais e de Futebol Profissional do Cruzeiro Esporte Clube. Realizou cursos de Gestão Desportiva pela Escola do Real Madrid (Espanha), pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Universidade do Futebol. Hoje, coordena o Curso de Gestão e Negócios no Esporte da Universidade FUMEC.

Seattle Sounders: uma peculiar história de sucesso nos EUA

Gosto muito dos livros sobre futebol, principalmente os que relatam histórias inovadoras que podem inspirar outras equipes.

O livro acima – que, claro, recomendo – conta a história da criação do Seattle Sounders, atual campeão da MLS (Major League Soccer), o a liga de futebol norte-americana.

A criação de um clube nos EUA tem suas particularidades: da mesma forma como falamos da NFL em post anterior, os times são franquias, e sua criação depende de uma aprovação da Liga, que além de cobrar uma taxa pela implementação da equipe escolhe os locais onde elas podem ser instaladas, conforme análise que faz do mercado e do potencial de crescimento; assim, se a Liga entender que determinada região já está saturada, mesmo que se queira pagar o dobro do cobrado não é possível montar uma equipe na localidade.

A MLS começou em 1996 com 10 equipes e hoje já conta com 22; os planos são chegar a 32 equipes, tal qual a NFL. Outra história de sucesso de gestão – que ainda não é um sucesso de resultado desportivo como o Sounders – é o Orlando City, do brasileiro Flávio Augusto e onde Kaká jogou e se aposentou recentemente.

O objetivo aqui não é detalhar o livro, mas estimular sua leitura. Logo, não é a ideia resumi-lo, para destacar fatos que despertam interesse e nos fazem refletir. Dois deles me chamaram a atenção:

De 4 em 4 anos a torcida é chamada para uma votação para saber se o Gerente Geral (manager) do time deve permanecer ou não no cargo. Medida interessante, claro, mas que gera polêmicas. Nos EUA não existe a paixão e identificação com os clubes que temos no Brasil – tanto que lá, conforme forem os incentivos financeiros e o interesse da liga, uma equipe muda de cidade de um ano pro outro. Assim, com essa paixão mais aflorada por aqui, questiono se a participação direta dos torcedores em decisões técnicas é boa ou ruim; não existe time grande sem torcida, que é a alma e a razão de existir de qualquer clube. Mas também sabemos que o torcedor age mais com o coração do que com a razão. Tanto que, não raro, quando vemos clubes fazendo loucuras financeiras para contratar um jogador, mesmo sem poder, a torcida aplaude, ainda que o compromisso vá prejudicar muito o clube no aspecto financeiro. De qualquer forma, não deixa de ser uma curiosa medida.

Outra decisão interessante: certa vez o time jogou muito mal e perdeu de 4 a 0 dentro de casa: a Diretoria então, logo após, determinou que as 32 mil pessoas que pagaram pelos ingressos para ver o fracasso da equipe tivessem o valor do mesmo reembolsado. Não exime, obviamente, a tristeza pelo resultado ruim, mas também é muito interessante a mensagem passada à torcida: “não fomos dignos de justificar o valor que investiram”.

Essas e outras histórias, sobretudo da forma de relacionamento com os torcedores, estão melhores detalhadas no livro acima.

Pretendo, pelo menos uma vez ao mês, recomendar alguma leitura aqui. Espero que gostem e opinem depois.

Último post ano: um ótimo 2018 a todos! Comecei por aqui no fim de 2017, portanto, espero que ao longo da próxima temporada nossa relação se estreite e aumente a participação de todos por aqui.

Grande abraço

SSR

9 comentários em “Seattle Sounders: uma peculiar história de sucesso nos EUA

  1. Várias outras histórias do livro poderiam ser contadas, porém, acredito que o mais valioso exemplo esta na gestão e preparo dos atores para que o Sounders FC se tornasse sucesso, excelente leitura.

  2. Sou brasileira e morador de Seattle. A pequena correção é que o Sounders não é o atual campeão – perdemos a final para o Toronto-FC. dois anos seguidos a final foi TorontoxSeattle, SeattlexToronto. Levamos ano passado mas esse ano foi do Toronto.
    Cruzeiro de coração admiro a média de 30.000 pagantes do Sounders quando mandante.
    Parte disso devido ao poder aquisitivo do americano – cobras R$199.00 numa camisa de clube no Brasil é para mim uma piada – de mau gosto – quando o salário mínimo é realmente mínimo.
    Abraćos,
    Guilherme

  3. Eu não estou surpreso pela atitude dos dirigentes em devolver o valor do ingresso ao torcedor,apesar que não sabia.Seattle fica no noroeste dos EUA,eu morei muitos anos, e tive uma filha nascida em Massachusetts, no nordeste do país,apesar da longa distância de um ponto para o outro do país,os valores da cultura americana são o mesmo,pelo bem ou pelo mau.Vou adquirir o livro,e vai ser o primeiro livro que vou ler a respeito de futebol,obrigado por sugerir.Lembro vagamente de um time de basketball que mudou de cidade na década passada,mas nao lembro o motivo.

    1. Caro Edgar,

      Em verdade, os valores do noroeste do EUA (New England) e o “Pacific Northwest” são quase opostos, mas isto fica para outra oportunidade.
      Sou Cruzeirense, morando há 17 anos fora do país, e 14 destes na região de Seattle. O time de basquete mudou de cidade porque, como todos os times de liga tentam, fez demandas para reforma da arena de basquete da cidade (a “Key Arena”) com dinheiro público. Os cidadãos, que no condado tem direito a voto nestas questões, acharam os termos abusivos, e votaram contra. O time mudou-se, e virou o Oklahoma Thunders. Ao final, a cidade só ganhou com isto, pois mandou um recado claro de que só aceitava termos de construção ou reforma de estádios e arenas com a devida contra-partida.

      E, exatamente pelos valores diferentes da “New England”, onde o futebol americano domina as atenções, em Seattle há tempos a população pratica o futebol (“soccer”). Todos os parques tem campo de futebol com gramado artificial, e luzes para prática noturna. Esta prática do esporte, mais do que apenas a presença de público e suporte ao Sounderes, é que diferencia a região de Seattle dos outros clubes.

  4. Acho muito interessante a participação da torcida na aprovação ou não das decisões técnicas dos dirigentes. Porém aqui no Brasil, infelizmente as torcidas não agem com a razão, e sim com a paixão. Daí torna-se perigoso a participação da torcida. Más muito interessante. Vou adquirir o livro, para ter compreensão, e uma opinião formada. Parabéns Serginho. Sucesso em 2018. Deus te abençoe.

  5. Senhor Sérgio Santos estou adorando suas analises e diversidades abordadas em seu blog!!!! Parabéns!!!!! Que 2018 possamos aprender muito mais!!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *