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Advogado, Mestre e Doutorando em Direito. Foi Superintendente de Gestão e Estratégia, Negócios Internacionais e de Futebol Profissional do Cruzeiro Esporte Clube. Realizou cursos de Gestão Desportiva pela Escola do Real Madrid (Espanha), pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Universidade do Futebol. Hoje, coordena o Curso de Gestão e Negócios no Esporte da Universidade FUMEC.

Quanto vale o ingresso de um jogo?

(Fonte: Reprodução/Twitter)

 

Em janeiro de 2018 estarei em Orlando (EUA) e resolvi ir ao Amway Center assistir novamente o Orlando Magic, levando a família dessa vez. Como meus filhos João e Maria conhecem o Mineirão, claro que pra ver o time do coração, acho que seria válido desde já mostrar a eles a organização de um jogo nos EUA. Imagino, inclusive, que com a infinidade de atividades fora do ambiente do quadra, o último lugar que eles vão ficar é dentro do ginásio vendo a partida de basquete…

 

Mas uma coisa me chamou atenção na pesquisa: haverá jogo dia 3/1 contra o Houston Rockets e dia 6/1 contra o Cleveland Cavaliers, uma das principais equipes da NBA, campeã na penúltima temporada, finalista da última e encabeçada pelo ídolo LeBron James. Qual não foi minha surpresa ao ver que para o jogo contra o Rockets achei ingressos de 80 a 100 reais, todavia, contra o campeão, os ingressos mais baratos disponíveis são mais que 300 reais, para os piores lugares… absurdo ?

 

Na minha opinião não; pelo contrário, justíssimo. Lei da oferta e da procura; o espetáculo maior, com mais ídolos, que tem mais gente querendo ver, custa mais caro. E esporte é negócio, precisa de dinheiro pra rodar a máquina. Assim, os melhores jogos devem custar mais caro.

 

Isso me remonta ao fatídico episódio da Copa do Brasil de 2014, quando o Cruzeiro, observando que o jogo era especial, colocou preços mais altos nos ingressos em seu mando de campo.  Como bem divulgado à época, o Ministério Público interveio e a justiça acabou determinando a baixa dos preços. ISSO SIM FOI E É UM ABSURDO!

 

Esporte é feito de entidades privadas e precisa dar lucro. Tem contas pra pagar. Tem torcida exigindo investimento. Já escrevi nesse espaço o quanto admiro a NFL e as outras ligar norte-americanas exatamente por isso: profissionalismo e organização. Mais que isso: não tem vergonha de mostrar que o esporte também é negócio.

 

Por aqui demonizamos esse entendimento, erroneamente. E talvez isso mostre que pra nossa evolução de uma forma geral precisamos, antes de tudo, de uma mudança cultural mesmo. Eu nunca vi o MP questionar que o show do Paul McCartney é mais caro que o do NX Zero, por motivos óbvios. Mas quando falamos de futebol todo mundo quer dar palpite já que é a paixão nacional.

 

Que usemos o exemplo dos EUA, mais uma vez, para evoluirmos. Deixemos o esporte se adaptar às leis da economia e reconheçamos que essa paixão nacional, que mexe com tantos corações e sentimentos, não deixa de ser um negócio e merece ser tratado como tal.

14 comentários em “Quanto vale o ingresso de um jogo?

  1. De acordo,tem que tirar o chapéu para o organização dos Americanos.Totalmente lógico ingressos mais caros para as melhores partidas.O MP,pisou na bola não permitindo o Cruzeiro cobrar um preço justo naquela partida.

    1. Corrigindo uma informação que talvez tenha fugido à memória de vcs: o MP exigiu redução de preços para a carga destinada à torcida do Galo. A diretoria do Cruzeiro majorou os preços em retaliação ao Atlético devido ao primeiro jogo no Independência o Cruzeiro ter ficado com menos de 10% da carga. O MP pediu a redução alegando que o setor do visitante era idêntico ao do torcedor cruzeirense equivalente, por isso exigiu equiparação no preço.

      1. Não foi não Ramon; advoguei nesta causa ! O pedido foi para reduzir o preço de um setor inteiro – o roxo; o ingresso visitante era comparado a esse setor !
        Abs

  2. Tenho acompanhado sua coluna e gostado bastante do que leio. Apesar de concordar com o assunto abordado neste texto, levanto as seguinte questões:

    O futebol brasileiro, desde os seus primórdios, possui em seu público uma maioria esmagadora de pessoas vindas das classes mais pobres. Quando o time está na pior e precisando de apoio da torcida, os ingressos são baratos justamente para atrair o apoio torcedor (vide o próprio Cruzeiro em 2015).

    1. Logo, não seria injusto com o torcedor mais pobre atraí-lo quando o time está mal e excluí-lo quando o time está bem?

    2. Na final da Copa do Brasil de 2014, o setor destinado à Minas Arena estava praticamente vazio, os preços praticados naquele jogo estavam altíssimos, inviabilizando a ida de muito torcedor. Do ponto de vista comercial, não seria mais vantajoso lotar o estádio a preços menores do que um público menor pagando altos valores? Acredito que quanto mais gente estiver no estádio, mais dinheiro aquele evento vai movimentar.
    Sem falar para a imagem do clube: fica muito feio olhar na tv e ver aquele mosaico cinza.

    Bom é isso!

    Abraços.

    1. Boa Tarde Diego, tudo bem ? Obrigado pela mensagem. Mas meu ponto é exatamente que o mercado regula isso. Se tinha lugar vazio, é porque o cálculo do preço foi mal feito. Sou simplesmente contra interferência do MP no assunto; ademais, pela melhora da espetáculo, que deve ser muito mais que jogo, assim, o preço mais alto valerá.
      Abraço

  3. Serginho, torço para que componha a próxima diretoria do Cruzeiro. Você tem muito a acrescentar ao maior de MG. Se não for possível, que um dia seja nosso presidente.

    1. Obrigado Gustavo ! Um sonho a gente não abandona; sempre estaremos em busca de alcançá-lo, com muito trabalho, esforço, estudo e dedicação ! Abs

  4. Ler um texto desses reforça que, apesar do Wagner Pires, devemos agradecer aos Deuses de você ter perdido a eleição do Cruzeiro.
    É claro que futebol também é negócio, mas nem tudo se regula com a superficialidade da ideia da oferta e demanda (conceito ultrapassado mesmo pros autores liberais), ainda mais se aplicando à lógica de torcida, que não é simples cliente que pode buscar um produto concorrente. Futebol é sobre comunidade, sobre pertencimento e sobre paixão. O ingresso de uma final ser mais caro é aceitável. Mas ser muitas vezes mais caro é sim um abuso, principalmente com aqueles que acompanharam e empurram o time durante toda a campanha. Esses na verdade deveriam ser premiados com uma facilidade de estarem presentes no momento de glória.
    Potencial de gestão você parece ter. Agora falta entender que futebol nunca foi e nunca será só negócio. A não ser que vocês queiram matá-lo.

    1. Boa Tarde Bruno ! Não defendo que será “só negócio”, mas sem dúvida nenhuma é um negócio no mundo todo, tal qual qualquer esporte. (O que não exclui a paixão, obviamente…)
      Não acho que só a final deve ser cara não; os jogos com menos demanda devem ser MUITO mais baratos sim e para aqueles que acompanham o tima o campeonato todo tem o sócio torcedor, com preço fixo e anual ! O contribuinte mensal e assíduo, obviamente, não sentirá as oscilações, tal qual em qualquer lugar do mundo.
      É a visão que tenho de tudo que li, vivi e visitei – e olha que não foi pouco – mas nem sempre todas as opinões serão iguais.
      Grande abraço !

  5. E mesmo o MP baixando o preço dos ingressos, não conseguiram encher o Minera na final da Copa BR de 2014…
    Qual era a “procura” pra justificar o valor?

    Já que futebol é “negócio”, deveriam ter feito igual nos antigos confrontos e colocado 50% pra cada torcida?

    1. Boa tarde Daniel! Por opinião PESSOAL, também sou a favor dos 50%.
      Quanto ao jogo não ter enchido, são diversos outros fatores; um deles: o Cruzeiro havia sido campeão 4 dias antes. Muitos não voltaram depois.
      Mas o mecanismo de oferta e procura não se ajusta de um dia pro outro. Depende de um tempo.
      Abraço

  6. Meu sonho impossível , jogar e ganhar na mega , para poder transformar o nosso ‘ Mineirinho’ no famoso MSG/NYC . Vão transformar ele num mercado…estou muito triste , com os 7 empresários.

    1. Caro Ramon, mas que transformar no MSG em estrutura, precisamos mudar o conceito geral da venda de competições e sua organização.
      A começar pelo calendário: é difícil explicar pra um estrangeiro que no Brasil os jogos mudam de data 1 semana antes por mero pedido…imagina o sujeito que veio do exterior pra ver um jogo desses ?
      Abraço !

  7. Lembro que nesse jogo o estadio não ficou lotado ,logo questiono se realmente os preços estavam adequados pela lei da oferta e demanda;obviamente que não.Se os preços estão abusivos com reclamação do público ,então os preços serão reduzidos,pelo mecanismo de equilíbrio ,no qual O Preço justo é encontrado com a sua demanda,o que não aconteceu pelo já mencionada estadio não lotado,o que é um absurdo por se tratar de um jogo de final de campeonato .

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