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Advogado, Mestre e Doutorando em Direito. Foi Superintendente de Gestão e Estratégia, Negócios Internacionais e de Futebol Profissional do Cruzeiro Esporte Clube. Realizou cursos de Gestão Desportiva pela Escola do Real Madrid (Espanha), pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Universidade do Futebol. Hoje, coordena o Curso de Gestão e Negócios no Esporte da Universidade FUMEC.

NFL: o exemplo de gestão

5a feira, hoje é dia de NFL, a National Football League; a liga do esporte que encanta cada vez mais os brasileiros.

Embora seja praticado em vários países do mundo, nenhum tem um torneio tão organizado quanto os criadores do esporte, assim, diferentemente do que conhecemos como futebol, que tem vários bons campeonatos assistidos mundialmente, a NFL é soberana no seu ramo.

Difícil descrever os vários motivos que fazem o esporte ser tão encantador: imprevisibilidade, inteligência, estratégia, pluralidade e por aí vai. Aqui jogam o gordo, o magro, o alto, o baixo, o forte e até o mais fraco, apesar de ser um esporte de grande contato. São muitas as qualidades…

Mas como nos propomos a falar de gestão, para mim o que  mais encanta é este fator: como a NFL chegou a este ponto.

Primeiro, sem dúvidas, com uma regulamentação profissional. Os times são franquias (empresas) e não associações; tem proprietários e tem objetivo de dar lucro. Tanto que, se precisarem, mudam o time de lugar se verem que outra cidade pode ser mais lucrativa. Exemplo mais recente são os Raiders, que já anunciaram a mudança de Oakland para Las Vegas em 2019.

A Liga também é entidade privada, e do seu CEO exige-se resultado. Não tem tribunal: se errar, o atleta ou técnico é punido sumariamente nos termos que a Liga achar justos, inclusive no âmbito particular, já que a Liga preocupa-se muito com sua imagem. Assim, se o jogador é pego com droga, dirige alcoolizado, é preso por briga na rua ou comete qualquer outro ato em sua vida particular, fora dos campos, a Liga também o pune.

Mas além da organização há um outro fator fundamental: o estímulo à competitividade. Quando muitos pensam que o rebaixamento é importante em competições para dar emoção, na NFL não existe rebaixamento. São sempre as mesmas 32 franquias que jogarão o campeonato, independentemente do resultado em campo.

Mais ainda, o pior colocado é premiado: tem o direito de escolher primeiro no chamado draft, processo de escolha dos talentos que vieram da Universidade. Busca-se, assim, reforçar o pior para ele ser mais competitivo.

Direitos de TV, venda de produtos e até mesmo ingressos para os jogos: todas as receitas são divididas, obviamente, em proporção diferente conforme for a receita; mas sempre uma parte dela vai pro “bolo” que é repartido igualmente depois. Assim, se você compra um boné da equipe que gosta, todos receberão parte do valor.

Por isso que alguns brincam que Liga que mais movimenta dinheiro no mundo é a mais socialista. Arrecada muito e divide muito, aplicando a velha máxima do ganha-ganha. E assim estimula a competitividade…

Os números, então, são os mais impressionantes e quebram todos os paradigmas; o principal deles: jogo televisionado tira o público do estádio.

Mentira: a NFL prova sendo detentora dos seguintes recordes, que mostraremos os números abaixo: maior contrato de TV de um esporte, maior número de telespectadores e maior média de público de um campeonato. Ou seja, se o espetáculo é bom, e hoje sabemos que o esporte para ser atrativo precisa ser muito mais que um jogo, é possível vendê-lo para todos os públicos.

Quem já foi a um jogo da NFL sabe do que estamos falando: acesso bom, estádio limpo, comida e bebida de qualidade e, como tudo que se preza nos EUA, uma loja para comprar lembranças. Sabemos que outros esportes americanos também adotam tal modelo – NBA, MLB, NHL, MLS – mas, indiscutivelmente, o alcance da NFL é inigualável. Prova disso: seus números:

U$ 7 bi/ano: total dos Direitos de transmissão, divididos entre 6 companhias;

111,3 milhões: audiência do SuperBowl, a grande final, de 2016, só dentro dos EUA

U$ 85,83: média de preço do ingresso

U$ 4,8 bi: valor dos Dallas Cowboys, a equipe esportiva mais valiosa do mundo

 17,79 milhões de pessoas foram aos jogos da NFL em 2016

69.487 por jogo: média do público presente em 2016; para comparação o Campeonato Alemão está em 2o lugar com média de 42.421 pagantes

U$ 5 milhões: custo médio do comercial de 30 segundos no SuperBowl, o horário de TV mais caro da mundo

Se eles chegaram nesse ponto, certamente tem algo a ensinar…cabe a nós aprender e colocar em prática ! Vamos ao jogo !

Abraço

SSR

 

Um comentário em “NFL: o exemplo de gestão

  1. Perfeito, exemplos que podem e devem ser seguidos para o nosso , na minha opinião, apenas com a ressalva para o não rebaixamento, que a meu ver no Brasil devido ao número elevado de equipes incentiva a competitividade entre as ligas A, B, C e D, porém, entendo que uma menor discrepância entre os prêmios deveria ser urgentemente repensada a fim de maior ajuda aos clubes menores.
    Parabéns para o que espero seja o primeiro de muitos bate papos sobre gestão do esporte.

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