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Cristiano Lamas
Advogado com MBA em Finanças e fanático pelos negócios no esporte.

Coronavirus vai mudar o mercado do futebol mundial

A FOLHA ouviu especialistas sobre os impactos do coronavirus no mercado do futebol e todos  afirmam que a pandemia mudou de maneira irremediável o mercado do futebol.

Para alguns deles havia uma bolha (nos valores das transferências) de atletas e ela ia estourar a qualquer momento, e acabou estourando da pior maneira possível.

Nada será como antes. O futebol não será o que foi no passado. Esta é uma crise sem precedentes e com o futebol está parado desde março por causa do vírus. Dirigentes de times de todos os continentes estão desesperados para que os jogos retornem, mesmo que com portões fechados. Por conta da falta de dinheiro a maioria dos clubes brasileiros estão com dificuldades de manter seus compromissos em dia, alguns só estão vendo piorar suas já combalidas finanças.

A multinacional de auditoria KPMG estima que as cinco principais ligas nacionais da Europa (Alemanha, Espanha, Inglaterra, Itália e França) vão perder US$ 4,33 bilhões (R$ 22,3 bilhões) se a temporada não for finalizada dentro de campo.

Caso isso aconteça, a Premier League, dona dos contratos de televisionamento mais lucrativos do planeta, teria de pagar multa de quase US$ 900 milhões (R$ 4,63 bilhões).

A janela europeia, que sempre movimenta muito dinheiro, estava programada para abrir em 1º de julho indo até 31 de agosto. No ano passado, ela movimentou US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões na cotação atual) nas mesmas cinco principais ligas do continente, segundo estudo da Deloitte Sports Business.

Este assunto gera suspense por causa da doença. Não se sabe quando vai abrir ou se isso acontecerá em breve. A Eurocopa de 2020, que seria disputada entre 12 de junho e 12 de julho, foi adiada pela UEFA para 2021. De acordo com a Federação Norueguesa de Futebol, o torneio acontecerá de 11 de junho a 11 de julho do ano que vem.

Alemanha e Inglaterra descartaram encerrar a temporada por decisão administrativa, sem os resultados em campo. A Bundesliga planeja retornar em maio, apoiada em princípio no sistema de teste de coronavírus em massa na população adotado pelo governo do país. A Premier League acredita que isso será possível no Campeonato Inglês apenas em junho, na melhor das hipóteses.

A indefinição e a crise financeira estão também no Brasil, onde há a mesma determinação para jogar, nem que seja com portões fechados. A Globo ainda não pagou a última parcela dos direitos de transmissão dos principais estaduais. Apenas em São Paulo, o valor está em cerca de R$ 30 milhões.

Há também o impacto nos salários, que se tornou motivo de controvérsia na Europa. No Brasil há o potencial para acontecer o mesmo.

A crise gera impactos também no salário dos jogadores aqui e no mundo. Atletas defendem que qualquer negociação sobre salário tem de passar pelo sindicato. Tem de ser uma solução negociada, não de cima para baixo. A entidade nacional da categoria, a FENAPAF (Federação Nacional dos Atletas Nacionais de Futebol), rejeitou no mês passado propostas dos clubes e da CBF para reduzir os vencimentos dos atletas em 25%.

A tendência mundial é que os salários sejam achatados. Principalmente nas pequenas agremiações.

Os clubes vendedores perderam o poder de barganha, sem dúvida. Vários vão usar isso na hora de definir salários de novos jogadores ou na renovação de contrato. A lógica de mercado dos times sul-americanos é a da venda de jogadores.

Como o futebol é uma parte da sociedade, as consequências do coronavírus podem ser parecidas. Se a pandemia fez países fecharem suas fronteiras e impedirem a entrada e saída de pessoas, o mundo da bola terá de voltar o olhar para o mercado interno. Principalmente as nações que costumam ser mais vendedoras, como Brasil e Argentina.

O mercado terá pouca ativação. Não acontecerão grandes movimentações. Tenho certeza que haverá uma grande reflexão sobretudo no futebol, especialmente no Brasil. Vai ter uma reeducação financeira. Os casos mais viáveis para os clubes se reforçarem serão no mercado interno, com jogadores em fim de contrato nos estaduais que, por enquanto, ninguém sequer sabe quando vão acabar.

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