Aqui, não falo de política!

Para aqueles que estão cansados de discussão no almoço de domingo

 

Dizem por aí que o futebol é um dos grandes responsáveis pela alienação do povo brasileiro. Que seja! E quem disse que ser alienado é ruim? Às vezes, precisamos tomar certas decisões na vida. Eu tomei a minha: não faço mais análises da conjuntura política e nem vou perder tempo com isso. Saber das coisas não muda nada, não é? Falar, até papagaio fala! Já diria Tito Passoca, melhor banco de lateral direito que jogava na esquerda. Aos domingos, no time reserva do Palmeirense, no Pindorama, atuando no campo de terra, nunca vi outro igual.

Para você que se cansou de discutir durante o almoço de domingo com a família, deixa isso pra lá. Faça que nem eu. Agora, só dedico meus dias às análises futebolísticas. Confesso que minha vida ficou bem melhor assim.

Desde então, fico atento aos craques da esquerda. Não sei você, mas comecei a perceber que os melhores atacantes estão por lá. Gente corajosa, veloz, que pensa pra frente e não perde a vitalidade juvenil. Dribladores por natureza. Pepe, Alex, Gérson, Rivelino, Rivaldo, Messi e Maradona. Não tenho dúvidas, aquele lado do campo é terreno fértil para o nascimento de gente inspirada, de bem com a vida, que carrega o time com o dom divino da alegria e da esperança.

Para não ser injusto, admitamos que a direita também tem seus craques, gente fina, elegante e sincera. Afinal de contas, não é possível jogar apenas por um lado do campo. Em vários momentos da história, a direita foi necessária para o equilíbrio da partida. Não apenas porque a esquerda, por vezes, é voluntariosa e se perde em vãs ilusões, mas sobretudo porque a direita é competente em atacar e defender ao mesmo tempo, tarefa que exige uma visão mais madura da peleja. Cafú, Sérgio Ramos, Carlos Alberto Torres.

Nessa toada, também temos que admitir a contribuição que a meiúca dá para um jogo cadenciado. Muito bonito, às vezes. Utilizada para alavancar o time na necessidade de construir resultado, ou responsável pela parte conservadora do jogo, ali sempre atuou gente pragmática, até mesmo alguns jogadores burocráticos. Na necessidade de segurar um empate ou mesmo não tomar mais nenhum gol, o centrão tem seu papel. Quando decide atacar é por um viés artístico-teatral, tombando como destra ou canhota, sabe fazer a leitura do cenário, se ele está mais progressista ou conservador. Manter um bom meio-de-campo é importante para um jogo bem jogado.

Agora, uma coisa é fato. Consenso entre todos: todo time que não presta sempre tem alguém tentando colocar a culpa nos juízes. Mania chata. Sério mesmo. Entendo que os deuses do futebol não deram a todos a mesma capacidade para a compreensão do jogo. Mas existem aqueles que, sabendo de suas limitações, aceitam a condição de coadjuvante.

Não dá pra aceitar quem quer, na verdade, acabar com o jogo. Aqui, não! Nessa hora, temos que nos unir contra esse tipo de gente, independentemente da cor da camisa, e mandar escoltar para fora do campo! Sob vaia da torcida! Tipo de jogador (ou de torcedor) que incentiva à homofobia, é conivente com racismos de toda ordem, desvaloriza a mulher e quer entrar em campo armado. Esses não querem jogar, desejam apenas avacalhar a alegria de gente comum, como eu e você.

Sabe aquela coisa do dono da bola? Geralmente é o menino mimado da rua. Ele decide acabar com o jogo só porque está perdendo ou sabe que vai perder. Usa a tática do pombo. Nunca ouviu falar? Explico. O pássaro não sabe jogar xadrez, porque lhe faltam habilidades cognitivas para isso, mas, se tiver perto dos jogadores, é capaz de subir em cima do tabuleiro, sujar tudo, espalhar as peças e ainda sair de peito erguido.  Isso não cabe mais em nossas partidas. Seres tacanhos que pensam que irão vencer no grito ou na bala.

Mas, não podemos virar as costas para eles. É sempre interessante a gente se perguntar: como esse tipo de pessoa conseguiu entrar no futebol? Bom…  A resposta não é tão fácil como parece. Ao contrário, é bem complexa. Talvez seja preciso relembrar o ovo que, por volta de 21 anos, a serpente chocou. No entanto, enquanto ainda não temos resposta, pra ajudar a pensar, talvez seja saudável ouvir que outros outubros virão. Outras manhãs, plenas de sol e de luz.

Olha… tá aí outra dica boa: para quem cansou de discutir política. É sempre bom terminar um domingo ao som de Elis Regina e Milton Nascimento.

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