Um presidente e suas orelhas

Salão Verde
Entrevista
Dep. Jair Bolsonaro fala sobre comissao da verdade
Foto: janine Moraes
05.05.2010
Para Sócrates, o mal é fruto da ausência de reflexão. Trocando em miúdos: a ignorância é a grande responsável pelo desvio de conduta do homem. Mas não qualquer ignorância…
Existem aqueles com o desejo de saber, justamente porque têm a consciência de que ainda não sabem tudo. Esses são os amigos da sabedoria, os filósofos, como o próprio Sócrates. Mas, ao contrário, existem aqueles que, mesmo não sabendo, afirmam saber de tudo! Esses sim! São os verdadeiros ignorantes. A questão, dessa forma, não é apenas ter desconhecimento, é mais do que isso, é ter orgulho da ignorância! Minha mãe chamava isso de teimosia. E nada melhor para refrescar nossa memória, quando se fala de teimosia, do famoso Asno, popularmente conhecido como burro. Não cometamos nenhuma injustiça com o pobre animal! Ele, inclusive, tem forte ligação com o Messias (calma gente… Estou falando da manjedoura, do Natal) Todos sabemos que a questão com o burro não é apenas a inteligência, mas, principalmente, a TEIMOSIA!
Isso me faz lembrar de Midas que, coincidentemente, exercia um cargo de poder na Grécia antiga. Era um Rei. E qualquer semelhança com os tempos atuais é mera coincidência. Ele também tinha um Ministro inepto, um Chanceler lunático e prole problemática. A questão é que, certo dia, Midas resolveu desafiar o deus Apolo. Para quem não sabe, Apolo era filho de Zeus. Ele é sempre representado com uma lira de ouro na mão. Apolo é o deus da perfeição, da música, e, também, para muitas culturas, é o deus da cura, que distribui a ciência da medicina ao homem. Além disso ele é o deus da luz e da verdade (conceito difícil depois dessa era de fake News)! E você deve estar se perguntando: – como ele desafiou Apolo? A história é simples. Midas ficou encantado com a flauta rústica de um outro deus, chamado Pan. Ao contrário de Apolo, Pan era um ser desordenado, metade homem metade bode. Ele era relacionado às forças incontroláveis da natureza, dos instintos. Pan era assustador, o oposto da sabedoria. Inclusive, é daí que surge a palavra PAN-ico! Apesar de tudo isso, a flauta de Pan era um instrumento hipnótico. Não é à toa que em várias historinhas infantis surge uma flauta para entorpecer algo ou alguém. Pois bem… Midas comete a teimosia de colocar a CIÊNCIA de Apolo contra o INSTINTO de Pan. Já sabe quem venceu, não é? Lógico que foi Apolo, representando a ciência e a verdade. Como castigo, Midas teve que ostentar grandes orelhas de Asno, uma espécie de ode à ignorância, marca da teimosia.
Após ouvir o pronunciamento do Presidente da República, aquele que possui um vasto histórico de atleta, principalmente em relação às flexões de braço, foi inevitável a lembrança do famoso Rei Midas. Não só pela teimosia, não só por desconsiderar a ciência, não só por abandonar a busca pela verdade, não só por optar pelos instintos, ao invés da sabedoria, não só pela letargia hipnótica da família a qual ele pertence, mas, principalmente, porque Midas também não conseguiria colocar a máscara de proteção, pois compartilha das mesmas orelhas do Presidente.

Em tempo: aqueles que afirmam ser o bastante possuir um histórico de atleta para sobreviver ao Covid-19 são os mesmos que pensam que as pessoas são pobres porque não poupam e, coincidentemente, são as mesmas pessoas que acreditam na terra plana.

Apolo ou Pan? Sócrates ou Midas? A escolha é sua.

Hoje não tem futebol. Tem utilidade pública.

6 thoughts to “Um presidente e suas orelhas”

  1. Gostei, perfeito o texto, nesses tempos que precisamos de serenidade e sabedoria, temos por parte do nosso presidente, insensatez e ignorância, é impressionante o grau de tolice desse sujeito.

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