Primeiras impressões sobre o BRT/Move

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Antes de mais nada, um pedido de desculpas ao habitual leitor pelas poucas atualizações nos últimos dias. Todos no Estado de Minas temos nos empenhado ao máximo para produzir a melhor cobertura do início do transporte rápido por ônibus. Falta tempo para falar aqui no blog.

Sábado, primeiro dia de operação comercial, e ontem, terça-feira, segundo dia útil, embarquei nas três linhas do BRT/Move – 83P, 83D e 82 – até a Estação São Gabriel para conhecer melhor o sistema, como milhares de belo-horizontinos ávidos pela maior obra de mobilidade de Belo Horizonte nos últimos anos. Como disse no post anterior, gostei do que vi: organização antes, durante e depois do embarque em nível nas estações; e eficiência, em viagens rápidas com ônibus modernos e dignos da capital mineira.

Nos tópicos a seguir, listo minhas impressões de acordo com os preceitos básicos de qualidade do BRT, identificados como benefícios ao usuário no site da BHTrans:

1) Agilidade

Ao longo dos corredores, o BRT/Move acelera com plena desenvoltura, em viagens de até 12 minutos da Estação São Gabriel ao Centro no fim de semana e fora dos horários de pico. O embarque nas estações de integração não passa de três minutos, e nas estações de transferência (ETs), cerca de 10 segundos – valioso tempo que seria perdido com a adoção de plataformas móveis para o vão livre, como em Curitiba (onde cada acionamento leva 5s). O treinamento prévio e a seleção se mostrou fundamental na habilidade dos motoristas – o retorno das Avenidas Santos Dumont e Paraná, por exemplo, é feito com boa velocidade. Há, por outro lado, grande risco de acidentes por causa da invasão dos corredores, o que interfere diretamente na agilidade no Hipercentro: seja por pedestres que não respeitam a faixa de travessia, seja por motoristas que fecham os cruzamentos (práticas comuns em BH, como no flagrante da foto abaixo).

Fotos: Bruno Freitas/EM/D.A.Press

2) Conforto

Em obras, a Estação São Gabriel ainda deve uma estrutura mínima de espera antes do embarque – faltam assentos e lixeiras. As ETs estão praticamente prontas, faltando somente ajustes nas portas automáticas, abertas. Alguns dos ônibus articulados saíram às ruas no sábado com o ar-condicionado longe da temperatura ideal (27 graus, em um dos ônibus que utilizei), medida que melhorou na terça-feira, com a refrigeração funcionando de forma eficiente. Os assentos dos coletivos possuem encostos de cabeça com melhor ergonomia ao passageiro, mas o espaçamento entre as poltronas é o mesmo do transporte convencional – gerando desconforto a quem tem mais de 1,80m de altura, como eu. Em alguns articulados, o espaço destinado à bicicletas encontra-se bloqueado por uma barra.

3) Informação

Há boa vontade da BHTrans e dos 330 monitores identificados com o uniforme Posso Ajudar, além dos funcionários do Setra-BH (dois em cada ET) em auxiliar o usuário, mas falta conhecimento prévio sobre a lógica do BRT/Move. No sábado, antes de embarcar na ET São Paulo, um dos monitores me disse que haviam somente dois ônibus em operação. Depois se corrigiu, dizendo que eram duas linhas – ainda assim errado, uma vez que são três as linhas em operação. Nas ETs São Paulo e Tamoios, na Região Central, a maioria dos monitores de informação de chegada das linhas ainda não funciona. Na primeira ET, dos três aparelhos em funcionamento, apenas um disponibilizava a informação correta. Na ET Silviano Brandão (foto abaixo), todos desligados.

4) Pontualidade

O tempo de embarque não demora mais do que dez minutos ao longo do dia, o que confirma a média de tempo planejada pela BHTrans. Uma linha em especial, contudo, merece atenção: a 82 (Estação São Gabriel/Savassi via Hospitais) já está circulando lotada por atender boa parte do Hipercentro. Como tem parte do trajeto fora do corredor Cristiano Machado, sofre as mesmas retenções dos demais ônibus na Região Hospitalar, chegando a ter intervalos de 20 minutos ou mais. Ontem, alguns ônibus atrasaram e saíram próximos um do outro da Estação. No sábado, com pouco movimento, operou normalmente.

 

5) Segurança

Todas as estações são separadas fisicamente por grades e possuem agentes de segurança, mas o material de construção é frágil graças a aplicação de vidro. Na ET São Paulo, uma das vitrines já estava danificada no sábado. Ao longo do trajeto, também há espaço de invasão ao longo das estações de transferência, com aberturas entre as grades em pontos de pouca visibilidade (foto abaixo).

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