Estudo técnico do Setra-BH baseia pedido de revisão do contrato à BHTrans

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Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

O blog teve acesso exclusivo aos dados que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) sustenta para solicitar à BHTrans a revisão do contrato de transporte coletivo por ônibus em Belo Horizonte, renovado em 2008. Os números são baseados em novo estudo técnico encomendado após o levantamento feito pela auditoria Ernst & Young. O sindicato patronal alega que acumula prejuízo de 268,7 milhões nos últimos cinco anos. Entre as razões para o que chama de achatamento da tarifa, estão a redução de 24,1% da receita em 2015 (5,5% apenas no sistema BRT/Move), aumento do custo operacional (salário de motoristas, óleo diesel, dentre outros insumos) e de gratuidades na tarifa – de 11,90%, em 2008, para 24,10% em 2015 –, esta gerada principalmente pelas novas integrações do transporte rápido por ônibus.

Embora opere no vermelho, o setor tem ficado cada vez mais concentrado. Nos últimos sete anos, pelo menos dez das cerca de 40 empresas do sistema mudaram de mãos, passando a operar como parte de grandes grupos cada vez maiores: Lig Transportes e Serviços, absorvida por diferentes empresas; Viasul Transportes Coletivos, incorporada pela Sagrada Família Ônibus S/A; Via Oeste Transportes (hoje Autobus Transportes), parte da Bettânia Ônibus; Viação Santa Edwiges (hoje Independência Auto Ônibus), agora do grupo Rodopass; Salvadora Empresa de Transportes, incorporada pelo grupo Omnibus; Coletivos Boa Vista, incorporada pelo grupo Anchieta; Praia Ônibus, Viação Jardins, Sagrada Família Ônibus S/A e S&M Transportes S/A, estas incorporadas pelo grupo Saritur.

O que abre uma pergunta: se o transporte coletivo de Belo Horizonte dá prejuízo, qual a razão de se investir nele?

Greve dos rodoviários afeta mobilidade de BH desde segunda (2)

Jair Amaral/EM/D.A Press

BURACO NO CUSTO DO TRANSPORTE

Setra-BH alega crescente deficit na operação do transporte coletivo. Falta de dinheiro afetaria pagamento da Participação nos Lucros e Resultado (PLR), razão da greve dos rodoviários deste a última segunda-feira (8):

Prejuízo alegado

2011 R$ 52,8 milhões

2012 R$ 105,8 milhões

2013 R$ 29,7 milhões

2014 R$ 80,4 milhões

Redução na receita

2008 – 11,9%

2014 (antes da implantação do Move) – 18,6%

2015 – 24,1%

2015 – apenas no sistema Move – 5,5%

Aumento de custos operacionais*

-Salário motorista (45% do total)

65,39%

-Óleo diesel (25% do total)

41% (6% apenas no início de 2015, com alterações das alíquotas do PIS, COFINS e CIDE)

-Pneu (5% do total)

33,68%

-Veículo (motor dianteiro, 20% do total)

46,15%

-Benefícios dos trabalhadores (5% do total)

62,57%

*de 2009 a 2015

Queda de passageiros

18%

dos passageiros deixaram de usar o transporte coletivo por ônibus de 1998 a 2014

De 519.484

Para 425.129

2%

do total somente de 2008 a 2014, enquanto a população da RMBH cresceu 3% no período

Aumento de gratuidades

A diferença de passageiros transportados (o que inclui meia passagem e gratuidades) e equivalentes (que pagam o valor integral da tarifa) cresceu de 11,90% em 2008 para 24,10% em 2015

Tarifa média

R$ 2,5609,

considerando gratuidades, meia passagem, 10% dos passageiros que utilizam integração tarifária e tarifa circular (R$ 2,20)

CARGA TRIBUTÁRIA

24,46%

dos custos do setor são destinados a taxas, tributos diretos e indiretos

INFLAÇÃO ACUMULADA

-Insumos (mão de obra, óleo diesel, pneus, etc) 53,72%

-Inflação (INPC-IBGE) 46,96%

-Reajuste da tarifa 34,78%

DE ONDE VEM OS CUSTOS

Tributos

Encargos sociais (FGTS, seguro, etc) – 11,09%

Impostos diretos (INSS, IPVA, IPTU, etc) – 4,25%

Impostos indiretos (ICMS, PIS/COFINS sobre diesel, veículo, peças e pneus; CIDE sobre diesel; IPI sobre peças e pneus) – 9,12%

TOTAL: 24,46%

Operação

Mão de obra – 39,15%

Diesel, lubrificantes e peças – 22,32%

Depreciação do veículo – 8,96%

Remuneração do veículo e almoxarifado – 5,10%

TOTAL: 75,54%

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