Estudo pretende reduzir a tarifa entre cidades

Publicado em Integração metropolitana, Licitação, Sem categoria, Transporte rodoviário, Transporte urbano
Túlio Santos/EM/D.A Press
Túlio Santos/EM/D.A Press

Os 100 quilômetros e duas horas e 15 minutos percorridos pela linha metropolitana 3992 entre Itaguara, na região metropolitana, e Belo Horizonte, podem ganhar a companhia de outros trajetos de longa distância com ônibus urbanos em Minas Gerais. Estudo preliminar da Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop) pretende ampliar o número de linhas intermunicipais, entre cidades, que utilizam coletivos do tipo. A medida impactaria na redução do valor da tarifa em relação aos ônibus rodoviários, de maior conforto, servindo como atrativo aos usuários que deixaram de utilizar o serviço – e entre outras alternativas, vem apelando para as facilidades da carona e do transporte clandestino. Por outro lado é visto com cautela pelo setor de transporte de passageiros, que teme amargar queda de receita, em meio à recessão que atravessa o Brasil.

Atualmente 170 linhas de ônibus de um total de 1.877 no Estado operam com veículos urbanos – a chamada Tabela C, na definição técnica da Setop. Exceto as linhas metropolitanas da RMBH, a quilometragem máxima permitida para itinerários realizados com coletivos é de 50 quilômetros. Caso a nova medida seja aprovada, os ônibus urbanos em Minas poderão percorrer distâncias de até 75 ou 100 quilômetros – como no caso da linha de Itaguara.

Túlio Santos/EM/D.A Press Viagem de ônibus urbano entre BH e Itaguara tem tempo médio de 2h15min
Túlio Santos/EM/D.A Press Viagem de ônibus urbano entre BH e Itaguara tem tempo médio de 2h15min

Realizado pela Subsecretaria de Regulação de Transportes da Setop, o estudo avalia não apenas o impacto tarifário, como “demais externalidades”, afirma a pasta, sem detalhá-las. “A busca por uma informação correta do serviço prestado para garantia deste monitoramento é uma das ações efetuadas atualmente. As ações decorrentes deste monitoramento envolvem não apenas a Setop e as concessionárias, mas também, os usuários e as prefeituras”, sustenta o órgão, indicando conversação entre diversas partes.

Como comparação enquanto o trajeto entre Itaguara e BH com ônibus rodoviário tem tarifa de R$ 31,20, usando o urbano metropolitano é cobrada quase a metade: R$ 16,20. A empresa operadora da linha 3992 e a variante 3993 (Itaguara/Estação Eldorado, a R$ 11), entretanto, disponibiliza poucos horários diários aos moradores do município, o que restringe a oferta do serviço de ônibus urbano, muito mais barato.

Túlio Santos/EM/D.A Press Ônibus urbanos diferem dos rodoviário pelas poltronas, isolamento acústico e bagageiro
Túlio Santos/EM/D.A Press Ônibus urbanos diferem dos rodoviário pelas poltronas, isolamento acústico e bagageiro

LINHAS DESERTAS Outras 99 linhas de ônibus intermunicipais de Minas Gerais sem empresas interessadas na última licitação serão novamente colocadas em concorrência pública. Os estudos estão em andamento e embora ainda hão haja uma definição, o transporte alternativo (que opera o Transporte Suplementar de BH e Betim) foi sondado pelo governo mineiro como opção de operação. “Nenhuma alternativa foi descartada. O importante é que seja prestado, ao usuário, um serviço de qualidade e de forma contínua”, confirma a Setop.

6 comentários para “Estudo pretende reduzir a tarifa entre cidades

  1. É bom pensar nisso com bastante cautela.
    Não se pode simplesmente aumentar a distância que urbanos podem percorrer, é necessário avaliar o percurso.
    Em rodovias, por exemplo, onde ônibus como esses passarão grande parte do percurso rodando em sua velocidade máxima, e com passageiros em pé, corre-se o risco de ocorrer acidentes de altíssima gravidade.
    Já não é confortável pro passageiro ficar 100km a pé, também não é nada seguro.
    Acho que linhas longas só poderiam ser feitas com urbanos se elas tiverem perfil de urbanos: muitas paradas, muita rotatividade de passageiros, velocidade média baixa e o mínimo possível de trajeto em rodovias de grande porte (a não ser em pistas marginais). Acho até que há linhas que têm esse perfil, por exemplo a que liga Caratinga a Fabriciano, hoje operada pela Viação Rio Doce. Mas será que há tantas linhas assim que possam ser adaptadas? E haverá alguma contrapartida de conforto? Por exemplo, ar condicionado, motor traseiro, suspensão mais confortável, assentos semi-rodoviários… Talvez uma configuração parecida com a que a Setelagoano coloca na linha Sete Lagoas/BH.

      1. Além disso, seria interessante que nestas linhas longas ainda haja a opção por ônibus rodoviário em alguns horários, ainda que o preço da passagem seja mais caro. Nestes horários poderiam haver menos paradas, ou dependendo da demanda, a linha poderia ser direta mesmo.

      2. BH Para de Minas nunca, pega trechos de velocidade extremamente alta, serra, etc. Colocar cabritos nessas linha com passageiros sem cinto e em pé seria loucura. Porque não colocar transporte alternativo, como vans e micros que são bem mais confortáveis e baratos, e tirar essas linhas desses grandes grupos que a anos mamam com licitações pra lá de suspeitas o dinheiro público… Deveria rever essa estratégia.

        1. O problema disso é no pico, com veículos de menor capacidade precisariam de mais veículos para carregar a demanda… mais veículos, mais transito.
          Mas tudo gira em torno do custo: imgaina ter uma frota pra pico e uma pro fora pico, ótima solução, mas com o custo exorbitante de se manter duas frotas. No final das contas quem paga e quem usa e o governo federal não dá um incentivo pro transporte.

  2. É uma judiação ao passageiro essa linha com carros prefixos 87, viajar quase 100km com feixe de molas e chapas de aço no lugar de amortecedor, deve ser um pau de arara do século 21.

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