4,13% na tarifa: usuário paga em dobro pelo Move Metropolitano

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Fotos: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

O usuário do transporte coletivo na Grande Belo Horizonte começa a sentir no bolso o impacto da implantação BRT/Move, ainda que o sistema tenha sido financiado com recursos públicos – o que inclui a compra de novos ônibus via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na penúltima semana do atual governo e entre dois dos maiores feriados do ano, a Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas (Setop) anunciou o reajuste da tarifa de 745 linhas metropolitanas (que atendem a 34 cidade da RMBH) em 12,78%, o que pegará de surpresa (e certamente causará as mais diversas reações) a quem depende do serviço a partir da próxima segunda-feira (29).

Do total 4,13% são justificados pela pasta por melhorias vinculadas ao projeto Terminais Metropolitanos de Integração, já orçado inicialmente em R$ 187 milhões: compra de 261 ônibus do Move Metropolitano (1,92% da nova tarifa), operação dos novos terminais Morro Alto, Vilarinho, São Gabriel, Sarzedo, Ibirité, estações de transferência do transporte rápido por ônibus e estações provisórias de São Benedito e Justinópolis (outros 2,21% da soma).

Entre outros fatores para a decisão, a Setop alega aumento nos custos de novembro de 2013 a outubro de 2014, como gastos com combustível, custo com pessoal e manutenção da frota. O último reajuste (de 6,57%, quase a metade do novo), entretanto, ocorreu em 18 de abril. Eis a primeira contradição.

Articulado do Move: otimização com redução da frota convencional

Além de colocar na conta um investimento já realizado (construção dos terminais), previsto e amortizado pelas empresas (frota, em condições em que o próprio coletivo paga a conta circulando), a Setop incluiu dois terminais que sequer atenderam a demanda: Morro Alto, ainda em obras (a previsão é de seja inaugurado na quarta-feira, último dia do atual governo); e Sarzedo, entregue há poucos dias após sucessivos problemas em apenas 16 dias de operação, em junho. Isso sem falar na otimização de custos proporcionada pelo BRT Metropolitano: com menos ônibus nas ruas, ao menos em teoria, há menor custo com manutenção, combustível e pessoal (motoristas e cobradores, dispensados nos ônibus que circulam nos corredores).

Um afronte ao usuário do transporte metropolitano, que já sofre com a precarização do serviço com ônibus velhos (o governo permite a compra de coletivos usados e em idade avançada – agora prorrogada por 18 anos –, muitos oriundos do Rio de Janeiro e São Paulo), muitas vezes sujos e com quadro de horários descumpridos. Quando o ônibus passa no ponto, não deixando o usuário sem atendimento, o que também é comum.

Terminal São Benedito: entrega provisória para atender cronograma

Fotos: Jair Amaral/EM/D.A Press

Não é só. A medida anunciada entre o Natal e do Reveillon, quando a maioria dos usuários está viajando ou desligada das notícias, propõe um reajuste mais de duas vezes superior à inflação acumulada no ano, até novembro: 5,58%, de acordo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Informações

Faltando dois dias para o reajuste (sábado e domingo), a secretaria afirma que os ônibus irão circular com cartazes informando os novos valores. Informações e reclamações podem ser obtidas ou feitas pelo telefone 155 (opção 6) e o e-mail de atendimento do Departamento de Estradas e Rodagens (DER/MG): atendimento@der.mg.gov.br.

Como fica a tarifa metropolitana

Preço mínimo: R$ 2,60

16 linhas

Preço médio: R$ 3,95

30% do sistema metropolitano, com 57 grupos tarifários

Maiores reajustes:

2552 – Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins)/Contagem: R$ 35 (hoje R$ 26,65)

3213 – Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins)/Betim via Aeroporto da Pampulha: R$ 36,05 (hoje R$ 31,95)

3792 – Rio Manso/Belo Horizonte: R$ 9,65 (hoje R$ 8,55)

3802 – Itatiaiuçu/Belo Horizonte: R$ 9,65 (hoje R$ 8,55)

3992 – Itaguara/Belo Horizonte: R$ 14,25 (hoje R$ 12,65)

4882 – Nova União/Belo Horizonte: R$ 9,90 (hoje R$ 8,80)    

5260 – Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins)/Rodoviária de BH: R$ 23,70 (hoje R$ 21)

5356 – Belo Horizonte/Jaboticatubas via Lagoa Santa: R$ 21,20 (hoje R$ 18,80)

5784 – Baldim/Belo Horizonte e 5785 – Baldim/Belo Horizonte via Vargem Grande: R$ 21 (hoje R$ 18,60)

5786 – Baldim/Belo Horizonte via Funilândia: R$ 25,90 (hoje R$ 22,95) 

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