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O peso real do dinheiro diante da imprevisibilidade de uma doença

Na próxima quinta-feira, 24 de setembro, estarei no Jockey Club de São Paulo para participar do Women Invest Summit 2026, um dos maiores congressos dedicados à mulher investidora no Brasil e que, reconhecidamente, integra o Calendário Oficial de Eventos da cidade de São Paulo.

Estar num ecossistema focado na autonomia financeira feminina é transformador. O projeto Conexão Protagonistas estará presente durante todo o evento com uma sala exclusiva, onde diversas autoras e coordenadoras do livro Protagonistas (Volume 2) se dividirão em painéis para dar voz a histórias e visões que conectam vivência e impacto financeiro.

Ao lado da querida Alice Coutinho, dividirei um painel cujo título antecipa uma verdade incômoda, mas urgente: “Ninguém está pronta até precisar estar”. Quando o mercado de investimentos debate educação financeira, as conversas costumam orbitar em torno de multiplicação de capital, independência, consumo ou construção de património. Mas existe uma dimensão do dinheiro que raramente ganha os holofotes do mercado tradicional: o seu papel como amortecedor e salvaguarda na hora do caos inesperado.


Quando a ilusão da estabilidade se desfaz


Por muitos anos, vivi na estabilidade. O meu marido era um empresário bem-sucedido, sócio de uma agência de comunicação consolidada e próspera. Quando ele adoeceu, repentinamente, a minha reação inicial para ancorar alguma tranquilidade foi: “Está tudo bem, ele é um homem forte, empresário, vai reabilitar-se e logo tudo voltará ao normal.” Doce ilusão.

A gravidade da situação e o que eu enfrentaria pela frente, pouco a pouco, foram-me tirando o chão. Foram quase oito anos até fecharmos um diagnóstico doloroso de uma doença neurológica autoimune rara. Ele nunca mais voltou a trabalhar. Veio a invalidez, a interdição legal e, de uma hora para a outra, assumi o papel de cuidadora, mãe e única provedora da casa, depois de passar por um longo período fora do mercado de trabalho. Eu era o suporte familiar para ele voar. Abdiquei da minha carreira e, repentinamente, vi tudo o que levámos anos a construir desmoronar-se.

Já são 11 anos de uma jornada intensa de aprendizados que transformaram radicalmente o meu olhar para a vida e, principalmente, para as finanças. Olhando para trás com a bagagem que tenho hoje, eu teria tomado decisões imensamente diferentes lá no início.

O dinheiro, nessa trajetória, teve pesos opostos: foi o recurso que nos permitiu sustentar cuidados dignos e reorganizar a nossa estrutura no início, e foi fonte de angústia quando as incertezas bateram à porta.


O bastão da gestão financeira é um cuidado que precisa ser compartilhado


A Alice Coutinho e eu compartilhamos marcas profundas nas nossas vidas que nos mostraram o valor de ressignificar a dor e transformar travessias difíceis num propósito de impacto. No nosso painel no Women Invest, abriremos espaço para discutir a doença sob o olhar de quem cuida — um papel silencioso, desgastante e diretamente atrelado à estabilidade orçamentária familiar — e o luto repentino pelo qual ela passou após perder o marido, aos 48 anos, para a Covid-19.

Por mais organizada e garantida que a vida financeira de uma família pareça, nós, mulheres, precisamos de dividir o bastão da gestão financeira. Falar sobre finitude, imprevisibilidade e doença não é atrair negatividade; é responsabilidade. É desenhar um plano traçado a quatro mãos ao lado do parceiro ou da parceira para lidar com aqueles cenários improváveis — mas que, quando acontecem sem o devido preparo, são capazes de aniquilar o fluxo de renda e devastar famílias.

Agradeço imensamente a oportunidade e o espaço que o Women Invest Summit e a Conexão Protagonistas nos concedem. Trazer a perspectiva do cuidador para um evento de investimentos reafirma que investir não é apenas sobre o amanhã dos sonhos; é sobre garantir a estrutura necessária para atravessar tempestades que ninguém prevê.

Fica o meu convite para que esteja connosco no dia 24, das 8h às 19h. Se há uma lição que a vida me ensinou e que faço questão de compartilhar, é que o verdadeiro protagonismo nasce da capacidade de nos prepararmos para o imprevisível antes que tenhamos de o fazer pela dor, como eu vivenciei em diversos momentos dessa minha jornada.

Para mais informações, aceda a: https://www.womeninvestsummit.com.br/

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