João Doria desiste da disputa presidencial

O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) anunciou em um pronunciamento nesta segunda-feira (23) que desistiu de concorrer à Presidência da República em 2022. A declaração ocorre um dia antes da reunião da Executiva Nacional do PSDB, que irá definir a estratégia do partido para a disputa presidencial deste ano. O PSDB, juntamente ao MDB e ao Cidadania, pretende lançar uma candidatura única à Presidência no campo da chamada “terceira via”.

O anúncio ocorre após pressão intensa de lideranças do PSDB durante as últimas semanas para que Doria renunciasse de sua candidatura e que o partido apoiasse o nome de Simone Tebet (MDB/MS). O ex-governador chegou a enviar uma carta no dia 15 de maio ao presidente do PSDB, Bruno Araújo, ameaçando judicializar o impasse caso seu nome não fosse escolhido para a disputa. Os partidos da terceira via esperavam anunciar o nome escolhido na última semana, 18 de março, mas o anúncio foi postergado devido aos imbróglios entre aliados de Tebet e Doria. Apesar da ameaça, João Doria recuou após perder apoio interno de aliados importantes no PSDB como o atual governador de São Paulo, Rodrigo Garci e o ex-senador Aloysio Nunes.

A desistência de Doria permite à terceira via criar estratégias para alavancar a candidatura única, provavelmente da senadora Simone Tebet (MDB/MS). Ao longo das últimas semanas, a indefinição sobre qual nome disputaria as eleições dominou a pauta das discussões internas no MDB e do PSDB. A oficialização de Tebet como candidata deve ocorrer nesta terça-feira (24), após pesquisas internas no MDB, PSDB e Cidadania apontarem que Tebet teria mais chances na disputa. O argumento principal é que João Doria possui uma taxa de rejeição muito alta.

Tebet atualmente aparece com baixos índices de intenção de votos nas pesquisas eleitorais, sempre oscilando com 1% ou 2% das intenções de votos. Seus apoiadores acreditam que o desempenho irá melhorar à medida que se tornar mais conhecida pelo eleitorado, principalmente entre o eleitorado feminino, que hoje representa 51% dos eleitores no país. A senadora possui grande habilidade de articulação no Congresso Nacional entre diferentes alas ideológicas, mas ainda não é um nome capitalizado a nível nacional. Tebet começou a ganhar maior notoriedade após ser a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por ser a primeira mulher a disputar a Presidência da Casa em 2021, e durante a CPI da COVID.

Vale ressaltar que, mesmo com a desistência de Doria, a chamada terceira via está longe de alcançar um consenso amplo na disputa presidencial. No próprio MDB há um racha, os caciques do Nordeste são favoráveis a apoiar Lula (PT) desde o primeiro turno, enquanto em outras regiões há alas favoráveis à composição com Jair Bolsonaro (PL). No PSDB, a desistência de Doria permite que o partido gaste mais energia, tempo e recursos para conseguir eleger o máximo de deputados, senadores e governadores.

Quanto ao impacto na disputa eleitoral, por ora, o nome de Tebet não deve ter potencial de alavancar. Essa possibilidade passa a ser mais volátil a partir do período de propaganda eleitoral e dos debates, quando sua candidatura pode ganhar mais visibilidade.

 

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